Foto: Divulgação

star wars
'Star Wars' é 'divertido pastiche' para crítico da 'The Encyclopedia of Science Fiction'
 

Um exaustivo banco de informações sobre ficção científica, em detalhes e com avaliação crítica, é a proposta da The Encyclopedia of Science Fiction. Criado nos Estados Unidos, com os textos todos em inglês, o site é uma versão online de uma enciclopédia sci-fi que foi publicada como livro pela primeira vez em 1979.

Segundo os autores, são 17.500 verbetes cobrindo categorias como literatura, rádio, televisão, cinema, quadrinhos, temas, subgêneros e coisas (há verbetes para “estrelas” e “nave espacial”). É possível saber sobre o uso do sexo, da religião e dos labirintos na ficção científica. Aberta a atualizações e ajustes, a enciclopédia, nas palavras dos autores, “é e sempre será um trabalho em desenvolvimento”.

Os textos são bem desenvolvidos, com hiperlinks, referências e bibliografia relacionada. Vão além da descrição e procuram oferecer um olhar crítico sobre os assuntos. O filme “Star Wars”, por exemplo, é chamado de “um divertido pastiche que (…) hipnotizou a audiência para a aceitação acrítica de um (…) conflito entre o bem e mal (…) basicamente absurdo”.

A autora americana Ursula K. Le Guin, que, segundo os autores, desperta o interesse da academia tanto quanto Philip K. Dick, “mais e mais justificou o papel que lhe foi concedido no início da carreira: como uma porta-voz da sabedoria”. Conhecida por sua ficção científica feminista e ambientalista, Le Guin morreu em 22 de janeiro de 2018, aos 88 anos.

O sci-fi brasileiro

A busca pela palavra “Brazil” gera uma porção de resultados na enciclopédia. O verbete que leva o nome do país traz um panorama histórico detalhado da produção desde o século 19. O relato cita incursões no gênero de escritores como Joaquim Manuel de Macedo (o conto “O fim do mundo”) e Machado de Assis (o conto “O imortal”).

“A proto-ficção científica brasileira está sendo lentamente descoberta nas últimas décadas, revelando alguns trabalhos que jogam luz no problemático relacionamento entre ideias científicas e a literatura de ficção no país”, diz o verbete, assinado por Bráulio Tavares e Roberto de Sousa Causo, ambos autores brasileiros de ficção científica.

O tema da eugenia é observado em um número de obras nacionais, entre elas “O presidente negro”, de Monteiro Lobato, de 1926. Sobre o modernista Menotti Del Picchia, que, assim como Lobato, conta com verbete próprio, a enciclopédia observa que sua obra de sci-fi, como “A República 3000”, é permeada por “nacionalismo conservador”.

Sobre autores mais recentes, o site destaca Luiz Bras, pseudônimo de Nelson de Oliveira, ganhador do prêmio Casa de las Americas que abdicou da carreira mais conhecida para se dedicar à ficção científica.

 

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa Equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project. Saiba mais.