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O filme sobre a relação de Arnaldo Antunes com as palavras

Documentário ‘Com a palavra’, em cartaz na 42ª Mostra de Cinema de SP, destaca aspectos artísticos e biográficos da trajetória do ex-vocalista dos Titãs

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    “De certa forma, tudo que produzo (canções, poemas, trabalhos visuais) envolve o uso da palavra, em suas múltiplas possibilidades e conexões com música, imagem, performance”, explicou Arnaldo Antunes em entrevista à revista Palavra, em 2014.

    Um documentário de 2018 destaca esse ângulo da obra do artista, que ficou conhecido nacionalmente quando era vocalista e compositor dos Titãs. Dirigido por Marcelo Machado, “Com a palavra, Arnaldo Antunes” faz parte da programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em cartaz até 31 de outubro de 2018.

    Em texto de apresentação do filme, Machado escreveu que “queria encontrar as palavras-chave que me levassem não só aos sons e ao timbre de voz, mas também a aspectos como figurino, corte de cabelo e coreografias”.

     

    Um trecho mostra o músico analisando a letra de “O quê”, sucesso de 1986 dos Titãs. Os versos, que usam as mesmas sete palavras em formulações diferentes, são definidos como “um exercício de linguagem lúdico”, um cruzamento de música pop com poesia concreta.

    O filme ressalta a importância da poesia na trajetória de Arnaldo. Ainda na época em que esteve com os Titãs, publicou três livros de poemas.

    “Isso ficou para mim um caminho muito sedutor”, afirma o artista no documentário. Nos anos 1990, sua poesia ganhou movimento por meio da manipulação de palavras e elementos gráficos com softwares de animação.

    “A poesia é uma forma de resistência à estagnação dos sentidos… numa sociedade onde o excesso de informação, os comportamentos vão se tornando muito [...] habituados à repetição das mesmas formas e fórmulas, a poesia é mais do que nunca necessária pois é justamente a fresta por onde você sai um pouco dessas regras de consciência, de sensibilidade”, declara Arnaldo no filme.

    Cronologia

    Biográfico, o documentário segue a cronologia das influências iniciais do artista, entre elas o movimento punk, seus antigos trabalhos gráficos, os dez anos com os Titãs, os projetos solo em linguagens diversas, os Tribalistas e a banda Pequeno Cidadão, que formou com Taciana Barros e Edgard Scandurra para produzir músicas para crianças.

    Machado se valeu de arquivos de imagens, alguns inéditos. Um trecho mostra imagens do pátio do Colégio Equipe na década de 70, onde Arnaldo estudou, junto com a maior parte dos Titãs, entre eles Nando Reis, Paulo Miklos e Sergio Britto.

     

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