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Sem cara a cara nas TVs, o debate foi parar no Twitter

Candidatos à Presidência ainda não ficaram frente a frente no segundo turno, mas mantêm rotina de trocas de acusações e indiretas nas redes sociais

     

    Jair Bolsonaro e Fernando Haddad ainda não se encontraram em debates de TV no segundo turno da campanha presidencial. O candidato do PSL recebeu recomendação médica para evitar eventos públicos, consequência da facada que levou em 6 de setembro, em Minas, mas já sinalizou que, mesmo se for liberado, pode não comparecer aos encontros cara a cara com o candidato do PT. No Twitter, porém, os dois oponentes têm se enfrentado por meio de mensagens diretas e indiretas.

    1,8 milhão

    é o número de seguidores de Jair Bolsonaro no Twitter

    868 mil

    é o número de seguidores de Fernando Haddad no Twitter

    Desde a redemocratização, em todas eleições decididas no segundo turno (1989, 2002, 2006, 2010 e 2014), os candidatos à Presidência participaram de ao menos um debate de TV na fase final da disputa.

    À frente nas pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo Ibope e Datafolha, Bolsonaro tem sugerido que pode evitar confrontos na TV por questões estratégicas. Haddad, por sua vez, tem cobrado a presença do adversário nos encontros frente a frente. Chegou a dizer que, se necessário, debate até na “enfermaria”.

    O embate direto

    Na terça-feira (16), Bolsonaro e Haddad trocaram mensagens por meio de seus perfis no Twitter. As postagens começaram quando o petista ironizou um elogio ao capitão da reserva vindo de um ex-líder de um grupo ligado à Ku Klux Klan, que defende a supremacia branca.

    Sem falar diretamente com Haddad, Bolsonaro escreveu que recusava apoio de “grupos supremacistas” e que explorar a declaração para influenciar a eleição era uma “grande burrice”. Na sequência, o candidato do PSL afirmou:

    “Essa história de o fantoche de corrupto admitir erros do seu partido é pra boi dormir. A corrupção nos governos Lula/Dilma não era caso isolado, era regra para governar. Por isso estão presos presidente, tesoureiros, ministros, marketeiros, etc., além de tantos outros investigados”

    Jair Bolsonaro

    candidato do PSL, em tweet publicado na terça-feira (16)

    Essa mensagem do candidato do PSL deu início ao embate. Ela foi respondida da seguinte forma por Haddad:

    “Tuitar e fazer live é fácil, deputado. Vamos debater frente a frente, com educação, em uma enfermaria se precisar. O povo quer ver você aparecer na entrevista de emprego”

    Fernando Haddad

    candidato do PT, em tweet publicado na terça-feira (16)

    Na tréplica, Bolsonaro enfatizou a relação de Haddad com Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente preso pela Operação Lava Jato, sugerindo que o petista apenas fala em nome do padrinho político.

    “Senhor Andrade, quem conversa com poste é bêbado. Existe um que está preso por corrupção e você vai toda semana na cadeia visitá-lo intimamente, além de receber ordens! Cuidado que pelo desenrolar das notícias reveladas você pode ser o próximo!”

    Jair Bolsonaro

    em tweet publicado na terça-feira (16)

    A conversa terminou com um tweet de Haddad em que se via uma foto de um estúdio de televisão preparado para um debate eleitoral. “Te espero aqui, deputado”, escreveu.

    O embate indireto

    A troca de mensagens ocorrida na terça-feira (16) foi travada diretamente entre Bolsonaro e Haddad, mas os candidatos de forma indireta também rebatem informações e criticam propostas um do outro. Abaixo, alguns temas em que os presidenciáveis se manifestaram em resposta a declarações ou mensagens anteriores.

    Sobre segurança pública

    Entre domingo (14) e segunda-feira (15), Bolsonaro dedicou parte de suas postagens e de sua agenda pública ao tema do combate à violência, uma de suas principais bandeiras eleitorais. Na noite do domingo, o candidato do PSL fez uma transmissão ao vivo em que defendeu uma de suas promessas mais conhecidas:

    ���Por que eu sempre defendi a posse de arma de fogo? O que é posse da arma de fogo? É você cidadão de bem, com algumas poucas exigências, ter uma arma dentro da tua casa, do teu apartamento, da tua chácara, da tua fazenda. (...) É você poder reagir. (...) Isso, repito, é posse de arma de fogo, não é porte. É diferente”

    Jair Bolsonaro

    candidato do PSL, em declaração feita às redes sociais no domingo (14)

    Na segunda, momentos antes de registrar sua visita à sede do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do Rio, Bolsonaro defendeu outras propostas, como a redução da maioridade penal, atualmente de 18 anos, e o fim das saídas temporárias de presos. No mesmo dia, Haddad as confrontou:

    “Nós temos o caminho. Trabalho e Educação são as saídas. Violência não vai levar a lugar nenhum. Armar a população e o extermínio de quem pensa diferente não vão nos levar a lugar nenhum. (...) Ninguém quer dar mole pra bandido, mas a solução não é armar a população. O caminho é a Polícia Federal assumir o combate ao crime organizado”

    Fernando Haddad

    candidato do PT, em tweets publicados na segunda-feira (15)

    Sobre democracia

    Os candidatos fazem acusações mútuas quanto aos riscos dos planos de cada um para a manutenção da democracia. Haddad enfatiza a reação de setores diversos da sociedade civil e de outros partidos contra Bolsonaro, que no passado recente fez elogio à ditadura e tem na coordenação de campanha integrantes das Forças Armadas.

    Ambos, em declarações e entrevistas, afirmam que eventuais governos serão conduzidos dentro dos limites determinados pela Constituição. No sábado (13), Bolsonaro voltou ao assunto:

    “Há vários sinais que indicam que um governo tem viés autoritário. Aliança com ditaduras, o controle da mídia, desarmamento dos cidadãos, aparelhamento das instituições e a corrupção como forma de anular os poderes são exemplos, e todos estão presentes no PT. Repudiamos tudo isso!”

    Jair Bolsonaro

    em tweet publicado no sábado (13)

    No dia seguinte, Haddad também abordou o tema:

    “O PT nunca violou o princípio democrático nos anos em que governou o país. Nenhuma instituição democrática foi enfraquecida. Quem tem de explicar o passado é meu adversário, que defende a ditadura, que afirmou que a ditadura errou por torturar e não matar”

    Fernando Haddad

    em tweet publicado no domingo (14)

    Sobre notícias falsas

    Recorrentes durante toda a campanha, o compartilhamento de notícias fraudulentas por apoiadores de Bolsonaro e Haddad também provocou reações entre os candidatos.

    Em 9 de outubro, Haddad afirmou que a campanha adversária não assinou um protocolo para divulgar notícias falsas. No primeiro turno, o PT foi um dos quatro partidos (junto com PCO, PSTU e PTC) que não assinaram compromisso proposto pela Justiça Eleitoral contra a disseminação de fake news.

    “Bolsonaro não quer assinar um protocolo ético, e isso é um atestado de desonestidade. Se ele tivesse interesse de retirar as mentiras da internet, teria aceitado o acordo. A gente sabe de onde vem e por isso ele não tem interesse em combater, ele se beneficia com essas mentiras”

    Fernando Haddad

    em tweet de 9 de outubro

    O candidato do PSL, no mesmo dia, rebateu:

    “Ontem [Haddad] propôs combate às notícias falsas, hoje espalha mentiras descaradas a meu respeito. Quem está a favor do povo faz política com a verdade, não trabalha a serviço de um corrupto preso, nem faz parte da quadrilha que assaltou os brasileiros e colocou o país na lama. Canalha!”

    Jair Bolsonaro

    em tweet de 9 de outubro

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