O site que reúne a produção de cronistas brasileiros

Portal é resultado de parceria entre acervos do Instituto Moreira Salles e Casa de Rui Barbosa e já conta com mais de 2.000 recortes digitalizados

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Lançado em 12 de setembro de 2018, o Portal da Crônica Brasileira disponibiliza recortes de jornal e transcrições de textos de grandes cronistas do país, como Paulo Mendes Campos, Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Antônio Maria, Clarice Lispector e Otto Lara Resende.

O portal entra no ar com 2.527 itens desses autores presentes nos acervos do IMS (Instituto Moreira Salles) e da Casa de Rui Barbosa, as duas instituições responsáveis pelo projeto.

O site será, segundo as instituições, continuamente alimentado com novos textos e autores. A Casa de Rui Barbosa detém ainda os recortes de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, e o IMS, os de Mário Quintana, que devem ser acrescentados em breve ao portal. 

“Temos [no acervo do Instituto Moreira Salles] recortes de jornal com cerca de 10 mil crônicas” disse a coordenadora de literatura do IMS,  Elvia Bezerra, em entrevista ao Nexo.

“Estão todas descritas, digitalizadas, disponibilizadas na nossa base de dados. Mas a base é frequentada por pesquisadores, especialistas. Achávamos que devíamos dar maior visibilidade a esse material. Daí surgiu a ideia do portal”, disse.

O objetivo, segundo a coordenadora, é tornar as crônicas mais acessíveis, com visualização atraente, e reunir a maior quantidade possível de textos do gênero, presentes em acervos de instituições diversas.

Os seis autores inicialmente reunidos fazem parte de uma geração que, nas décadas de 1950 e 1960, foi responsável pelo que ficou conhecido como a era de ouro da crônica.

“As crônicas ocupam, neste portal, o lugar que certa vez lhes foi atribuído: o de coração de um jornal, tal o apelo que exercem sobre os leitores, que nelas buscam liberdade e leveza, sem perda de solidez”, escreveu Elvia Bezerra.

Correções na página de jornal

Foto: Acervo Rachel de Queiroz/Instituto Moreira Salles
‘História da velha paulista’, crônica de Rachel de Queiroz publicada na revista O Cruzeiro, em 13 de julho de 1946
‘História da velha paulista’, crônica de Rachel de Queiroz publicada na revista O Cruzeiro, em 13 de julho de 1946
 

Segundo a coordenadora do IMS, um dos principais atrativos é ver o recorte da maneira como foi arquivado pelo autor da crônica, muitas vezes com anotações feitas sobre a página.

“É interessante ver o comportamento do cronista depois de ver o texto já publicado. Temos textos cheios de correções. É curioso”, disse Bezerra ao Nexo. Ela destaca como exemplo a crônica “História da velha Matilde”, de Rachel de Queiroz.

Como navegar

A maior parte das crônicas são apresentadas no portal da forma como foram publicadas nos jornais, e os recortes podem ser ampliados.

No menu de busca, pode-se procurar por temas, títulos, periódicos e imagens.

No topo da página principal, à direita, está a “Crônica do Dia”: seleção feita pelos curadores que pode ter relação com uma efeméride ou fato da atualidade.

Ao clicar em “autores” e, em seguida, em uma das caricaturas dos cronistas (feitas por Cássio Loredano), há um perfil de cada um, escritos pelo editor do site, Humberto Werneck.

Na seção “Rés do chão”, coluna quinzenal de Werneck, a ideia é usar o espaço para explorar recortes do acervo.

O que é a crônica

Narrativa curta, produzida normalmente com a finalidade de ser publicada na imprensa, a crônica costuma se basear em fatos do cotidiano.

Em sua coluna de estreia, o editor explica o título da seção e sua relação com a crônica, além de fazer uma genealogia do gênero textual e de seu abrasileiramento. Lançando, por fim, definições possíveis para a crônica:

“Melhor seria ver a crônica como bem-vinda contramão no jornalismo. Pois, diferentemente do articulista e do editorialista, que nos dão a impressão de estar falando do alto de um caixotinho, o cronista genuíno parece estar de papo com cada leitor, sentados os dois na informalidade de um meio-fio, em clima de deleitosa cumplicidade.”

Humberto Werneck

No Portal da Crônica Brasileira

Em um ensaio de 2007, o escritor José Castello diz que, definida pelo dicionário como ‘narração histórica, ou registro de fatos comuns’, “a crônica ocupa um espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana”.

Publicada em jornais, revistas, reunidas em livros ou até veiculadas pela TV, a crônica ganhou muita força na imprensa brasileira no século 20, assumindo, segundo Castello, feições próprias. Ficou caracterizada pela liberdade radical que permitia. 

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