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Quem Bolsonaro já aponta como provável ministro se for eleito

Candidato do PSL já anunciou publicamente quatro nomes para um eventual primeiro escalão de 15 integrantes, caso vença Haddad em 28 de outubro

     

    Líder das pesquisas no segundo turno da disputa presidencial de 2018, Jair Bolsonaro (PSL) vem anunciando ao longo da campanha nomes que poderão ocupar um eventual governo caso seja eleito em 28 de outubro contra o petista Fernando Haddad.

    Bolsonaro diz que terá 15 ministérios. Atualmente, são 29 pastas, portanto será necessário reduzir o primeiro escalão. O candidato do PSL diz ter decidido quem vai ocupar quatro deles. Os demais ainda estão em aberto, embora já tenha começado a cotar alguns nomes.

    O Nexo organiza abaixo quem são as pessoas que Bolsonaro diz querer levar para o governo caso seja eleito, além de outros nomes que vêm sendo cogitados pelo entorno do candidato.

    Ministério da Fazenda

    Paulo Roberto Nunes Guedes é um economista ultraliberal. Defende o Estado mínimo, com a privatização de todas as estatais brasileiras. Formou-se pela Universidade de Chicago, berço dos chamados Chicago Boys, economistas que na segunda metade do século 20 comandaram reformas em países como Estados Unidos, Reino Unido e Chile.

    Guedes é um dos fundadores do Banco Pactual e sócio fundador do grupo BR Investimentos, atualmente parte da Bozano Investimentos. O economista também ajudou a fundar ainda o Instituto Millenium e o Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Foi professor de macroeconomia da PUC-RJ, da FGV e do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

    O economista é um dos principais conselheiros de Bolsonaro na campanha e responsável por toda a parte econômica do plano de governo do candidato. Bolsonaro se aproximou de Guedes em novembro de 2017, quando ainda era pré-candidato.

    Na ocasião, convidou o economista para integrar a campanha e ser ministro da Fazenda, caso vencesse as eleições de 2018. O Ministério da Fazenda é o órgão da União responsável pela formulação e execução da política econômica no âmbito federal. 

    Primeiro a integrar a campanha de Bolsonaro, Guedes virou o principal conselheiro do candidato do PSL. Sua importância é tanta que chegou a ganhar o apelido de “posto Ipiranga”, recorrentemente mencionado como alguém capaz de responder a questões que o candidato não domina.

    Guedes já disse ser a favor da manutenção do teto de gastos aprovado pelo governo de Michel Temer, que congelou os gastos públicos por 20 anos, assim como de realizar uma reforma da Previdência cujo foco central é criar um sistema de contas individuais de capitalização para cada brasileiro, mudando o atual modelo de repartição.

    Ministério da Casa Civil

    Onyx Lorenzoni é deputado federal, reeleito pelo DEM do Rio Grande do Sul nas eleições de 7 de outubro. Além de ter trabalhado para a própria reeleição, o parlamentar tem sido um dos principais aliados de Bolsonaro, atuando como uma espécie de articulador político da campanha do capitão da reserva.

    Seu papel é de marcar encontros de Bolsonaro com outros parlamentares, com o objetivo de aumentar o apoio do candidato do PSL entre os congressistas.

    Em 11 de outubro, durante um encontro com os deputados eleitos pel PSL no Rio de Janeiro, Bolsonaro confirmou que Lorenzoni será ministro da Casa Civil, se for eleito em 28 de outubro. O ministro da Casa Civil é o responsável por administrar projetos do governo e também pela articulação com o Congresso.

    Bolsonaro e Lorenzoni se conheceram na Câmara dos Deputados - o capitão da reserva se licenciou do cargo de deputado para concorrer à Presidência. A relação entre os dois se estreitou depois que Lorenzoni foi responsável pelo voto que arquivou um processo de cassação de Bolsonaro no Conselho de Ética, em 2011, no qual o capitão da reserva era acusado de racismo.

    Em entrevista à rádio Bandeirantes, em maio de 2017, Lorenzoni admitiu ter recebido recursos via caixa dois da JBS para sua campanha em 2014. O parlamentar foi citado na delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa. Ele teria recebido R$ 100 mil sem declarar para a Justiça Eleitoral. Até hoje, o parlamentar não é investigado por esse caso.

    O parlamentar respondia a outro inquérito no Supremo, sob suspeita de receber doações da Odebrecht também via caixa dois em 2006. Mas, em junho, o tribunal decidiu arquivar o inquérito por “falta de provas”.

    Desde o começo dos governos petistas, em 2003, Lorenzoni esteve na oposição, tornando-se um dos sub-relatores da CPI dos Correios, que investigou o escândalo do mensalão a partir de 2005, esquema de corrupção revelado no primeiro mandato de Lula.

    Ministério da Defesa

    Augusto Heleno Ribeiro Pereira é general da reserva do Exército brasileiro. Filiado ao PRP, Heleno chegou a ser cotado para ser vice na chapa de Bolsonaro em julho de 2018, antes de a vaga ser preenchida pelo também general Hamilton Mourão (PRTB).

    O partido, no entanto, barrou a indicação de Heleno para a vaga de vice com o argumento de que a sigla iria se empenhar em eleger mais deputados federais nas eleições de 2018.

    Heleno continuou contribuindo com a campanha de Bolsonaro e ajudou o candidato do PSL a elaborar a área de segurança pública do plano de governo. Os dois se conheceram no final dos anos 1970, na Academia Militar dos Agulhas Negras, em Resende, no Rio. Na época, Heleno era tenente, e Bolsonaro, cadete.

    Heleno era cotado para ser ministro da Defesa em um eventual governo Bolsonaro desde antes do início da campanha. Mas a confirmação veio no dia 11 de outubro, quando o presidenciável anunciou a decisão publicamente em reunião com deputados do PSL eleitos em 2018, realizado no Rio de Janeiro.

    O general da reserva ficou mais conhecido em 2004, quando assumiu o cargo de comandante das Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti. Ao voltar para o Brasil, foi nomeado comandante militar da Amazônia, em 2008, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Em 2014, quando já estava na reserva, Heleno afirmou que as Forças Armadas não deveriam pedir desculpas por violações aos direitos humanos cometidos durante a ditadura militar. A declaração do general ocorreu em resposta a um ofício enviado pelo então ministro da Defesa, Celso Amorim, à Comissão Nacional da Verdade, no qual pedia que os militares reconhecessem que praticaram tortura na repressão.

    Ministério da Ciência e Tecnologia

    Marcos Cesar Pontes é formado em tecnologia aeronáutica pela Academia da Força Aérea, em engenharia aeronáutica pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e é mestre em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, nos EUA.

    Ele foi o primeiro sul-americano a ir para o espaço, ao participar de uma missão em 2006 a bordo de uma nave russa com destino à Estação Espacial Internacional.

    Bolsonaro confirmou publicamente o interesse de chamar Pontes para comandar o ministério de Ciência e Tecnologia, caso seja eleito presidente, durante entrevista concedida à Rádio Bandeirantes, em 19 de outubro.

    No dia 22 de outubro, o presidenciável reafirmou a indicação em uma carta enviada à ABC (Academia Brasileira de Ciências), na qual prometeu ainda destinar R$ 10 bilhões do orçamento da União para a pasta, caso vença as eleições. Hoje, a pasta conta com um orçamento de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.

    Pontes ainda não manifestou interesse em uma eventual ocupação do cargo.

    As áreas em que outros nomes foram aventados

    Outros nomes circulam nos bastidores da camapanha como sendo favoritos para outros cargos de um eventual governo Bolsonaro. Nenhum deles foi anunciado publicamente por Bolsonaro.

    Segundo reportagem publicada em 9 de outubro pelo jornal Folha de S.Paulo, o candidato do PSL já tem sugestões para os ministérios da Educação, Justiça, Agricultura, Saúde e Transportes.

    Diretor de relações internacionais da Abed (Associação Brasileira de Educação à Distância), Stavros Xanthopoylos é cotado para ser o novo ministro da Educação, caso Bolsonaro vença.

    Para a Justiça, o candidato do PSL está entre dois nomes: o favorito é o presidente interino do PSL, Gustavo Bebianno, que é advogado e comanda a estratégia jurídica da campanha. Como Bebianno tem negado que vá ocupar o cargo se Bolsonaro for eleito, outro nome sondado internamente é Antonio Pitombo, advogado que defende Bolsonaro nas ações que ele responde no STF.

    Já o general da reserva do Exército Osvaldo Ferreira tem sido cotado para ser o ministro de Transportes em um eventual governo Bolsonaro. Ele tem colaborado na campanha ao comandar as propostas do candidato para a área de infraestrutura.

    Bolsonaro ainda não fechou questão para o ministério da Saúde. Dois nomes têm força para assumir a pasta: Henrique Prata, presidente do Hospital do Câncer de Barretos, ou Nelson Teich, empresário e médico do Rio.

    Presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antonio Nabhan Garcia aparece como um possível ministro da Agricultura. Amigo do candidato do PSL, Garcia disse em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo em 17 de outubro ser contra o desmatamento zero. Ele também afirmou que é possível realizar mais desmatamento legal na Amazônia.

    Em entrevista concedida nesta terça-feira (23) ao programa Conexão Repórter, do SBT, Bolsonaro garantiu espaço aos militares em seu governo, caso seja eleito, mas disse que eles “não ocuparão um terço dos ministérios”.

    Haddad falou sobre poucos nomes

    Adversário de Bolsonaro na corrida presidencial e em desvantagem nas pesquisas, Haddad só anunciou publicamente ter interesse em ter o escritor e palestrante Mário Sérgio Cortella como ministro da Educação em um possível governo.

    Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, concedida no dia 15 de outubro, Cortella disse se sentir honrado pela menção de Haddad, mas negou ter sido convidado para assumir o cargo. Na entrevista, o escritor disse que o candidato do PT afirmou que preferia conversar sobre esse assunto apenas depois das eleições.

    A declaração foi feita pelo candidato do PT pelo Twitter em 15 de outubro. Em 11 de outubro, o senador eleito e coordenador de campanha de Haddad, Jaques Wagner, disse que o candidato do PT poderia anunciar o nome de outros dois ministros ao longo do segundo turno: da Fazenda e da Justiça. Até agora, porém, Haddad não se manifestou.

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