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A ‘corrente’ dos 25 amigos do Facebook. E como funciona o feed

Mecanismo pouco claro do algoritmo da rede social facilita a circulação de boatos sobre as razões do pouco alcance das postagens

    Uma publicação que ganhou destaque no Facebook recentemente convoca usuários a “burlar o algoritmo” da rede social. Segundo o texto, que vem circulando entre perfis brasileiros sobretudo a partir de agosto de 2018, o limite atual de alcance de postagens é de até 25 pessoas - quantidade ínfima de “amigos”, uma vez que um usuário comum chega a acumular centenas de contatos -, mas é possível mudar isso com uma medida simples.

    Para que o conteúdo compartilhado não fique restrito a esse pequeno espectro, membros do Facebook teriam de compartilhar mensagens em seus perfis cobrando engajamento. Convencer suas conexões a deixar um comentário no referido texto e passá-lo adiante seria uma forma de se imunizar contra a política supostamente adotada pela rede de Mark Zuckerberg. Caso ainda não tenha deparado com um comunicado do tipo, você pode ver um exemplo abaixo.

    Foto: Reprodução/Facebook
    Post que ensina como driblar uma suposta mudança no algoritmo do Facebook que alterou o funcionamento do feed de notícias
    Post que ensina como driblar uma suposta mudança no algoritmo do Facebook que alterou o funcionamento do feed de notícias

    Há registros desse tipo de post em contas de usuários Estados Unidos desde dezembro de 2017, como apontado pelo site de fact-checking americano Snopes. No Brasil, a informação chegou a ser desmentida por portais nacionais de tecnologia ou focados na análise de boatos nas últimas semanas, mas seguem compartilhadas por brasileiros.

    Em nota enviada ao Nexo, a assessoria de imprensa do Facebook disse que a informação “não é verdade”. “Classificamos o feed de notícias com base na relevância que cada postagem pode ter para cada pessoa. Fizemos alterações recentemente para aumentar o número de publicações que você vê dos seus amigos, mas seu feed de notícias não está limitado a 25 delas”, explicou.

    O exato mecanismo utilizado pelo algoritmo do Facebook nunca foi explicado em sua totalidade. Há, no entanto, alguns fatores que ajudam a entender por que não é possível “assumir o controle” definitivo do que é mostrado em sua linha do tempo - pelo menos, não da forma descrita acima.

    Como o Facebook escolhe o que aparece na timeline

    Um simples comentário em um post não seria suficiente para determinar a preferência por este ou aquele conteúdo. Para organizar e entregar novas postagens, o algoritmo desenvolvido pelo Facebook faz a filtragem entre todas as histórias e posts minimamente relacionadas com suas preferências.

    Entram nessa conta, por exemplo, tudo que foi compartilhado na última semana por seus amigos, pessoas que se segue, grupos de que participa e páginas curtidas. Como pontuou a revista americana Slate em 2016, o montante total de posts de um usuário comum, em uma semana, poderia representar cerca de 1.500 publicações.

    O algoritmo, então, interpreta uma série de sinais que agregam relevância a cada um desses conteúdos, como a geolocalização (se a pessoa está mais próxima ou mais distante) e a frequência de suas postagens, por exemplo.

    Então, é considerada qual a chance do referido conteúdo gerar engajamento. Essa é uma das funções-chave do robô: mensurar a quantidade de comentários, compartilhamentos, tempo médio gasto pelas pessoas no conteúdo e número de reações positivas/negativas.

    Atribuindo pesos para cada item  – um comentário ou marcação vale mais que uma reação negativa, por exemplo – ele consegue determinar uma ordem para as postagens, indicando o quão alto cada assunto aparecerá no feed de notícias e o destaque que terá.

    Foco nas relações humanas

    A última grande alteração no funcionamento do algoritmo do Facebook, indicada no texto do “boato dos 25 amigos”, data de janeiro de 2018. À época, a empresa sinalizou pela política de priorizar posts de família e a amigos, em detrimento de postagens públicas, feitas por instituições, páginas comerciais ou de marcas, por exemplo.

    A atualização tinha por objetivo dar maior destaque a “posts que motivem conversas e interações significativas entre as pessoas”, disse Mark Zuckerberg em seu perfil.

    “Esses são posts que inspiram conversas nos comentários e posts que você possa querer compartilhar e reagir – seja um post de um amigo pedindo um conselho ou recomendações para uma viagem, ou uma notícia ou um vídeo promovendo muitas conversas”, disse a rede social em comunicado.

    Da mesma maneira, postagens caça-cliques e sites noticiosos “considerados de baixa qualidade” também passaram a ter menos espaço. Antes da mudança do algoritmo, 5% dos conteúdos de feeds de notícias, em média, eram compostos por notícias e conteúdo de “publishers”. A mudança fez esse total atingir a casa dos 4%.

    Outros boatos

    A restrição no alcance das postagens causadas por supostas mudanças de algoritmo se soma à extensa lista de correntes envolvendo o Facebook nos últimos anos.

    Alguns textos chegaram a ser usados na época do escândalo da Cambridge Analytica, que envolveu o vazamento de dados de milhões de usuários, como forma de reivindicar privacidade na rede social. Segundo a corrente, cada usuário precisava copiar e colar uma mensagem para que seus dados não se tornassem públicos.

    Em março do ano passado, o Facebook chegou a exibir no feed de notícias das pessoas uma mensagem que desmentia a questão. À época, a rede social declarou, por meio de sua assessoria de imprensa, que possui “políticas de dados e privacidade claras que dizem que tudo o que uma pessoa publica no Facebook é de propriedade dela e só ela é quem pode determinar os níveis de privacidade de suas publicações e informações na plataforma”.

    Correntes chegaram a anunciar, ainda, que usuários passariam a ser notificados por visitas em seus perfis, poderiam concorrer a prêmios exclusivos ou precisavam verificar seus perfis a partir de certa data. Outra farsa comum envolvia o suposto pagamento realizado pelo Facebook a cada compartilhamento de posts, normalmente ligados a causas humanitárias e sociais.

    Recentemente, popularizou-se um alerta sobre o falso início da cobrança de uma taxa de acesso para uso. O boato em questão era facilmente verificável, uma vez que a própria tela de login da rede social estampa a frase “Faça uma conta. É gratuito, e sempre será”. A opção por não monetizar o cadastro de novas contas no Facebook também já havia aparecido nas falas de Zuckerberg em outras oportunidades.

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