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O mapa colaborativo que conecta o cinema negro do Brasil

Recurso aponta mostras, festivais, cineclubes e outras iniciativas com objetivo de visibilizar e criar rede entre profissionais

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Colocado no ar em julho de 2018, um mapa colaborativo aponta a localização de mostras, festivais, cineclubes, coletivos, instituições e outros projetos exclusivamente voltados para a difusão de obras audiovisuais de cineastas negras e negros no Brasil.

 

Trata-se de uma iniciativa lançada pela Mostra Negritude Infinita, que em 2017 realizou exibições dedicada a discutir a representação de corpos negros no cinema brasileiro, em Fortaleza, capital do Ceará.

“Percebemos que diversas mostras [de cinema negro] vêm surgindo nos últimos anos, inclusive a nossa, e era preciso de alguma forma torná-las um pouco mais visíveis, buscando também criar uma grande rede, conectando agentes por todo o país”, disse ao Nexo o artista e produtor da Mostra Negritude Infinita, Clébson Oscar.

Segundo ele, a mostra surgiu no contexto regional do estado do Ceará, criando um espaço para exibição e debate de filmes realizados por diretores negros, que trazem narrativas negras em grande parte de seus trabalhos.

“No cenário local, nós somos a única mostra focada na exibição desse segmento de filmes”, disse Oscar. “A primeira edição trouxe para a Vila das Artes e para o Centro Cultural Grande Bom Jardim, espaços públicos culturais de Fortaleza, exibições de 12 filmes e debates abertos.”

Uma nova edição está programada para acontecer em 2019 no Cinema do Dragão, em Fortaleza, com exibição de mais de 30 filmes.

Ao divulgar as ações de outros grupos, um dos objetivos é o de “criar uma rede integrada, permitindo mecanismos de parcerias entre produtores culturais, agentes independentes, instituições, grupos e coletivos artísticos”, segundo a descrição do mapa.

Cada um dos pontos destacados no mapa conta com uma descrição de suas atividades e propósitos, link e contato, que aparece quando se clica em um dos ícones.

Colaborativo, é alimentado à medida que é compartilhado nas redes e recebe novas sugestões de grupos e eventos.

Já estão mapeados a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, criada em 2016 e sediada em São Paulo, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, no Rio de Janeiro - um dos maiores eventos de cinema da diáspora africana -, o coletivo Criadoras Negras, do Rio Grande do Sul, e a Mostra Ousmane Sembène de Cinema no Recôncavo Baiano.

Segundo Clébson Oscar, o plano inicial era que o mapa trouxesse apenas mostras e festivais que acontecem com certa periodicidade.

“Mas, à medida que foram colhidas informações dessas iniciativas, percebemos que era preciso incluir também os cineclubes, pois eles são canais importantíssimos na difusão de filmes independentes, e fazem algo que é primordial: os debates e conversas sobre os filmes exibidos”, disse.

Outra das ambições do mapa é provocar a discussão “sobre políticas públicas para o audiovisual como um todo, principalmente no que tange à difusão de obras audiovisuais nos vários circuitos de exibição”.

“Muitas dessas mostras surgiram de 2016 para cá, estão indo para a segunda ou terceira edição. São mostras novas, mas que trazem bagagens enormes e que têm força para continuar por muitas outras edições”, disse o artista e produtor. “Muitos filmes e realizadores negros encontram nessas mostras praticamente a única oportunidade de exibir seus filmes, já que não conseguem passar na seleção de outras mostras, no circuito maior.”.

Em entrevista ao Nexo em agosto de 2018, a respeito do filme “Café com Canela”, o crítico de cinema Juliano Gomes falou sobre as dificuldades enfrentadas por realizadores e outros profissionais do cinema negros de terem uma carreira contínua e filmes exibidos em circuito comercial.

Em 2018, “Café com Canela” foi o primeiro longa nacional de ficção com uma mulher negra na direção a entrar em cartaz em 34 anos.

 

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