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A campanha que dá visibilidade à biografia de grandes mulheres

Com o objetivo de inspirar mulheres mais jovens, ‘#MeConhece?’ desafia a adivinhar personalidades femininas com dicas de suas realizações

     

    Entre junho e julho de 2018, a campanha #MeConhece? tomou o Facebook e o Instagram da Pluraliza, consultoria que atua na promoção da diversidade no mercado de trabalho.

    Com ilustrações de personalidades femininas de diferentes áreas, brasileiras e estrangeiras, acompanhadas da hashtag, das datas de nascimento e morte, lugar onde nasceram e uma citação ou dica, as postagens tinham o objetivo de dar visibilidade à biografia dessas mulheres.

    Além das imagens, há um material em pdf com informações biográficas de todas elas. A iniciativa lembra de Tarsila do Amaral, Elza Soares, Roberta Close, Chiquinha Gonzaga, Maria Quitéria de Jesus, Maria da Penha, Zuzu Angel, Dandara, Rosa Parks, Lina Bo Bardi, Cora Coralina, Marta Vieira da Silva, Leila Diniz, Nísia Floresta e outras.

    Segundo Anna Carolina Venturini, sócia fundadora da Pluraliza, apresentar a biografia de mulheres importantes, mostrando suas conquistas, é uma estratégia para inspirar mulheres, sobretudo as mais jovens, que estão no mercado de trabalho, onde os exemplos de sucesso são predominantemente masculinos, disse Venturini ao Nexo.

    A #MeConhece? não foi a primeira campanha nas redes sobre questões de diversidade realizada pela empresa, que foi fundada por mulheres e está em atividade desde 2016.

    A primeira foi a página no Facebook 30 Dias Sem Racismo, que convidava seguidores a refletirem sobre o uso de expressões e práticas racistas no cotidiano, que frequentemente passam despercebidas.

    Em 2017, a Pluraliza divulgou o Glossário LGBT+, um guia para entender expressões como assexual, transexual e transgênero.

    O Nexo selecionou seis mulheres entre as personalidades da campanha #MeConhece? e reúne abaixo suas respectivas biografias e realizações.

    Celina Turchi (1952)

     

    Em 2016, a médica Celina Turchi entrou para a história da medicina brasileira: foi incluída pela revista Nature, uma das publicações científicas mais renomadas do mundo,  na lista dos dez cientistas mais importantes do ano.

    Graduada pela Universidade Federal de Goiás e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco, ela coordenou uma força-tarefa, composta de cientistas brasileiros e estrangeiros, responsável pela descoberta da associação entre o vírus da zika e a microcefalia.

    A informação foi fundamental para nortear o trabalho de prevenção e acompanhamento direcionado às gestantes residentes de áreas de risco da doença de todo o planeta.

    Irmã Dulce (1914-1992)

    Maria Rita de Sousa Brito Lopes foi uma das ativistas humanitárias mais importantes do século 20. Trabalhou com a assistência social por mais de 50 anos, mesmo nos últimos 30 anos de sua vida, quando enfrentou problemas de saúde.

    Em 1933, após se formar como professora, Irmã Dulce entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Após sua beatificação em 2010, passou a ser conhecida como a “bem aventurada Dulce dos pobres”.

    Ajudou a fundar diversas entidades filantrópicas, como a União Operária São Francisco, que deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

    Também auxiliou, no mesmo estado, na fundação de três cinemas construídos por meio de doações. Fez parte da fundação de um albergue para doentes que se transformaria no Hospital Santo Antônio, hoje o maior da Bahia. Foi indicada ao prêmio Nobel da Paz em 1988.

    Lota Macedo Soares (1910-1967)

    Maria Carlota Costallat de Macedo Soares foi uma das mais importantes arquitetas, paisagistas e urbanistas do Rio de Janeiro, com grande destaque na década de 1960.

    Mulher lésbica, foi casada com Mary Morse e com a poeta americana Elizabeth Bishop, com quem viveu entre 1951 e 1967 no Rio.

    Foi responsável pelo Projeto do Parque do Flamengo, maior aterro urbano do mundo. Seu projeto buscava aprimorar a qualidade de vida das pessoas, conter a ofensiva da especulação imobiliária e possibilitar a reconciliação dos cidadãos com a cidade.

    Seu ativismo político e presença incontestável como representante feminina na arquitetura e no urbanismo a colocam entre as grandes personalidades brasileiras do século 20.

    Maria Emma Hulga Lenk Zigler (1915-2007)

    Em 1932, Lenk foi a primeira mulher sul-americana a competir nos Jogos Olímpicos. Foi a primeira brasileira a obter um recorde mundial

    na natação e a única a figurar no International Swimming Hall of Fame, na Flórida.

    É considerada pioneira da natação moderna e introduziu o nado borboleta nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, em uma prova de peito. No ano de 1939, quebrou dois recordes mundiais individuais, nos 200 e 400 metros nado peito, sendo a primeira e única brasileira a fazê-lo.

    Em 1942, ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Era também membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação.

    No campeonato mundial da categoria 85-90 anos em 2000, ela voltou de Munique com cinco medalhas de ouro: foi campeã dos 100 metros peito, 200 metros livre, 200 metros costas, 200 metros medley e 400 metros livre.

    Sua trajetória foi marcada pelo preconceito sofrido por ser mulher e atleta. Foi, inclusive, excomungada pelo bispo local, sob a alegação de que natação não era da natureza feminina.

    Foi a primeira mulher a fazer parte do Conselho Nacional de Desportos e lutou para que as mulheres pudessem competir em todas as modalidades esportivas, conquista obtida apenas em 1975.

    Sueli Carneiro (1950)

    Aparecida Sueli Carneiro Jacoel é escritora e ativista. É conhecida por sua participação excepcional na luta antirracista do movimento negro brasileiro.

    Em 1988, fundou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo. No mesmo ano, foi convidada a integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina, em Brasília.

     

    Criou o único programa brasileiro de orientação na área da saúde específico para mulheres negras, na sede do Geledés, onde elas são atendidas por psicólogos e assistentes sociais e participam de palestras sobre sexualidade, contracepção, saúde física e mental.

    Filósofa e doutora em educação pela USP, também é autora de obras como “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil”.

    Tereza de Benguela (século 18)

    Conhecida como “Rainha Tereza”, viveu no Vale do Guaporé, território que atualmente faz parte do estado do Mato Grosso.

    Liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro José Piolho, assassinado por soldados. Foi chefe política e administrativa da comunidade, que abrigava mais de 100 pessoas, sendo composta aproximadamente de 79 negros e 30 indígenas.

    Em razão da criação de uma espécie de parlamento e de um sistema de defesa, o quilombo resistiu da década de 1730 até o final do século.

    Também havia um considerável desenvolvimento econômico organizado: cultivava-se o algodão para a produção de tecidos, e havia também plantações de milho, feijão, mandioca e banana, entre outros.

    Tereza de Benguela foi morta após ser capturada por soldados em 1770. Não se sabe a causa exata de sua morte, mas especula-se entre suicídio, execução ou doença.

    Dia 25 de julho, o dia internacional da mulher negra latino-americana, também homenageia Tereza de Benguela.

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