Ir direto ao conteúdo

Este artista quer lançar um satélite que refletirá luz solar no espaço

Com formação em artes plásticas e geografia, Trevor Paglen pretende executar uma obra que se parecerá com uma estrela vista da Terra

     

    Após um mestrado em artes plásticas em 2002, Trevor Paglen obteve um Ph.D em geografia pela Universidade da Califórnia em Berkeley, em 2008, onde continua a trabalhar como pesquisador. Paglen é conhecido por trabalhos jornalísticos e artísticos em que trata vigilância sobre a população e a forma como a humanidade altera o espaço geográfico.

    Ele é autor de livros em que fala sobre operações secretas da CIA, e de ensaios fotográficos de prisões de acesso restrito, assim como dos cabos transoceânicos que permitem que informações sejam transmitidas na internet. Algumas de suas filmagens de bases americanas foram incluídas no documentário “Citizenfour”, que narra a delação por Edward Snowden do sistema de espionagem do governo americano.

    Há cerca de dez anos, Paglen vem trabalhando em uma obra chamada “Orbital Reflector”. Trata-se de um balão de polietileno gigante, recoberto por dióxido de titânio, o que lhe dá uma aparência prateada reluzente, que parecerá uma estrela. O projeto deve custar cerca de US$ 1,3 milhão, pagos com apoio do Museu de Arte de Nevada, que fica na cidade de Reno.

    Seu lançamento deve ocorrer em novembro de 2018, e será um ponto alto da exposição “Sites Unseen”, ou locais não vistos, em uma tradução livre, na mesma instituição. Ela é dedicada a trabalhos de Paglen e inclui uma versão antiga e redonda do “Orbital Reflector”, suspensa no teto do museu. A mostra vai até janeiro de 2019,

    O plano é que o balão seja comprimido em um bloco com as dimensões de um tijolo, e levado ao espaço por um foguete Falcon 9 da empresa privada SpaceX, junto a outros cerca de 70 satélites. Quando atingir a órbita terrestre, o balão deverá ser inflado com dióxido de carbono, e se tornará um enorme refletor de raios solares. Ele deverá ficar em órbita ao redor do planeta por cerca de três meses, após os quais deve entrar na atmosfera e queimar.

    Uma das inspirações para Paglen é a obra do pintor ucraniano Kazimir Malevich (1878-1935), que fez obras de arte antecipando a chegada do homem ao espaço. Ele falava de um objeto reunindo todos os elementos, se movendo em uma órbita entre a Terra e a Lua, “formando seu próprio caminho”.

    Em entrevista à rede americana de televisão PBS, Paglen afirmou: “eu vejo um planeta que foi completamente transformado por humanos, e de formas completamente diferentes. Eu olho para quem está colocando coisas no espaço, e por que motivo”.

    Ele afirma que a ideia de “Orbital Reflector” é “construir um satélite sem valor militar, científico ou comercial. Vamos construir um satélite que seja uma obra de arte”.

    Ao site focado em leilões e notícias sobre art ArtNet, Amanda Horn, diretora de comunicações do museu, afirmou que:

    “Como as pessoas têm dificuldade em imaginar como essa obra de arte deverá ser, eu acho que suas mentes voam longe. Vai parecer tão brilhante quanto uma estrela da constelação Ursa Maior. Ele [o balão] tem o comprimento de cerca de dois ônibus escolares, e vai se mover muito rapidamente. Uma órbita completa vai levar cerca de 94 minutos.”

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: