Ir direto ao conteúdo

Nos EUA e na Itália, o que Sanders e Salvini dizem de Bolsonaro

Expoentes internacionais da esquerda e da extrema direita mencionam favoritismo do candidato do PSL, que pode se tornar presidente do Brasil

     

    A disputa presidencial no Brasil vem sendo acompanhada com atenção especial por jornais estrangeiros, pesquisadores e políticos de vários países.

    Às razões habituais para essa curiosidade — o Brasil é a nona economia do mundo e o quinto país mais populoso — foi acrescentada em 2018 um motivo a mais: a presença de um candidato de extrema direita na disputa, Jair Bolsonaro (PSL) — o que é inédito na história do país, mas combina com um avanço desse setor nos EUA e em vários países da Europa recentemente.

    O capitão da reserva conquistou a preferência de 46% dos brasileiros no primeiro turno contra o petista Fernando Haddad (29%) e é o favorito na disputa do segundo turno, que acontece no dia 28 de outubro.

    Pelo menos duas figuras expressivas internacionalmente no campo da esquerda, o americano Bernie Sanders, e da extrema direita, o italiano Matteo Salvini, falaram de Bolsonaro recentemente.

    Salvini, na Itália: ‘ar fresco’

    Na segunda-feira (8), um dia após o primeiro turno da eleição brasileira, Salvini, que é ministro do Interior do atual governo italiano, publicou um post na internet saudando a vitória parcial de Bolsonaro.

     

    “No Brasil, Bolsonaro conseguiu um monte de votos”, disse Salvini no post. “Os ventos estão mudando em toda parte. Eu não entendo alguns jornalistas que chamam qualquer um de ‘racista-nazi-xenófobo’ só porque defende mais ordem e segurança para os cidadãos.”

    Salvini é uma das estrelas da extrema direita europeia. Ele faz parte de um partido chamado Liga — que, em sua origem, se chamava Liga Norte, em alusão ao caráter regionalista de um movimento que renegava o sul do país, relativamente mais pobre.

    Salvini assumiu o Interior após as eleições parlamentares de março de 2018, quando a Liga e o 5 Estrelas, outro partido antissistema do país europeu, emergiram como os mais votados.

    Desde então, Salvini deu início a uma política agressiva de deportação de imigrantes indocumentados. Ele também se recusou a receber embarcações de imigrantes à deriva no Mediterrâneo e passou a liderar uma campanha pública de união da extrema direita europeia, cujo outro expoente é a francesa Marine Le Pen, da francesa Front Nacional.

    Sanders, nos EUA: ‘exaltação à ditadura’

     

    No campo ideológico oposto ao de Salvini, o senador democrata americano Bernie Sanders falou de Bolsonaro na terça-feira (9), durante uma palestra na qual ele abordou o que considera serem ameaças autoritárias ao mundo.

    “Bolsonaro tem um longo histórico de ataques contra imigrantes, minorias, mulheres e a população LGBT”, disse Sanders, em palestra na Universidade John Hopkins, em Washington.

    “Bolsonaro, que disse adorar Donald Trump, exaltou a ditadura militar brasileira e afirmou, entre outras coisas, que, para lidar com o crime, a polícia deveria ser autorizada a atirar em mais criminosos”, completou.

    Sanders se somou em julho a um grupo de outros 28 parlamentares que subscreveram uma carta de apoio ao ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril, condenado a 12 anos de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    O democrata é senador pelo estado americano de Vermont. Antes, foi deputado por 16 anos. Em 2015, disputou e perdeu as prévias democratas para Hillary Clinton, que acabou derrotada na eleição presidencial do ano seguinte (2016) pelo republicano Donald Trump.

    Nos EUA, os democratas estão à esquerda dos republicanos. Porém, estão longe de serem considerados políticos desse espectro ideológico para os padrões latino-americanos.

    O silêncio de Trump

    A correspondente da Globo News em Washington, Raquel Krähenbühl, disse na segunda-feira (8) que perguntou a Trump, no jardim da Casa Branca, se ele estava acompanhando as eleições brasileiras.

    “Eu não sei o que ela está falando”, disse Trump. Não é possível perceber se Trump não estava ouvindo bem por causa do barulho dos motores do helicóptero presidencial que estava próximo do grupo ou se desconhecia o assunto em si.

    Trump se dirigiu então a outros jornalistas, americanos, que estavam ao lado. Eles repetiram a pergunta da jornalista brasileira. Mesmo assim, o presidente americano se afastou sem responder.

     
     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: