‘Bingo de literatura negra’: um desafio para novembro

No mês de comemoração do Dia da Consciência Negra, proposta estimula a leitura de obras de escritores negros sobre pessoas negras. Usuários compartilham avanço nas redes sociais

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    Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra foi incluído no calendário escolar em 2003, quando foi instituído o ensino da história e cultura afro-brasileiras nas escolas. Em 2011, a lei 12.519 oficializou a comemoração a nível nacional. A data é uma homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares morto neste dia em 1695.

    A ocasião se tornou uma oportunidade para instituições culturais, movimentos sociais e governos promoverem eventos, shows e outras atividades que estimulem o debate relacionado à temática racial.

    A escritora Solaine Chioro lançou em seu blog em outubro de 2018 um desafio que extrapola o dia único de comemoração. Seu “Bingo de Literatura Negra” propõe, para todo o mês de novembro, um projeto de leitura focado em obras escritas por autores negros e protagonizadas por personagens negros.

    Desde 2018, a ideia circula nas redes sociais no mês de novembro. O site Resistência Afroliterária tem convidado usuários a publicar no Twitter suas leituras sob a hashtag #BingoLitNegra.

    O objetivo, segundo Chioro, é levar os participantes a conhecer novos autores e novas histórias, nos mais diversos gêneros literários. Ela destaca que, mesmo no Brasil, onde mais da metade da população é negra, a visibilidade de autores negros ainda é menor.

    “Como mulher negra e autora que se preocupa com essa representatividade nos meus trabalhos, eu entendo esse projeto como uma forma de tentar trazer para o holofote autores que nem sempre são lidos e histórias que nem sempre recebem a devida atenção”, disse ao Nexo.

    O bingo foi inspirado no desafio “Asian Lit Bingo”, criado por um grupo de americanas em 2017 para incentivar a leitura de autores asiático-americanos e das ilhas pacíficas, também marginalizados. Chioro participou.

    “Foi uma experiência maravilhosa, acabei lendo livros que talvez não tivesse lido se não fosse pelo bingo. Desde então, eu fiquei com muita vontade de fazer a mesma coisa em português, com leituras de autores negros”, disse.

    Como funciona o bingo

    A cartela criada por Solaine Chioro conta com 24 categorias, entre gêneros, personagens e temáticas diversas.

    A ideia é que participantes escolham uma linha, coluna ou diagonal e procurem livros para ler que contemplem as categorias apresentadas nos cinco quadrados do espaço selecionado.

    Todas as obras precisam ser escritas por autores negros e ser sobre pessoas negras.

    “Sim, não é escrita ou protagonizada, são os dois. A ideia do bingo é celebrar não só narrativas sobre pessoas negras, mas também dar espaço na sua estante para as vozes de autores negros, que ainda são bastante escassas e esquecidas no mercado literário”, escreveu Chioro em seu blog.

    bingo literatura negra

    “Ou ficamos fascinados com os nomes novos que conhecemos, ou frustrados com a falta que ainda encontramos no mercado literário quando o assunto são publicações de autores negros”, diz Chioro.Ao Nexo, a escritora disse que o formato de bingo tira quem decide participar da zona de conforto. Na busca por livros de autoria negra nas categorias específicas, dois sentimentos podem surgir, segundo ela.

    5 leituras para começar

    A pedido do Nexo, a criadora do desafio escolheu uma fileira da cartela para indicar cinco leituras. Elas completam a quarta coluna vertical.

    1. Poesia: “Um buraco com meu nome”, de Jarid Arraes
    2. Livro publicado neste ano (2018): “A batalha do Acampamonstro”, de Jim Anotsu
    3. Não ficção: “Quem tem medo do feminismo negro?”, de Djamila Ribeiro
    4. História com romance: “Pétala”, de Olívia Pilar
    5. Livro adaptado como série ou filme: “Cidade de Deus”, de Paulo Lins

    Colaborou Sariana Fernandez com gráfico.

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