Ir direto ao conteúdo

Por que este pôster pode ser leiloado por US$ 1,5 milhão

O recorde anterior era do cartaz do filme ‘Drácula’, de 1931, vendido por US$ 525 mil em setembro de 2017

    Temas
     

    O filme “A Múmia”, de 1932, dirigido pelo vencedor do Oscar Karl Freund e protagonizado por Boris Karloff, famoso por interpretar o monstro de Frankenstein na obra clássica de 1931, conta a história de uma equipe de arqueologistas no Egito que encontram um sarcófago e acidentalmente trazem de volta à vida um antigo príncipe. O longa ganhou uma nova versão em 1999, com Brendan Fraser como protagonista.

    O poster do filme de 1932 deve quebrar o recorde como o mais caro já vendido em leilão. A mais famosa casa de vendas da Europa, a Sotheby’s, colocou como oferta  inicial US$ 950 mil. O leilão online ficará aberto até 31 de outubro de 2018. 

    O atual recorde é o do pôster do filme  “Drácula”, de 1931, outro clássico do terror, vendido em setembro de 2017 por U$ 525 mil.

    O que explica o alto valor são principalmente dois fatores: a raridade do produto e a qualidade da produção. No mundo, especialistas acreditam que só haja outros dois pôsteres iguais a esse - um deles foi vendido há mais de 20 anos por US$ 453,5 mil.

    Foto: /Reprodução
    Pôster de ‘A Múmia’, de 1932
    Pôster de ‘A Múmia’, de 1932
     

    A imagem vendida é uma litogravura, ou seja, foi feita a partir do modo de impressão chamado litografia, em que o desenho é feito em uma base de pedra, em geral calcário, passando depois por uma prensa litográfica que desliza sobre o papel. O método foi usado para criar pôsteres para divulgação de espetáculos e filmes, a partir do final do século 19, com cores brilhantes, principalmente amarelo e vermelho, e uma tipografia singular. A litografia parou de ser utilizada pelos estúdios de cinema por volta dos anos 1940.

    Sam Sarowitz, autor do livro “Translating Hollywood: The World of Movie Posters” (Traduzindo Hollywood: o mundo dos pôsteres  de cinema, em tradução livre), afirmou em entrevista ao jornal britânico The Guardian que acredita que há uma nova leitura desses cartazes, elevados à categoria de obra de arte. “Os filmes de terror clássicos da década de 1930 são os Velocinos de Ouro dos pôsteres de filmes, e poucas cópias sobreviveram”, diz ele, em referência à lenda do carneiro de lã de ouro da mitologia grega. “Eles nunca foram liberados para o público, ao contrário de outros colecionáveis da cultura pop. Foram simplesmente jogados fora, retalhados e tratados injustamente como algo efêmero.” O cartaz em questão foi criado exclusivamente para divulgação em cinemas.

    O trabalho de litogravura foi feito por Károly Grósz, diretor de arte dos estúdios Universal e, segundo John Maher, especialista em impressão da Sotheby’s. influencia pôsteres cinematográficos ainda hoje. “‘A Múmia’ é um daqueles primeiros filmes de terror que realmente cimentaram o gênero, como o tipo de filme de terror que vemos hoje.” Sobre a qualidade do material, avaliou a litografia original como um “exemplo excepcional”, dizendo que “você raramente vê — em qualquer pôster — cores tão bem preservadas quanto estas”.

    O guitarrista da banda Metallica, Kirk Hammett, é dono de uma das raras cópias do cartaz e disse à revista Rolling Stone, em 2017: “Para mim, é a melhor imagem para esse filme. A cabeça de Karloff é icônica. Parece divino”.

     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!