Como criar e manter um plano de estudos, em 5 pontos

Professores recomendam não só organizar conteúdo a ser assimilado, mas também reservar tempo para descanso

 

Para qualquer um que deseja prestar Enem, uma prova de vestibular, mestrado, doutorado ou um concurso público, a pilha de apostilas e livros de referência a serem lidos pode ser intimidadora.

Uma forma de lidar com a carga é elaborar um plano que distribua o conteúdo e o esforço de estudo no tempo disponível. O Nexo conversou com dois professores com experiência em preparação pré-vestibular sobre como alunos podem organizar um bom plano de estudos.

  • Daniel Perry é coordenador pedagógico do Anglo Vestibulares
  • Ynah de Souza Nascimento é mestre em língua portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba, doutoranda em educação pela Universidade Federal de Pernambuco e professora de redação no cursinho GGE

Em que um plano de estudos ajuda?

Na opinião de Perry, o valor do plano de estudos vem do fato de que ele permite ao estudante estabelecer uma rotina. “Ela ajuda o estudante a desenvolver um ritmo e intensificá-lo progressivamente. É como uma academia de ginástica, quando se vai sempre, seu corpo se acostuma e tem resultados”, diz.

Como organizar o plano?

Perry recomenda o uso de uma planilha de computador, em que estejam dispostos todos os horários do dia do estudante, “do momento em que acorda ao momento em que vai dormir”. Ela deve estabelecer todas as atividades envolvidas em sua rotina, incluindo aulas, refeições, atividades físicas e até mesmo horários para lazer e descanso. “É uma agenda mesmo, com tudo determinado.”

Nascimento também recomenda elaborar uma tabela com os horários do dia. Ela pode ser física, mas deve ficar em um lugar visível. “Não pode estar escondida dentro de uma pasta.”

Mesmo horários para acessar redes sociais devem ser discriminados, em sua avaliação. “Celulares, redes sociais, distraem a gente, tem que saber lidar com esses artefatos”, diz.

No campo dos períodos voltados para o estudo sozinho, Perry recomenda anotar a matéria, o tema e o material a serem utilizados, como livros, apostilas, lista de exercícios etc.

Perry sugere que, a cada duas semanas, o candidato reserve um horário para realizar provas de outros anos. Ele deve simular a situação da prova - se ela é de cinco horas e sem consultas, por exemplo, a simulação deve ser de cinco horas e sem consultas.

Como se ater ao plano de estudos?

Nascimento afirma que de início, a pessoa deve compreender qual é o melhor horário para cada atividade, em seu caso. “Eu, por exemplo, adoro estudar pela manhã.” Ela recomenda dividir o tempo de estudos por disciplina em períodos curtos, de até 40 minutos, o que, em sua opinião, torna mais fácil manter o foco. “Não adianta determinar muito tempo de estudos e não dar conta.”

Perry recomenda criar pequenas metas e recompensas. “Se ele fez todas as listas e leituras que estipulou para a semana, pode tirar o final de semana de folga”, exemplifica. Outra estratégia é estabelecer pequenas metas de pontuação para cada simulado. Simplesmente atingir essas metas já servirá como forma de se automotivar, diz.

Perry enfatiza a necessidade de reservar tempo para o sono. “Ele é extremamente importante para a pessoa se manter ativa, disposta e criativa. Estudar que nem um louco tem prazo curto de duração. Tem que ter tempo para descanso e lazer, senão o estudante pifa.”

Nascimento tem uma avaliação similar. “É preciso dormir, alimentar-se bem e fazer exercícios. Muitas vezes você vê um aluno que não cuida da saúde e no fim do ano está muito debilitado fisicamente”, diz.

O que fazer se o plano desandar?

Frequentemente, haverá conteúdos que o candidato não conseguirá estudar ou, mesmo que estude, não conseguirá aprender plenamente, o que ficará evidente nas simulações. Nascimento avalia que o planejamento deve ser flexível de forma a acomodar atrasos, e recomenda que se faça, periodicamente, “uma autoavaliação sobre por que o plano desandou”.

Perry recomenda registrar durante o período de estudos inteiro quais conteúdos ficam atrasados, ou mal assimilados. Ele não recomenda que o candidato se fixe nesse conteúdo perdido. “É ruim tentar resgatar tudo porque vira uma bola de neve”, diz.

Ao invés disso, sugere reservar dias exclusivamente para lidar com esses assuntos e colocar em dia o que for possível.

O que fazer a um mês da prova

Faltando pouco tempo para a prova, o ideal é realizar uma autoanálise e focar em pontos fracos que podem ser elucidados ou melhor fixados. Isso pode ser feito por meio de listas de exercícios.

Para quem não estudou ou estudou pouco nos meses anteriores, Perry recomenda ênfase não no conteúdo em si, mas na execução do teste, com o uso de provas de anos anteriores, por exemplo.

“Ele tem que ter estratégia de provas bem clara. A melhor é a que garante que ele acerte tudo o que ele sabe”, diz. Ele tem uma recomendação geral para a execução da prova: faça tudo o que consegue fazer primeiro e deixe as perguntas com as quais tem maior dificuldade por último.

“É muito ruim olhar o gabarito e ver que não respondeu perguntas que sabia porque investiu nas que não sabia.”

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