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Os figurões que saíram. E os novos nomes do Senado

Índice de renovação na Casa foi o mais alto da história. De 32 parlamentares que tentaram se reeleger ao cargo, apenas 8 saíram vitoriosos

     

    Apenas 8 dos 32 senadores que disputavam reeleição em 2018 conseguiram manter seus cargos após a eleição deste domingo (7). Desgastados pela Lava Jato, alguns sequer tentaram, como foi o caso do tucano Aécio Neves e da petista Gleisi Hoffmann, que preferiram disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

    Das 81 cadeiras do Senado, apenas 54 estavam em jogo nesta campanha. Como os mandatos são de oito anos, numa eleição renova-se um terço das cadeiras, o que ocorreu em 2014, e em outra dois terços, como agora em 2018.

    O Nexo resume abaixo quem são os figurões do Senado que ficaram de fora e quem são os novos nomes que estarão a partir de 2019 na casa legislativa em que os parlamentares buscam defender o interesse dos estados pelos quais foram eleitos.

    Tucanos são alvo de operações

    Ex-governadores do PSDB, Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO) disputaram uma cadeira no Senado, cada um por seu estado, nas eleições de 2018. Nenhum deles venceu.

    Além de serem tucanos e de terem sido derrotados nas urnas, Richa e Perillo também têm outra coisa em comum: os dois foram alvos da Operação Lava Jato durante o período eleitoral.

    Em 28 de setembro, Perillo foi apontado como suspeito de receber propina da Odebrecht, a principal empreiteira do país, em troca de favorecimentos em contratos de obras públicas em Goiás.  O tucano nega todas as acusações.

    Perillo foi governador de Goiás de janeiro de 1999 a 2006 e novamente de 2011 a abril de 2018, quando renunciou para concorrer a uma vaga no Senado, posição que ocupou de 2007 a 2010.

    Já Beto Richa chegou a ser preso temporariamente, em 11 de setembro, pela Polícia Federal, também no âmbito da Lava Jato. O ex-governador é suspeito de fraudar licitações em obras de estradas rurais no estado.

    Richa foi solto em 14 de setembro por ordem do ministro do STF Gilmar Mendes. A defesa do ex-governador diz que a investigação e a prisão foram “oportunistas”.

    O tucano foi governador do Paraná entre 2011 e 2018. Em abril, Richa se afastou do cargo para disputar o Senado pela primeira vez. E perdeu. Quatro tucanos que já eram parlamentares e tentaram a reeleição não obtiveram sucesso.

    Os petistas do impeachment

    O PT também sofreu baixas na corrida por cadeiras do Senado nas eleições, o que deixou de fora do parlamento nomes importantes da legenda, como Lindbergh Farias (RJ), um dos senadores mais atuantes contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016.

    Mais simbólico do que isso foi a derrota da própria Dilma, que concorreu a uma vaga no Senado por Minas. Alvo de impeachment, ficou em quarto lugar no estado. Foi a primeira vez que Dilma tentou concorrer a um cargo no Legislativo.

    Outro petista histórico que tentou vaga no Senado foi Eduardo Suplicy (SP). Após três mandatos consecutivos na Casa (de 1991 a 2015), Suplicy, hoje vereador, tentou o seu quarto mandato por São Paulo, mas ficou de fora.

    O emedebistas da Lava Jato

    Políticos bastante influentes do MDB não conseguiram permanecer no Senado. O atual presidente da Casa, Eunício de Oliveira, por exemplo, foi derrotado na disputa pela reeleição no Ceará, ficando em terceiro lugar.

    Também foi frustrada a reeleição do presidente nacional do MDB, o senador Romero Jucá, que foi ministro e líder do governo do presidente Michel Temer (MDB), sucessor de Dilma. Jucá concorreu por Roraima.

    Ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão foi derrotado no Maranhão na tentativa de ficar no Senado por mais um mandato. O mesmo aconteceu com o ex-ministro de Previdência Social Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte.

    Valdir Raupp, dirigente do MDB, também não conseguiu a reeleição por Rondônia. Todos eles estavam envolvidos em suspeitas da Operação da Lava Jato. Uma das exceções foi Renan Calheiros. O senador de Alagoas consegui manter o cargo.

    O quase vice de Bolsonaro

    Cotado a vice na chapa do candidato do PSL à Presidência, Magno Malta (PR) também foi derrotado ao tentar a reeleição. Sem a vaga, Malta foi um dos principais aliados de Bolsonaro na campanha durante o primeiro turno.

    Membro da bancada evangélica, o parlamentar perdeu a reeleição no Espírito Santo.

    Alguns dos novos nomes

    O Senado teve um dos maiores índices de renovação de sua história depois da votação de domingo (7): 85% das vagas em disputa. Apesar de ser um número alto, isso não significa que todos os políticos que foram eleitos para as vagas da casa sejam, de fato, novos.

    Quatro parlamentares eleitos já tiveram passagem pelo Senado em outras ocasiões. Outros 22 já tiveram experiência na Câmara dos Deputados. Nesse grupo está, por exemplo, Major Olímpio (PSL-SP), aliado de Bolsonaro que foi o candidato ao Senado mais votado em São Paulo. A segunda vaga no estado ficou com Mara Gabrilli, do PSDB, também deputada.

    No Rio, o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), deputado na Assembleia Legislativa, foi eleito senador pelo estado.

    Alguns são realmente rostos novos no legislativo federal. Nove nomes foram eleitos pela primeira vez na vida. É o caso, por exemplo, da Leila do Vôlei (PSB-DF), da juíza Selma Arruda (PSL-MT) e do jornalista Carlos Viana (PHS-MG).

    No Espírito Santo, onde Magno Malta saiu derrotado, venceram dois nomes novos: Fabiano Contarato (Rede), que é homossexual, e Marcos do Val (PPS).

    ESTAVA ERRADO: A versão inicial deste texto dizia que o Senado teve sua composição renovada em 85%. Mas no índice se refere apenas às vagas em disputa em 2018, que eram 54 das 81. A informação foi corrigida às 12h58 de 9 de outubro de 2018.

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