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O dia da votação: ruas tranquilas, redes cheias de boatos

Eleitores foram às urnas neste domingo (7) para escolher presidente, governadores, senadores e deputados

     

    Os eleitores brasileiros foram às urnas neste domingo (7) para votar para presidente, governador, senadores, deputados federal e estadual. Se nas ruas o clima foi relativamente calmo, nas redes sociais as notícias falsas sobre fraude de urnas mobilizaram os eleitores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL ao Palácio do Planalto.

    Em balanço publicado pela Polícia Federal, 134 eleitores foram levados para as superintendências da corporação nos estados para prestar esclarecimentos sob suspeitas de crimes eleitorais.

    Houve registros de ocorrências em Alagoas, Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul e Pará. Segundo a PF, foram feitos 901 boletins de ocorrências no país com relatos de supostas irregularidades eleitorais. A polícia informou que os crimes mais identificados foram transporte ilegal de eleitores, compra de votos e flagrantes de casos de boca de urna.

    Duas mesárias foram presas durante a votação. Em Goiânia, uma funcionária da Justiça Eleitoral foi presa depois de ter sido denunciada por usar um broche contra um candidato. No broche, havia a mensagem #elenão, mote usado por eleitores contrários a Bolsonaro. A manifestação política é permitida pela legislação a eleitores, exceto a quem vai trabalhar durante a eleição.

    Uma situação semelhante ocorreu no Paraná. Em Maringá, no interior do estado, uma mesária foi detida por ter dito a eleitores que a urna eletrônica de sua seção teria votos registrados na memória, antes mesmo de a votação começar. Ela foi denunciada por colegas.

    Prisões e pedidos de esclarecimentos à polícia são acontecimentos recorrentes em anos eleitorais. Em 2014, a Justiça Eleitoral informou que 281 pessoas foram presas sob acusação de terem cometido crime eleitoral.

    Vandalismo

    Duas urnas eletrônicas foram quebradas em Campinas, no interior de São Paulo. A Polícia Militar informou que vândalos invadiram a escola onde elas estavam durante a madrugada e cortaram todos os cabos que ligavam as máquinas. Ninguém foi preso até o momento.

    Troca de urnas

    O TSE informou por meio de um balanço que efetuou a substituição de 1.285 urnas em todo o país. Esse número corresponde a 0,25% do total de dispositivos instalados para a votação de 2018.

    O estado com o maior número de urnas trocadas foi Minas Gerais, seguido por Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo. O procedimento de troca de urnas é comum. Muitas apresentam defeitos de última hora e são trocadas imediatamente.

    Validação da biometria

    Em implantação no Brasil desde 2008, o cadastro biométrico na Justiça Eleitoral ainda não é obrigatório em todo o país. Ele foi desenvolvido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para evitar fraudes na hora de votar. Por meio desse modelo, o eleitor é identificado pela impressão digital ao ir à urna, sem a necessidade de apresentar documento.

    No Rio, um convênio firmado entre a Justiça Eleitoral e o Detran de validação do cadastro biométrico dos eleitores no dia 7 de outubro causou filas em algumas zonas de votação da cidade. No Distrito Federal, as filas demoravam 2h30 por causa do sistema de biometria, segundo os mesários.

    Marca da campanha, boataria continua

    A onda de disseminação de informações falsas marcaram a campanha de 2018 e continuaram no dia da votação do primeiro turno. Uma das que mais foram compartilhadas neste domingo (7) foi um vídeo que mostra uma urna eletrônica que sugere o voto ao candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, assim que o eleitor pressiona a tecla um.

    A circulação desse vídeo obrigou a Justiça Eleitoral a se manifestar e a desmentir a informação. O tribunal divulgou uma nota e ainda compartilhou a explicação de um auditor que analisou o vídeo. Por meio de um programa de edição, o auditor mostrou que, no vídeo, há dois barulhos diferentes do clique na urna, apontando um trecho que sugere que duas pessoas tenham participado da montagem do vídeo. 

    “Observe também que na hora em que a pessoa aperta a tecla não mostra o teclado por completo sugerindo que uma segunda pessoa tenha feito esse clique", disse o funcionário da Justiça Eleitoral.

    O vídeo chegou a ser compartilhado, inclusive, por Flávio Bolsonaro, filho de Bolsonaro, adversário de Haddad na disputa presidencial. Mais tarde, o filho do presidenciável, candidato ao Senado provavelmente eleito no Rio, publicou no Twitter que tinha apagado a publicação na qual repassava o vídeo aos seus seguidores.

    Armas na hora do voto

    Eleitores postaram fotos e vídeos na internet em que aparecem com armas dentro das cabines de votação. Não é possível saber se as armas são verdadeiras ou falsas. Em um dos vídeos, o eleitor usa o objeto para digitar o número do candidato do PSL à Presidência da República Jair Bolsonaro.

    A Lei Eleitoral proíbe não apenas a presença de armas durante a votação como também a entrada de celulares no interior das cabines de votação. A pena para quem descumprir a regra é de até dois anos de prisão e pagamento de multa de até R$ 15 mil. O TSE está investigando essas imagens.

    Pedido para filmar o voto

    Antes do início da votação, o candidato a deputado federal do PSL Eduardo Bolsonaro, outro filho do presidenciável, pediu em suas redes sociais que os eleitores de seu pai filmassem o momento que estivessem votando.

    O ato de filmar ou registrar com foto o momento do voto é considerado crime eleitoral. Essa lei foi criada com o objetivo de proteger o sigilo do voto.

    O balanço do TSE

    Após sair o resultado do primeiro turno, o TSE organizou uma coletiva de imprensa para fazer um balanço sobre as ocorrências recebidas durante a votação. No relatório lido pelos ministros, o tribunal concluiu que não houve episódios graves ao longo da apuração dos votos.

    “Não houve nenhum acontecimento grave, como mortes, ou conflitos. Só ocorr��ncias de boca de urna e desobediência. Coisas de baixo impacto que não comprometeram o clima de tranquilidade no Brasil”, disse o ministro do TSE Geraldo Og Fernandes.

    ESTAVA ERRADO: Ao contrário do que dizia a primeira versão deste texto, a Justiça Eleitoral do Rio não realizou coleta de impressões de digitais de eleitores no dia da votação, em 7 de outubro. O que houve foi um convênio firmado entre o Tribunal Regional Eleitoral e o Detran para validar o cadastro biométrico das pessoas antes de elas usarem as urnas eletrônicas. Essa medida provocou a formação de filas em algumas zonas de votação da cidade. A informação foi corrigida às 17h44 do dia 11 de outubro de 2018.

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