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Qual o sentimento do Brasil que vai às urnas neste domingo

Decepção com a política e com os partidos se junta a medo de violência e desejo de combate à corrupção, tudo potencializado pelo uso de redes sociais em escala inédita. Diferença entre Bolsonaro e Haddad cai

     

    Neste domingo (28), entre 8h e 17h nos horários locais pelo país, 147 milhões de brasileiros terão o direito e a oportunidade de ir às urnas para escolher o próximo presidente da República - além de governadores em 13 estados e no Distrito Federal.

    A eleição presidencial, oitava com voto direto a ser realizada no Brasil desde o fim da ditadura militar (1964-1985), coloca frente a frente no segundo turno dois candidatos com propostas, trajetórias e ideias completamente diferentes.

    Fernando Haddad (PT), segundo colocado nas pesquisas, é um ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação representante de um partido de esquerda que governou o Brasil por 13 anos, até ser retirado via impeachment em 2016, em meio a uma crise econômica e uma crise política, após uma série de escândalos.

    Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas, é um deputado de extrema direita de pouco destaque numa vida pública de quase três décadas, mas que ganhou notoriedade se apresentando como alguém antissistema e cujo discurso radicalizado foi capaz de canalizar a insatisfação de parte significativa da sociedade.

    Na noite de sábado (27), véspera da votação, dois dos principais institutos de pesquisa divulgaram seu últimos levantamos antes do segundo turno. No Datafolha, Bolsonaro tem 55% diante de 45% de Haddad. No Ibope, o candidato do PSL tem 54% e o candidato do PT, 46%. A diferença entre ambos vem diminuindo nos mais recentes levantamentos.

    Último quadro

     

     

    As duas pesquisas têm margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os números acima representam intenção de votos válidos, ou seja, não são levados em conta os votos em branco, nulos ou indecisos. As entrevistas do Datafolha e do Ibope foram feitas na sexta (26) e no sábado (27). As pesquisas foram registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob os números BR-02460/2018 e BR-02934/2018.

    O caminho do segundo turno

    O segundo turno foi marcado, a maior parte do tempo, por uma vantagem significativa de Bolsonaro sobre Haddad. Com um crescimento expressivo, o candidato do PSL saiu das urnas no primeiro turno com 46% dos votos válidos, enquanto Haddad obteve 29%.

     

    Capitão reformado, Bolsonaro ficou a 4,2 milhões de votos de ser eleito presidente já em 7 de outubro. Como não obteve a maioria, a eleição foi para sua segunda etapa. A vantagem deu a ele o conforto de se recusar a participar de debates na TV - e a Haddad a necessidade de tentar forçar os embates para reduzir a distância.

    Na última semana antes da votação, depois de Bolsonaro retomar discursos de ataque a direitos de minorias, à imprensa e a adversários, prometendo acabar com “coitadismos” e “varrer do mapa bandidos vermelhos”, a diferença começou a diminuir. Na véspera da votação, ele divulgou um texto em novo tom, desta vez de conciliação.

    “A forma de mudarmos o Brasil será através da defesa das leis e da obediência à Constituição. Assim, novamente, ressaltamos que faremos tudo na forma da lei! Qualquer forma de diferenciação entre os brasileiros não pode ser admitida. Todo cidadão terá seus direitos preservados”

    Jair Bolsonaro

    em comunicado divulgado nas redes sociais

    Haddad terminou a campanha numa série de eventos públicos prometendo aumentar o efetivo da Polícia Federal para combater o crime organizado e disse que armar a população, proposta de Bolsonaro, só vai aumentar a violência. Ele também se referiu ao esforço de apoiadores para tentar “virar votos” a seu favor.

    “É bacana ver que uma juventude, que não tem alinhamento partidário, está nas ruas defendendo o Brasil. Está nas ruas defendendo a democracia, a liberdade, a diversidade, o direito das pessoas poderem caminhar em segurança pelas ruas”

    Fernando Haddad

    em seu último dia de campanha em São Paulo

     

     

    A campanha de 2018

    Lula barrado

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era líder nas pesquisas, mesmo preso pela Lava Jato em Curitiba. Foi barrado pela Lei da Ficha Limpa e substituído por Haddad como candidato do PT.

    Atentado a Bolsonaro

    Bolsonaro levou uma facada durante um ato de campanha em Minas, passou por cirurgias e teve de lidar com limitações físicas. Mesmo depois de liberado pelos médicos, não debateu na TV.

    WhatsApp e boataria

    As novas regras eleitorais, que reduziram o tempo  de TV dos candidatos, deixaram em segundo plano o jeito tradicional de fazer política. As redes sociais e o WhatsApp emergiram e com eles as notícias falsas.

    Violência nas ruas

    O primeiro turno acabou e com isso surgiram relatos de agressões. Um assassinato na Bahia foi motivado por questões eleitorais. Grupos LGBT criaram redes de proteção. Jornalistas também foram agredidos.

    Suspeita de caixa dois

    O jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem na qual afirma que empresários pró-Bolsonaro montaram uma rede de disparos de mensagens de WhastApp em massa, sem registrar o apoio oficialmente.

    Arroubos dos candidatos

    Um dos filhos de Bolsonaro atacou o Supremo. O capitão reformado atacou a Folha. Haddad reproduziu uma acusação errada ao chamar o vice do adversário, general da reserva Hamilton Mourão, de torturador.

    Ameaças na internet

    Apoiadores de Bolsonaro ameaçaram jornalistas. Um coronel da reserva atacou a presidente do TSE, Rosa Weber, em razão da abertura da investigação de caixa dois na campanha de Bolsonaro.

    Batidas em universidades

    Juízes eleitorais de primeira instância autorizaram batidas policiais em universidades públicas contra manifestações políticas. O Supremo interveio para garantir a liberdade de expressão.

    Posicionamentos

    Esta foi uma eleição de posicionamentos. Manifestos foram divulgados em defesa da democracia, a favor de Haddad e contra Bolsonaro, assim como declarações de voto. Muitos preferiram a neutralidade.

    Os sentimentos que emergem na eleição

    Todos esses fatos ocorreram num contexto de crise econômica e crise política. Abaixo, o Nexo lista alguns sentimentos presentes hoje na sociedade.

     

    Antipetismo

    A rejeição ao PT marcou o período de campanha eleitoral, assim como a resiliência de um partido que, no poder, obteve avanços sociais significativos. Antes de ter a candidatura barrada, Lula era líder, mas tinha alta rejeição. Haddad herdou os votos, mas também o antipetismo e, segundo o Datafolha mais recente, 52% do eleitorado não votaria no candidato do PT de jeito nenhum. No segundo turno, Haddad mudou seu plano de governo e reduziu o uso da imagem de Lula.

     

    O PT governou o Brasil entre 2003 e 2016, quando Dilma Rousseff foi afastada da Presidência pelo Congresso Nacional, acusada de manobras fiscais. A crise dos governo do PT, e a rejeição ao partido, está diretamente ligada à crise econômica que emergiu no governo Dilma, mas principalmente à corrupção.

    A partir de 2014, a Operação Lava Jato descobriu um esquema de fraudes em licitações na Petrobras que envolvia funcionários da estatal, construtoras e agentes políticos da base do governo do PT. O ápice do avanço da operação se deu com a prisão do ex-presidente Lula, maior nome da história do partido, em abril de 2018. Em seguida, ele foi impedido de disputar a eleição.

     

    Antissistema

     

    Os casos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato atingiram principalmente o PT, mas não só ele. Nos últimos anos, aumentou a descrença com o sistema político como um todo.

    A delação premiada dos donos do frigorífico JBS atingiu o governo que substituiu o PT no poder, rendendo denúncias, por exemplo, contra o presidente Michel Temer e contra o então presidente do PSDB, Aécio Neves - derrotado por Dilma em 2014 e principal líder de oposição ao governo petista no período pré-impeachement. Outras denúncias atingiram personagens importantes da política, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ministros de Temer.

     

    O clima da eleição de 2018 é pautado pelo reflexo da descrença com o sistema político. Partidos como MDB e PSDB sofreram derrotas importantes. Seus candidatos à Presidência Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin tiveram baixo desempenho. MDB e PSDB perderam espaço também na Câmara e no Senado.

     

    O espaço deixado pelos partidos tradicionais foi preenchido, principalmente, por aliados de Bolsonaro. O candidato do PSL se apresenta como um outsider e conseguiu resultados importantes na eleição. Seu partido, que havia eleito um deputado em 2014, fez a segunda maior bancada na Câmara em 2018, com 52 deputados.

     

    Outros partidos pequenos, como o Novo e PSC, conseguiram resultados importantes nas eleições de Minas Gerais e Rio de Janeiro com o discurso de que são de fora da política.

     

    ‘Aburguesamento’

     

    Os partidos que emergiram na eleição de 2018, além do discurso antissistema, têm em comum o fato de adotarem ideias liberais na economia, com redução do papel do Estado. Defendendo a diminuição de gastos do governo.

    Para o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a simpatia da classe média por ideias historicamente defendidas pelos mais ricos demonstra um “aburguesamento” do pensamento e dos valores dessa fatia do eleitorado.

    “O miolo da classe média passou por um processo de aburguesamento de valores em que o autoritarismo de Bolsonaro promete trazer ordem aos serviços públicos, para que possam alcançar na esfera privada (proteção à família, instituição mais valorizada pelos brasileiros), por méritos próprios (trabalho), o estilo de modelos das classes mais altas que aspiram. Tudo sob a proteção divina (a maioria da população acredita na existência de Deus). Não à toa, a maioria descarrega votos no candidato do PSL, mesmo o considerando, segundo os dados, defensor dos ricos. É a primeira vez que um candidato à Presidência da República lidera a disputa carregando a alcunha”

    Mauro Paulino

    diretor do Datafolha

    Nos protestos durante o processo de impedimento de Dilma Rousseff, uma das principais reclamações dos manifestantes era sobre a alta carga tributária. A campanha feita pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dizendo que a população não podia “pagar o pato” foi adotada pelos manifestantes e se tornou um símbolo dos protestos.

    O que pensa o brasileiro, segundo as pesquisas

    Os resultados do primeiro turno das eleições demonstram um crescimento do apoio a políticos com pautas conservadoras, que pregam o aumento da repressão como forma de combate à violência, defendem valores morais ligados às religiões cristãs e consideram irrelevantes políticas públicas de inclusão e proteção de minorias.

     

    O discurso dos eleitos dialoga com o posicionamento de parte importante da sociedade sobre temas ligados à criminalidade, combate à corrupção e pautas de comportamento como aborto e liberação de drogas. O Nexo compila uma série de pesquisas que mostra o posicionamento da sociedade sobre uma série de temas sensíveis.

    Visão geral

     

    Primeiro, uma visão geral a respeito dos principais problemas do Brasil. A saúde, historicamente, quase sempre lidera nesse quesito. Na campanha eleitoral, porém, o tema não foi central, sobressaindo mais as questões de segurança e corrupção.

    Divergência

     

    É um ponto de discordância entre os candidatos e que foi central no debate eleitoral. Bolsonaro defende abertamente a ampliação do porte de armas como medida de direito de defesa. Haddad é contra por acreditar que armar a população aumenta o problema de segurança pública.

    Código penal

     

    Outro ponto em que os candidatos discordam. Bolsonaro é um crítico frequente da lei penal brasileira que, para ele, é branda e incentiva a criminalidade. Haddad é contra a pena de morte por acreditar que o papel da prisão é ressocializar o criminoso.

    Combate à corrupção

     

    A corrupção foi tema central na campanha, com Bolsonaro se apresentando como o candidato capaz de combatê-la e criticando o PT pelo esquema da Lava Jato. Haddad se defende dizendo que o PT cometeu erros, mas foi quem deu liberdade ao Ministério Público e à Polícia Federal.

    Democracia

     

    Bolsonaro defende a ditadura militar, exalta torturadores do período, contesta de forma recorrente o processo eleitoral e não reconhece direitos de minorias. É apontado por opositores e muitos cientistas políticos como um risco à democracia brasileira. Ele nega e afirma que o PT apoia regimes autoritários em outros países, como a Venezuela.

    Os riscos

    A maior parte dos eleitores vê alguma chance de o Brasil viver uma nova ditadura, apesar de a democracia ser o regime apontado como o melhor por 69% da população.

    Direito das mulheres

     

     

    Bolsonaro é contra a ampliação dos casos em que o aborto legal é permitido, Haddad deixou o tema de lado em uma tentativa de conquistar novos eleitores de centro e religiosos.

    Gênero e mercado de trabalho

     

    A pior remuneração das mulheres no mercado de trabalho foi um tema recorrente na eleição, principalmente usado contra o candidato do PSL, que disse que o Estado não deve interferir nos salários.

    Direitos LGBT

     

    Tema central na campanha por causa das declarações de Bolsonaro sobre homossexuais, principalmente no passado. Movimentos LGBT e adversários o acusam de homofobia, o que ele nega. Houve, principalmente no segundo turno, relatos de agressões a homossexuais por parte de apoiadores de Bolsonaro. Ele diz repudiar a violência e não ter controle sobre seus eleitores.

    Liberação

     

    Durante a campanha, Haddad admitiu que já experimentou maconha e defendeu a descriminalização. Bolsonaro é contra e defende a guerra ao tráfico de drogas.

    O que pensam eleitores de Haddad e Bolsonaro

    Entre os dias 12 e 17 de outubro, o instituto de pesquisa TalkInc fez uma pesquisa qualitativa com 60 eleitores de todo o país para entender o que pensam os que votam em Bolsonaro, Haddad ou que estão indecisos ou pensam em anular o voto.

    A amostra tinha 30 homens e 30 mulheres das cinco regiões do Brasil divididos igualmente entre eleitores de Bolsonaro, de Haddad e indecisos ou que votarão branco ou nulo. Os entrevistados são das classes A, B e C.

    As principais conclusões

    Voto mais importante

    É comum entre os eleitores o sentimento de que o Brasil vive um momento histórico e sensível. Por isso, o voto é mais valorizado do que em eleições anteriores. Pesquisados relataram esforços como "viajar só para votar" e para conhecer as propostas dos candidatos para tomar uma decisão mais informada.

    Otimismo ou pessimismo

    Eleitores de Bolsonaro, em geral, estão mais otimistas e acreditam que o Brasil vai mudar para melhor. Um entrevistado chegou a citar que o mercado financeiro reage bem aos avanços de Bolsonaro como um sinal positivo. Não eleitores de Bolsonaro - indecisos e que estão com Haddad - estão mais pessimistas, falaram em "preocupação" e "desesperança".

    Insegurança

    Principalmente entre os indecisos, "é forte a sensação de que 'já perdemos'", segundo a pesquisa. Os indecisos aparecem atormentados pelo medo de cometerem um erro, encurralados entre duas opções de que não gostam e, segundo a pesquisa, "alguns dizem que na hora de encarar a urna vão tomar uma decisão".

    Impossibilidade de diálogo

    Bolsonaristas, haddadistas e indecisos concordam que o extremismo tornou impossível o diálogo entre pessoas que pensam diferente. O problema maior estaria em diálogos em ambientes coletivos, as conversas privadas teriam um nível de diálogo melhor. A percepção é que a política se tornou "passional", um "território de brigas, não racional", "virou futebol". Os indecisos relatam que perdem a disposição para o diálogo por receberem pressão para escolherem um dos lados.

    O que Bolsonaro representa

    Bolsonaro é associado à "mudança", "inovação na política" e visto como um "outsider" e o PSL como "um partido que está inovando". Os principais motivos apontados para o voto em Bolsonaro são o combate à corrupção, a segurança pública e um programa econômico de mercado.

     

    Sobre as críticas feitas a Bolsonaro, seus eleitores dizem que não compreendem, acreditam que são exageros ou que são "frases soltas, antigas e descontextualizadas".

     

    Eleitores do candidato do PSL minimizam a ideia de que ele representa ameaça à democracia e aos direitos humanos, falam em exagero e na capacidade das instituições de segurar tentativas autoritárias. Eles têm dúvidas, porém, sobre o que Bolsonaro fará uma vez eleito e falaram que têm a sensação de estar "passando um cheque em branco".

     

    Perguntados sobre o que influencia o voto, eleitores disseram que o voto em Bolsonaro é motivado pela "sensação de votar em massa". Eleitoras de Haddad disseram que acreditar que a opinião dos "homens da família" e da igreja influenciem bolsonaristas, algumas citaram tentativas de convencimento.

    O que Haddad representa

    Muitos dos que declaram voto em Fernando Haddad citam questões pessoais e de identidade. A rejeição a Bolsonaro representa um fator importante nas justificativas para o voto em Haddad. Eleitores disseram que o candidato do PSL "não os representa" e "não pensa nos direitos das pessoas, dos menos favorecidos".

    Há uma preocupação, principalmente entre as mulheres, com a violência gerada pela polarização que divide a população. Um eleitor de Haddad disse aos pesquisadores ter saudade de 2014 porque "ali a polarização não se mostrava como violência física".

    Os eleitores de Haddad admitem que o candidato é muito associado a "pontos negativos do PT" e lamentam que as pessoas o rejeitem sem "nem saber quem é o candidato".

    Os indecisos veem Haddad como "um fantoche" de Lula e criticado por ser "meio passivo". Eleitores de Bolsonaro criticam as tentativas de Haddad de se aproximar de um eleitorado mais tradicional e falam que é "folclórico essa coisa de ir à Igreja com aquela Manuela D'Ávila [vice de Haddad]".

    Perguntados sobre Haddad, eleitores de Bolsonaro disseram que o PT vai fazer o Brasil "ser uma Venezuela" e que quem discordar vai ser preso. Outro disse que, se Haddad for eleito, "vai ser uma baderna" porque haverá "acordo com CUT, Foro de SP, MTST, é tudo aliado à Farc" (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia), citando o extinto grupo guerrilheiro.

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