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Quem são os finalistas do Nobel de Literatura ‘alternativo’

Criado por organização intitulada ‘A Nova Academia’, novo prêmio foi proposto para preencher o vazio deixado pelo cancelamento do Nobel em 2018

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    Haruki Murakami, Maryse Condé, Kim Thúy e Neil Gaiman. Esses foram os quatro finalistas escolhidos pela internet por júri popular para disputar o prêmio literário criado para ocupar o vazio deixado pelo Nobel de Literatura, cuja edição de 2018 foi cancelada.

    O prêmio alternativo surgiu no início de maio de 2018, capitaneado pela jornalista sueca Ann Pålsson. Ao lado de intelectuais e especialistas, ela fundou a The New Academy (A Nova Academia) em reação aos escândalos na Academia Sueca que resultaram no cancelamento da tradicional entrega anual do Nobel de Literatura.

    A última vez que o prêmio deixou de ser entregue foi em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial.

    A The New Academy foi criada “para garantir que um prêmio literário internacional será concedido em 2018, mas também como um lembrete de que a literatura deve estar associada à democracia, abertura, empatia e respeito”, diz a organização em seu site.

    Os vencedores do prêmio serão anunciados em 12 de outubro (data original da entrega do Nobel de Literatura) e participarão de uma “grande cerimônia” no dia 9 de dezembro de 2018. A organização garante que “A Nova Academia se dissolverá em dezembro”, após a premiação.

    Nobel pode não voltar em 2019

    Após anunciar o cancelamento da edição de 2018 do tradicional prêmio de literatura, a Fundação Nobel – instituição responsável pelo financiamento dos diferentes prêmios Nobel, como o de física, economia etc – disse que o novo plano era entregar dois prêmios em 2019 como forma de compensação. Para isso, faria uma reformulação dos membros do comitê incubido da escolha dos laureados.

    No fim de maio, no entanto, Lars Heikensten, presidente da Fundação Nobel, afirmou em uma rádio sueca que a edição de 2019 também era algo incerto. “O Nobel vai ser entregue quando a Academia Sueca recuperar a confiança do público – e isso significa que não há um prazo final em 2019”, afirmou.

    Em afirmação controversa, Heikensten deixou no ar a possibilidade de contrariar a vontade expressa por Alfred Nobel (1833-1896) em seu testamento e escolher outra instituição que não a Academia Sueca para entregar o prêmio literário. “Há muitas instituições prontas para assumir”, disse.

    Desistência de Murakami

    Os finalistas foram escolhidos por júri popular no fim de agosto de uma lista com 47 candidatos, a maioria mulheres. Dentre os nomes que ficaram de fora do páreo nesta última etapa estão J.K. Rowling, Patti Smith, Margaret Atwood e Chimamanda Ngozi Adichie.

    Neste sábado (15), no entanto, a The New Academy comunicou uma mudança nos planos. Haruki Murakami anunciou que preferia não ser indicado. O escritor japonês, de 69 anos, é cotado para o Nobel de Literatura (o oficial) há anos, mas nunca levou o prêmio. Perguntado em 2012 pela revista americana The New Yorker sobre a possibilidade de ser laureado, ele disse: “Não, eu não quero prêmios. Isso significaria que você está acabado”.

    Autor de “Norwegian Wood” (1987), “Crônica do Pássaro de Corda” (1994), “Kafka à beira-mar” (2002) e da série “1Q84” (2009), Murakami disse por e-mail à The New Academy que se sentiu honrado com a nomeação, mas que preferia agora ficar longe da atenção do público e se dedicar à produção de um livro. A organização do Nobel alternativo disse que lamenta, mas respeita sua decisão.

    Quem são os finalistas

    A seguir, a descrição dos três finalistas e suas obras selecionadas, segundo a The New Academy:

    • Maryse Condé: Original da pequena ilha francesa de Guadalupe, no Caribe, a escritora de 81 anos já escreveu cerca de 20 romances, dentre eles “Desirada” (1979), “Crossing the Mangrove” (1985), “Who Slashed Celanire’s Throat?: A Fantastical Tale” (2004) e “Segu” (1987), todos inéditos no Brasil. Professora emérita na Universidade de Columbia, de Nova York, Condé “descreveu como o colonialismo mudou o mundo e como as pessoas afetadas retomam sua herança”.
    • Kim Thúy: Embora tenha nascido em Saigon, no Vietnã, em 1968, a escritora deixou o país em guerra e buscou refúgio no Canadá quando tinha 10 anos. “Ela é conhecida por suas histórias curtas e elegantes sobre ser refugiada e  imigrante. Suas narrativas pintam as cores do Vietnã e os aromas e sabores também, assim como os perigos do exílio e a busca por uma identidade”, diz a The New Academy. É autora de “Ru” (2009), “Mãn” (2013), “Vi” (2016).
    • Neil Gaiman: Além de escritor, o inglês de 57 anos é jornalista, quadrinista, roteirista e editor. O prêmio sueco se refere ao autor como um “superstar” e destaca o sucesso de “Sandman”. Além da série “Sandman” (2006), assina “Coraline” (2002), “O Livro do Cemitério” (2008) e “O Oceano no Fim do Caminho” (2013).

    ESTAVA ERRADO: Originalmente, este texto apontava o ano de publicação de “Crônica do Pássaro de Corda” como sendo 2017. Esse é o ano da edição em português. Em japonês, o primeiro volume foi lançado em 1994. O texto foi corrigido às 16h24 de 19 de setembro de 2018.

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