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O horário eleitoral da disputa presidencial no 2º turno

Bolsonaro e Haddad se atacam, apresentam biografia e divergem sobre papel da internet na mobilização de eleitores

     

    Começou na sexta-feira (12) a campanha de televisão e rádio do 2º turno da eleição presidencial. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) apresentaram os primeiros programas dessa nova etapa da campanha. O horário vai até o dia 26 de outubro, antevéspera da eleição.

    No segundo turno, mudam as regras de distribuição de tempo. Deixa de valer a divisão proporcional da coligação, e o tempo passa a ser dividido igualmente entre os dois postulantes. A distribuição igual vale tanto para os programas quanto para as inserções que vão ao ar durante todo o dia.

    Jair Bolsonaro e Fernando Haddad têm, cada um, cinco minutos em cada um dos dois blocos diários na TV. O mesmo vale para o rádio. Agora, em vez de programas três vezes por semana, são seis, de segunda a sábado.

    A nova distribuição de tempo é uma mudança importante com relação ao primeiro turno. Haddad até tinha um tempo considerável, 2 minutos e 22 segundos, mas Bolsonaro tinha apenas 8 segundos. Ou seja, em vez de produzir 48 segundos por semana para a TV, serão 60 minutos.

    Nos três primeiros dias de campanha na TV, o discurso dos candidatos em seus programas indica que linha ambos adotarão nas próximas duas semanas.

    Os ataques

    O segundo turno da eleição presidencial de 2018 é a disputa entre os dois candidatos mais rejeitados. De um lado, a campanha, principalmente de mulheres, contra Bolsonaro, pedindo #EleNão. Do outro, o antipetismo que cresceu nos últimos anos, impulsionado pela Lava Jato e uma das causas do impedimento da ex-presidente Dilma Rousseff. Os dois candidatos exploraram isso.

    Bolsonaro

    Abre seu primeiro programa com ataques ao PT e a um suposto comunismo defendido pelo partido. A propaganda fala do Foro de São Paulo, organização criada na década de 1990 como fórum para partidos de esquerda da América Latina. Para Bolsonaro, o grupo foi “a semente de um projeto de doutrinação e domínio político” liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Fidel Castro, líder da Revolução Cubana e presidente do país entre 1959 e 2008.

    Haddad é retratado como um “bonequinho” que será comandado pelo ex-presidente Lula. O ex-presidente é comparado por um eleitor a um chefe do tráfico, que comanda o crime da prisão. O programa do líder nas pesquisas ainda alerta que “o PT quer fazer você esquecer do Lula, até o vermelho eles querem esconder”.

    Haddad

    A propaganda de Fernando Haddad começou falando da “onda de violência”, com ataques e assassinatos “motivados pelo ódio de alguns seguidores de Jair Bolsonaro”. O adversário é mostrado ensinando crianças a fazer sinal de arma e como um incentivador da violência. O PT usa o vídeo em que Bolsonaro diz, em um comício no Acre, que ia “fuzilar a petralhada”.

    O PT usa posições do adversário como deputado para dizer que ele vota contra os interesses do povo brasileiro, como no caso dos direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Segundo o partido, Bolsonaro é uma “versão piorada de [Michel] Temer”, presidente mais impopular da história do Brasil e responsável por medidas de corte de gastos públicos e reformas impopulares.

    As biografias

    Os dois candidatos voltaram a se apresentar ao eleitor. Bolsonaro falou da família, Haddad ressaltou a carreira como professor.

    Bolsonaro

    O programa do candidato do PSL exalta seu passado militar, diz que ele serviu com “orgulho” o Exército, ressalta suas posições “firmes” e sua “voz forte”. Mas há uma preocupação em humanizar Bolsonaro, que aparece chorando quando fala da filha caçula, única mulher depois de quatro filhos homens. A facada que Bolsonaro levou durante a campanha também é lembrada.

    Haddad

    A trajetória de Haddad é apresentada com elogios do ex-presidente Lula, responsável por nomeá-lo para o Ministério da Educação. O programa lembra que Haddad é professor universitário e responsável por programas como o ProUni, mas também fala da vida pessoal do presidenciável ao lembrar que ele é casado “há 30 anos” e “ainda toca guitarra”.

    Promessas e propostas

    Nos programas eleitorais da TV, nenhum dos candidatos detalha projetos. Mas, além de atacar o adversário, eles também apresentam o que acreditam que serão pontos fortes de seus respectivos governos.

    Bolsonaro

    O discurso anticorrupção é uma das principais marcas da campanha de Jair Bolsonaro, que se apresenta como um presidente “livre e independente”, como alguém de fora do sistema político que conta com a rejeição de boa parte do eleitorado.

    Um novo trunfo para o ex-capitão do Exército é o resultado da eleição em primeiro turno. O programa fala do crescimento do PSL nas eleições legislativas e diz que, com 4 senadores e 52 deputados, Bolsonaro vai ter governabilidade se aliando ao que há de novo na política. Em um momento, há um aceno ao empresariado dizendo que o país precisa de um governo “que saia do cangote da classe produtora”.

    Haddad

    A economia em crise é um trunfo da campanha de Fernando Haddad, que tem como mote o slogan “o Brasil feliz de novo”. A ideia é mostrar como a economia era nos tempos de Lula e dizer que Haddad pode levar o país novamente àquela condição.

    No programa, o PT repete a frase de que o povo não é problema, mas sim solução para a economia. Haddad promete retomar obras, ampliar direitos e devolver o poder de compra dos mais pobres para fazer “a roda da economia girar”.

    A campanha

    Os dois candidatos têm versões bem diferentes sobre o papel da internet na eleição de 2018. Bolsonaro fala da mobilização em torno de sua campanha como um sinal de popularidade, Haddad diz que o adversário usa as redes para espalhar notícias falsas.

    Bolsonaro

    O programa de Bolsonaro chama o candidato de “fenômeno” e lembra que ele teve 49 milhões de votos com apenas 8 segundos de TV. Sem tempo no primeiro turno, Bolsonaro exalta o papel das redes sociais na própria campanha. Elas teriam revolucionado a maneira como as pessoas se comunicam e, com isso, “feito a nossa democracia respirar”. A apresentadora conclama os eleitores de Bolsonaro a continuarem “levando esperança e combatendo notícias falsas”.

    O PT é criticado por usar o fundo eleitoral para a própria campanha. Quando o PSL compara seu programa ao de Haddad, diz que o adversário tem um programa mais elaborado por estar gastando “milhões e milhões” na campanha. Um dinheiro que é “de todos que trabalhamos e pagamos impostos em dia”. A campanha de Bolsonaro diz não ter dinheiro para grandes produções, mas ter o mais importante: “uma bandeira que é verde e amarela e o apoio da grande maioria do povo”.

    Haddad

    O programa do PT também fala das redes sociais, mas para acusar Bolsonaro de promover uma campanha de mentiras. “Eles jogam sujo. Dá pra confiar em quem usa religião e até crianças só para nos atingir?”, questiona a vice Manuela D'Ávila. A vice de Haddad pede que os eleitores denunciem fake news à Justiça Eleitoral. Segundo Manuela, Bolsonaro “espalha mentira para esconder a verdade”.

    A partir daí, na tentativa de diminuir a rejeição ao PT, Haddad diz que sua campanha “não é de um partido”. Ao criticar as fragilidades de Bolsonaro, faz um apelo a “todos os que são a favor da democracia e dos direitos do povo”, os que não aceitam “ditadura nem tortura”. “Mesmo que tenha votado em outro candidato no primeiro turno, quero conversar com você”, diz o candidato, que terminou atrás nas eleições do primeiro turno.

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