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Quem foi Elena Garro. E como ela tem sido lembrada

Escritora mexicana é tida por especialistas como uma das mais importantes da história literária do país, mas costuma ser lembrada em termos de sua relação com escritores homens

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    A morte da escritora, dramaturga, poeta e jornalista mexicana Elena Garro (1916-1998) completou 20 anos em 22 de agosto de 2018.

    Longe de ser tão lembrada quanto outros autores ligados ao “realismo mágico” latino-americano, Garro foi, em 2016, identificada em um encarte promocional como “esposa de Octavio Paz, amante de Bioy Casares, uma inspiração para García Márquez e admirada por Borges”.

    O folheto foi impresso para acompanhar a reedição de um de seus livros por uma editora espanhola, comemorativa do centenário de seu nascimento. Críticas e questionamentos sobre se promoveria o trabalho de um homem da mesma forma levaram a editora a se desculpar.

    O reconhecimento a partir das relações de Garro com autores  latino-americanos de sua época, e não por sua própria obra, é constante.

    Um artigo de 2016 publicado pelo suplemento cultural do jornal espanhol El País, que homenageia os cem anos de seu nascimento pouco fala de seus livros e declara o dia de seu casamento com Octavio Paz, em 1937, como “o dia que marcou o resto de sua vida”.

    No Brasil, apenas uma de suas obras está disponível: “As Lembranças do Porvir” (1963), lançada em 2018 pela editora Arte & Letra, foi escrita quatro anos antes de “Cem Anos de Solidão” e é considerada o início do “realismo mágico”.

    Apesar do pioneirismo que lhe é atribuído, Garro rechaçava o gênero que marcou a produção latino-americana durante os anos 1960 e 1970: considerava-o apenas um rótulo para aumentar vendas.

    Importância

    Em uma homenagem à autora realizada no dia 21 de agosto de 2018 no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México, pela ocasião das duas décadas de sua morte, Garro foi posta à altura da icônica poeta e dramaturga mexicana do século 17 Sór Juana Inés de la Cruz.

    Segundo a pesquisadora Olga Martha Peña Doria, especialista no teatro escrito por mulheres na América Latina, a comparação se deve ao fato de que são as duas escritoras mais importantes da história literária do México. 

    Foto: Wikimedia Commons
    Garro é colocada, por alguns especialistas, à altura da icônica Sór Juana Inés de la Cruz, poeta e dramaturga mexicana do século 17
     

    “Em sua obra, Sór Juana reúne e concentra toda a história literária anterior e Elena faz algo semelhante”, disse Guillermo Schmidhuber, pesquisador da obra de Juana Inés de la Cruz, ao site Cultura Collectiva.

    Entre os temas mais recorrentes da obra de Garro estão a marginalização das mulheres, o racismo e a liberdade política.

    De acordo com o site da Enciclopédia da Literatura no México, ela introduziu novas maneiras de se conceber o tempo na narrativa; suas peças teatrais renovaram a dramaturgia, e suas histórias, a um tempo fantásticas e verossímeis, trouxeram a cosmovisão dos habitantes das províncias, do imaginário do campo e das populações indígenas, em uma época na qual estes grupos estavam relegados ao segundo plano. 

    Entre seus títulos mais conhecidos, estão:

    •  “As Lembranças do Porvir” (1963), o único publicado no Brasil,  fala sobre um pequeno povoado mexicano dominado de forma cruel e sanguinária pelo general Francisco Rosas e seus homens;
    • “Un hogar sólido”, “Andarse por las ramas” e “Los pilares de doña Blanca”, peças dramáticas, todas de 1958
    • “La semana de colores” (1964), reunião de contos que inclui “La culpa es de los tlaxcaltecas”, texto que se tornou um clássico da contística mexicana 

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