Ir direto ao conteúdo

O que pesquisadores dizem sobre 6 temas cruciais do Brasil

Seminário organizado pelo ‘Nexo’ em parceria com Insper, Cebrap e Gife debateu desafios do país a um mês da eleição presidencial

    A campanha presidencial é uma oportunidade para que os principais problemas do Brasil sejam discutidos. Os candidatos expõem diferentes visões sobre segurança pública, saúde, educação e impostos, por exemplo, e são escrutinados pelos eleitores.

    Aproveitando esse momento, o Nexo organizou um seminário sobre questões centrais para o país, em parceria com o Insper, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). O evento “Políticas públicas em debate: o que sabemos, o que queremos” ocorreu na terça-feira (4), em São Paulo, e teve ainda o apoio do Instituto Unibanco.

    Na mesa de abertura, os quatro participantes destacaram o ambiente de polarização e desinformação do país. “Estamos num momento no Brasil em que ganhar o debate é mais importante do que o debate em si, e perdemos muito com isso”, disse Paula Miraglia, diretora-geral do Nexo.

    A partir da próxima segunda-feira (10), o Nexo publicará entrevistas em vídeo com os 18 pesquisadores que fizeram apresentações no seminário. Ao todo, foram seis sessões temáticas, com pesquisadores de diferentes instituições.

    As 6 sessões do seminário

    Crise fiscal e regime previdenciário

    Paulo Tafner (Fipe-USP), Rogério Nagamine (Ipea) e Hélio Zylberstajn (USP) concordaram que os dados indicam a necessidade de uma reforma previdenciária no Brasil. Segundo eles, o atual modelo põe em risco o equilíbrio fiscal e gera desigualdades. Os três têm visões distintas sobre como fazer essa mudança, se num só pacote ou em partes, reconhecendo que essas alterações têm altos custos políticos e eleitorais.

    Desigualdade no mercado de trabalho

    Cida Bento (CEERT) afirmou que pressões de movimentos sociais a partir dos anos 1980 levaram a avanços em políticas públicas contra a desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho. Ricardo Paes de Barros (Insper) apresentou dados de que a desigualdade de renda do trabalho diminuiu no Brasil desde 2005, mas que é sensivelmente maior no setor público. Para Marcelo Medeiros (Ipea), investir em políticas inclusivas para mulheres, negros e outros grupos é o grande meio para reduzir a desigualdade no trabalho, mais até do que a educação.

    Cidades, mobilidade urbana e impasses ambientais

    O debate se focou na questão da mobilidade, com um diagnóstico comum de que é necessário pensar mais nos espaços e transportes coletivos do que nos individuais. Políticas nessa área devem levar em conta, entre outros aspectos, novas configurações familiares, estudos de custos e o fato de as mulheres estarem mais vulneráveis nos meios coletivos de transporte. Participaram desta sessão Ciro Biderman (FGV), Paula Santoro (USP) e Walter Figueiredo de Simoni (Instituto Clima e Sociedade).

    Financiamento, gestão e regulação em saúde

    São grandes desafios o envelhecimento da população brasileira e a mudança entre quais são as doenças mais comuns. Segundo os pesquisadores, o foco das políticas do setor deveriam estar na saúde em si, e não no acesso a ela. Falta uma grande liderança para tocar um projeto nacional de saúde, de acordo com análise de Rudi Rocha (FGV), Vera Schattan (Cebrap) e Ligia Bahia (UFRJ).

    Desafios na educação pública

    Casos isolados de sucesso na educação pública ainda carecem de documentação e análises que indiquem o que exatamente foi feito de diferente e deu certo. Também é necessário um plano nacional de educação que seja eficiente e bem implementado, para que o Brasil não dependa apenas de professores ou diretores fora de série. Participaram Ricardo Madeira (USP), Naércio Menezes Filho (Insper) e Olavo Nogueira Filho (Todos Pela Educação).

    Políticas de segurança pública

    Segundo os pesquisadores, o encarceramento em massa se provou ineficiente para combater a violência e a criminalidade no Brasil, que tem uma taxa recorde de 30 homicídios a cada 100 mil habitantes. É necessário que haja planos federais na área de segurança que vão além da solução “simplista” da repressão policial, que vai na contramão do que os estudos indicam como eficiente, embora haja custos políticos diante da opinião pública. Participaram Carolina Ricardo (Instituto Sou da Paz), Daniel Cerqueira (Ipea) e Átila Roque (Fundação Ford).

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!