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Pós-atentado: o que mudou na campanha de Bolsonaro

Líder nas pesquisas, candidato do PSL à Presidência está internado e sem previsão de retomar agendas públicas

     

    A campanha de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, tem passado por ajustes e desencontros desde que o deputado sofreu um atentado a faca, em 6 de setembro, em Juiz de Fora, Minas Gerais. O agressor, Adelio Bispo de Oliveira, está preso.

    O candidato sofreu ferimentos no intestino e está internado desde sexta-feira (7) no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Até o momento, não há previsão de alta médica nem de retomada de atividades partidárias. A participação em agendas públicas até 7 de outubro, data da votação, é considerada improvável por pessoas próximas.

    Bolsonaro está à frente das pesquisas de intenção de voto, posição que se consolidou após a saída de Luiz Inácio Lula da Silva, que liderava com vantagem a corrida presidencial mesmo da prisão, onde cumpre pena da Operação Lava Jato. O petista, porém, foi barrado pela Ficha Limpa e substituído por Fernando Haddad na terça-feira (11).

    Com o capitão da reserva afastado da agenda pública, a campanha tem sido conduzida e representada por seus filhos e pelo candidato a vice, general da reserva Hamilton Mourão (PRTB).

    O quadro de saúde de Bolsonaro

    Na noite de quarta-feira (12), o candidato do PSL apresentou distensão (inchaço) abdominal e foi submetido a uma cirurgia de urgência. O procedimento foi bem sucedido, segundo boletim médico divulgado nesta quinta-feira (13). Após a cirurgia, o deputado precisou voltar à UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

    Em entrevista a uma rádio do Rio na manhã de quinta-feira (13), um dos filhos do candidato, Flávio Bolsonaro, afirmou que o quadro do deputado está estável, mas ainda é grave.

    Desde o ataque em Juiz de Fora, o candidato se manifestou por meio de vídeos e mensagens em suas redes sociais e de seus apoiadores. A participação de Bolsonaro nas redes e o alto número de seguidores são considerados ativos importantes da campanha, que conta com pouca estrutura e somente 9 segundos na propaganda de rádio e TV.

    Além de agradecimentos por mensagens de apoio à sua recuperação, Bolsonaro fez postagens falando sobre educação, Lava Jato e sobre seu desempenho nas pesquisas recentes de intenção de voto. Na terça-feira (11), o candidato destacou decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal que, por 3 votos a 2, rejeitou uma denúncia contra ele por crime de racismo.

    O papel dos filhos, do PSL e do vice

    Quem tem liderado as manifestações em nome de Bolsonaro são os filhos Flávio, candidato ao Senado pelo Rio, e Eduardo, candidato a deputado federal por São Paulo. Flávio disse logo após o atentado que o pai seguiria dando as ordens sobre os rumos da campanha e que gravaria vídeos de dentro do hospital.

    “O que o capitão determinar, o soldado fará”

    Flávio Bolsonaro

    deputado estadual, em declaração em 7 de setembro de 2018

    Parte dos compromissos de Bolsonaro foi assumida pelos filhos. A campanha estuda fazer vídeos com o economista Paulo Guedes, responsável pelo plano econômico de Bolsonaro.

    Apesar da força do candidato nas redes sociais, integrantes do PSL, partido do capitão da reserva e cabeça de chapa, e do PRTB, partido do general da reserva e vice, passaram a manifestar preocupação com a ausência de Bolsonaro nas ruas e em agendas públicas. É nesse ponto que transparecem os desencontros entre os membros da campanha.

    A exposição do vice

    Na terça-feira, o PRTB anunciou que consultaria o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a possibilidade de Mourão substituir Bolsonaro em debates e sabatinas.

    Presidente do PRTB, Levy Fidelix afirmou que o general da reserva poderia ser uma espécie de candidato temporário enquanto Bolsonaro está ausente. “Não vamos perder esse tempo todo na TV [durante os debates]”, disse Fidelix na terça-feira (11).

    A consulta jurídica não foi previamente combinada com o comando da campanha de Bolsonaro nem com o PSL, segundo reportagens dos jornais O Estado de S. Paulo, O Globo, Folha de S.Paulo e Valor Econômico. A jornalistas, o general da reserva declarou na terça-feira (11) que a vitimização em torno do ataque “já deu o que tinha que dar”.

    “Não sou ventríloquo do Bolsonaro, mas a gente não pode deixar espaço vazio porque espaço vazio é ocupado”

    Hamilton Mourão

    general da reserva e candidato a vice de Bolsonaro, em declaração ao Valor, publicada em 12 de setembro de 2018

    O vice voltou a reivindicar mais espaço na campanha após a nova cirurgia de Bolsonaro que tende, segundo ele, a adiar ainda mais o retorno do candidato. “É uma carta na manga, uma forma de manter a campanha na televisão”, disse Mourão. A reação de integrantes do PSL e de Flávio expuseram as divergências sobre a estratégia proposta pelo vice e pelo PRTB.

    “O momento é de ter calma, não pode se afobar. Meu pai está se recuperando ainda. A prioridade é essa. É uma decisão [sobre o debate] que cabe exclusivamente a ele. Qualquer decisão importante como essa tem que passar pelo Jair”

    Flávio Bolsonaro

    deputado, em declaração a O Globo, publicada em 13 de setembro de 2018

    “Qualquer coisa neste sentido [de substituir Bolsonaro em debates] deve ser conversado primeiro pelo PSL. Quem dá a palavra final chama-se Jair Bolsonaro, afinal de contas está vivo e é o nosso chefe, nosso líder. (...) O PRTB não tem legitimidade jurídica para fazer esse questionamento”

    Gustavo Bebianno

    presidente do PSL, em declaração a O Globo, publicada em 13 de setembro de 2018

    O PRTB não formalizou a consulta à Justiça Eleitoral. Segundo a assessoria do partido, o assunto está em debate com o PSL. A resolução do TSE de número 23.548/2017, que trata do registro de candidatos em 2018, não faz referência a trocas temporárias de candidaturas. A norma trata das regras para substituição em casos, por exemplo, de renúncia ou morte do candidato, e cancelamento ou cassação de registro por decisão judicial.

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