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O fotógrafo que registra as ruínas que já foram lojas nos EUA

Jessie Rieser registra as ruínas das antigas lojas do seu estado natal, o Arizona. Comércio online tem atingido o varejo de rua em todo o mundo

    Criado em 2015, “The Changing Landscape of American Retail” (A mudança na paisagem do varejo americano, em tradução livre) é uma série temática produzida pelo fotógrafo Jesse Rieser, dedicado a fotografar a decadência do comércio de rua nos Estados Unidos.

    O projeto, que ainda está em andamento, também conta a história sobre como os avanços tecnológicos afetaram o comportamento de compra dos americanos, e como isso vem mudando a cara das cidades. 

    Imagens de prédios e casas abandonadas no sul de seu estado natal, o Arizona, onde antes funcionavam shoppings e lojas, carregam um misto de nostalgia e crítica. Em conversa com o Nexo, o autor conta que a inspiração para o projeto foi bastante pessoal, a partir de suas memórias da infância e pela visão de que mais e mais shoppings e lojas familiares começaram a fechar as portas. “É uma documentação contínua da mudança do modelo tradicional de espaços de tijolo e cimento, onde antes a gente ia para socializar e interagir, para uma estrutura mais rígida e genérica que é a entrega domiciliar.”

    O primeiro clique foi feito em 2015. O mais recente é de maio de 2018. Rieser pretende continuar registrando esse movimento, que acredita ser um testemunho “das mudanças aceleradas do mundo moderno”, capaz de alterar a forma como nos comunicamos e consumimos. “Como consumidores, agora temos escolhas infinitas. Como pessoas, nós temos mais do que nunca a possibilidade de nos conectar, e ainda assim estamos mais isolados.”

     

    O fotógrafo disse ainda que acredita que o projeto celebra essas ruínas, que marcam especialmente a “experiência americana dos anos 1980 e 1990”.

    O e-commerce no Brasil

    Nos EUA, nos primeiros três meses de 2018 o mercado angariou cerca de $1,2 trilhões, desse total 9,5%, cerca de $123 bilhões, foi em compras online, segundo relatório do United States Census Bureau, parte do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

    Já no Brasil, o comércio eletrônico faturou R$ 23,6 bilhões no primeiro semestre de 2018, um aumento de 12,1% ante o registrado no mesmo período do ano passado. O dado está no relatório de agosto de 2018 da Webshoppers, produzido pelas empresas Ebit e Nielsen. A expectativa é de fechar o ano em mais de R$ 53 bilhões. Para efeito de comparação, em 2017 as lojas em shoppings faturaram R$ 147,5 bilhões.

    Para Pedro Guasti, diretor de Relações Institucionais da Ebit|Nielsen, a mudança na forma de comprar já está acontecendo. “As empresas que ainda não entenderam essa mudança, que estão no modelo convencional, vão ter que aprender a trabalhar com um cliente onipresente em todos os canais”, disse ao Nexo. Isso porque, além dos 27 milhões de consumidores online do primeiro semestre, hoje tudo passa pela internet. “Em cerca de metade das compras feitas houve antes alguma pesquisa na internet. Seja para encontrar uma diferença de preços, para se ter uma informação técnica do produto ou para consultar opinião de outros consumidores.”

     

    Segundo Guasti, “hoje as classes C, D e E são maioria no comércio online, com quase 80%, com 20% de classe A e B. Só para se ter uma ideia, a média familiar de todos os consumidores que fizeram compra online no primeiro semestre é de 6 mil e 475 reais”. Uma das explicações para essa mudança é principalmente o e-commerce via smartphones, com 32% das transações tendo sido realizadas por meio de dispositivos móveis.

    De forma geral, o diretor acredita que lojas cujo perfil seja predominante jovem já devem se adequar a realidade do cliente que vai estar presente não só fisicamente, mas em ambiente online. “Em loja que tem um público mais velho, o impacto é menor, mas a cada ano você tem mais jovens entrando no mercado de trabalho, então essas empresas, se não se modernizarem, se não olharem pra isso como uma oportunidade, elas não vão existir”, disse.

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