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O que acontece com a economia enquanto todos olham para a eleição

Índices divulgados pelo IBGE e pelo Banco Central mostram que economia segue em lenta recuperação

    A disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), dois candidatos tão diferentes, gera incertezas sobre o futuro do país e mobiliza atualmente todas as atenções. O momento político é tão chave que até os analistas econômicos, recentemente, têm se preocupado mais com a política do que com os dados.

    Enquanto todo mundo discute a eleição, a indústria continua produzindo, o comércio continua vendendo e a economia brasileira segue sua lenta recuperação depois de uma das mais graves recessões da história. Números recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a atividade econômica segue melhorando aos poucos, com alguns altos e baixos.

    Os números mais recentes divulgados correspondem ao mês de agosto e já são um indicativo importante para o resultado do Produto Interno Bruto do terceiro trimestre de 2018, que será divulgado em 30 de novembro. Para completar o período do terceiro trimestre, fica faltando apenas o mês de setembro.

    O Nexo mostra a evolução de alguns dos setores mais importantes da economia brasileira ao longo de 2018 e compara o patamar atual deles com o de antes da crise.

    A indústria

    A produção industrial diminuiu 0,3% em agosto, na comparação com julho, segundo o IBGE. Mas, na comparação com janeiro, o dado é ligeiramente positivo: 1% de crescimento. A comparação direta com janeiro não leva em conta, porém, a perda expressiva que o setor teve em maio, quando houve a greve dos caminhoneiros.

     

    A indústria foi um dos setores mais afetados pela crise de 2014 e a lenta recuperação é insuficiente para retomar o patamar pré-crise. A recessão afetou menos o setor da indústria extrativa, que exporta mais e é menos suscetível aos problemas do mercado interno. A indústria de transformação, que é a que tem mais peso no índice, segue com problemas.

    O gráfico abaixo ilustra como a produção industrial variou em comparação a janeiro de 2014. A recessão começou, segundo o critério do Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), no segundo trimestre de 2014.

     

    Vendas do comércio

    As vendas no comércio varejista tiveram o melhor mês de agosto desde 2014 e cresceram 1,3% em relação ao mês de julho. O indicador é um termômetro importante do consumo, setor que tem peso importante no cálculo do Produto Interno Bruto. A recuperação, porém, tem sido irregular, e o bom resultado de agosto veio após três meses de queda.

     

    Na comparação com 2014, para o comércio, assim como para a economia em geral, o fundo do poço aconteceu em 2016. No último ano e meio, apesar da irregularidade, o varejo tem aumentado as vendas, mas segue cerca de 6% abaixo do patamar de 2014.

     

    Prestação de serviços

    O volume de serviços prestados no país também tem tido trajetória irregular em 2018. Os serviços — setor amplo que vai de comércio a transporte, de venda de seguros a educação — podem ser prestados diretamente ao consumidor ou a outras empresas. Depois de passar o primeiro trimestre praticamente estável, o índice sofreu em maio e vem oscilando desde então.

     

    Na comparação com o patamar de antes da crise a perda é visível. Os serviços dependem da demanda, e atualmente o setor é o que tem a recuperação mais atrasada, cerca de 12% abaixo do patamar de 2014.

     

    A atividade econômica

    A junção de todos os dados acima, além de outros setores não citados, como a agricultura, forma a economia brasileira. A atividade econômica, ou o ritmo de produção de bens e serviços do país, segue se recuperando lentamente.

    O IBC-Br, índice criado pelo Banco Central, avançou 0,47% em agosto na comparação com julho. A atividade em agosto é 4% maior que a de janeiro de 2017, mas, como o gráfico mostra, o índice de atividade mensal varia muito. A trajetória, porém, tem sido de recuperação.

     

    O IBC-Br é uma espécie de termômetro da economia, que dá indicações mais rápidas de como vai o país. Por ser divulgado com mais frequência e sempre antes do Produto Interno Bruto, ele ganhou o apelido, difundido na imprensa, de “prévia do PIB”. Essa terminologia, no entanto, é rechaçada por economistas e pelo próprio Banco Central, responsável pelo cálculo.

    Assim como o PIB, o IBC-Br é um indicador de atividade econômica. O PIB, inclusive, é usado como modelo pelo IBC-Br. Mas o Banco Central ressalta que “há diferenças conceituais, metodológicas e mesmo de frequência” na apuração dos dois.

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