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Estas 2 cidades são exemplos de contrafluxo eleitoral

Em Ipuaçu, em Santa Catarina, Haddad venceu com mais de 80% dos votos. Em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, Bolsonaro teve apoio de mais de 50% do eleitorado

     

    Jair Bolsonaro venceu a eleição no primeiro turno em quatro das cinco regiões do país. A única que deu vitória a Fernando Haddad foi o Nordeste. Houve cidades, no entanto, que destoaram das tendências regionais e estaduais.

    Na região Sul, por exemplo, Bolsonaro venceu Haddad com ampla vantagem: o candidato do PSL teve 57% dos votos, contra 20% do adversário petista. Em Santa Catarina, a vitória foi de 67% a 15%. Mas na cidade de Ipuaçu, região oeste do estado, quem venceu foi o petista. E não foi por pouco: 86% a 3%.

    Na região Nordeste, Haddad venceu Bolsonaro: 51% dos votos contra 26%. Na Bahia, um dos principais redutos petistas na região, a vitória de Haddad foi de 60% a 23%. Mas na cidade de Luís Eduardo Magalhães, região oeste do estado, quem ganhou foi o candidato do PSL: 55% a 33%.

     

    Uma cidade pró-Haddad

    Com 29% do total de votos válidos em território nacional, Haddad venceu em 200 das quase 1.200 cidades da região Sul. Em Santa Catarina, foram apenas 33 vitórias entre os quase 300 municípios. Uma das exceções foi Ipuaçu. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 47,9% da população ipuaçuense se declara indígena.

     

    7.748

    é o número de habitantes, segundo o IBGE

    5.054

    é o número de eleitores, segundo o TSE

     

    O estudante Luiz Felipe Correa, de 17 anos, ainda não é obrigado a votar, mas fez questão de ir às urnas para dar seu voto a Haddad. Ele afirmou ter sido bastante influenciado pelas ações da prefeitura, comandada por Clori Perozza, do PT.

    Segundo o estudante, os indígenas também fizeram a diferença para que Haddad tivesse mais votos que Bolsonaro na cidade, com a realização, inclusive, de protestos contra o candidato do PSL. “Bolsonaro já difamou indígenas e outras minorias”, disse ao Nexo.

    Correa é homossexual, algo que foi importante na definição de seu voto. “O outro candidato repudia minha existência”, disse. “Vi em Haddad uma esperança para as minorias.”

    Simone Regina Bordignon está entre os pouco mais de 3% de eleitores de Bolsonaro em Ipuaçu. Diarista de 31 anos, ela resumiu desta forma os motivos para votar no capitão da reserva: “Sou mãe. Chega de corrupção, de ladrão. Bolsonaro mostrou propostas boas e confio na palavra dele.”

    Uma cidade pró-Bolsonaro

    Com 46% do total de votos válidos em território nacional, Bolsonaro venceu em apenas 42 das quase 1.800 cidades da região Nordeste. Na Bahia, ficou na frente em apenas 6 dos 417 municípios. Um deles foi Luís Eduardo Magalhães, no oeste do estado.

    A cidade é governada por Oziel Oliveira, do PDT, e tem sua economia baseada no agronegócio. O partido tinha candidatura própria à Presidência: a de Ciro Gomes. Mas quem venceu as eleições com folga em Luís Eduardo Magalhães foi Bolsonaro, com 54,5% dos votos. Haddad obteve 33,4% dos votos.

     

    84.753

    é o número de habitantes, segundo o IBGE

     

    53.094

    é o número de eleitores, segundo o TSE

     

    Paulo Closs votou em Bolsonaro porque disse que o candidato do PSL defende as bandeiras em prol da agropecuária. Agricultor de 60 anos, Closs cultiva soja e milho e pecuária em várias fazendas espalhadas pelos arredores do município.

    “Fui o primeiro a levantar bandeira de Bolsonaro em Luis Eduardo Magalhães. As propostas dele condizem com o que o campo precisa”, disse Closs ao Nexo. “Ele fala de armamento no campo. E nós precisamos muito disso. Eu mesmo já fui assaltado seis vezes na fazenda. Uma vez fui até sequestrado.”

    Amador Almeida Araújo, de 51 anos, é empresário e se declara eleitor de Haddad “até sob ameaça de ir para a guilhotina”. “Acredito nos projetos sociais e na distribuição de renda. Quanto mais dinheiro circulando na mão do povão, melhor. Eu penso dessa forma.”

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