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O selo musical que gravou a evolução do som jamaicano

Etiqueta Trojan comemora 50 anos de existência em 2018. Nomes de seu catálogo incluem Bob Marley, Jimmy Cliff, King Tubby e The Skatalites

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    O produtor jamaicano Arthur “Duke” Reid é considerado um dos fundadores da indústria musical de seu país. Ex-policial, dado a portar ostensivamente revólver e cinturão de balas, Reid se iniciou no meio musical como vários outros expoentes da ilha: à frente de um “sound system”, as aparelhagens móveis que sonorizavam festas de rua.

    Usando o nome de Trojan, em referência à marca do caminhão que transportava seu equipamento, Reid em pouco tempo migrou para o estúdio. Como produtor, impulsionou vários hits nos estilos ska e, depois, rocksteady, os gêneros musicais que precederam o reggae.

    Em 1967, Reid foi contatado pela gravadora Island, responsável por lançar artistas jamaicanos no Reino Unido. A empresa queria criar um selo para levar suas produções ao mercado britânico. Nasceu então a etiqueta Trojan, que se tornaria uma das marcas mais reconhecidas na história musical jamaicana.

    Passear pelo catálogo da Trojan é fazer um curso intensivo na história dos gêneros musicais da ilha, em especial do reggae. Nomes como Bob Marley, Jimmy Cliff, Peter Tosh, Augustus Pablo, Black Uhuru, Gregory Isaacs, King Tubby, Lee “Scratch” Perry, Sly & Robbie e Skatalites estão entre os que já tiveram música gravada pelo selo.

     

    Reid morreria de câncer em 1975, aos 59 anos. A Trojan hoje pertence à multinacional do disco Universal.

    Para comemorar os 50 anos da etiqueta, está saindo no Reino Unido uma caixa como vinis e CDs e um livro de fotografias de 100 páginas com artistas e capas de disco clássicas.

    O impacto do reggae

    Na década de 1960, a música produzida na Jamaica conseguiu seus primeiros hits internacionais, entre eles “My boy lollipop”, de Millie Small, e “007”, de Desmond Dekker.

    A presença de comunidades jamaicanas expressivas nos Estados Unidos e, principalmente, no Reino Unido garantiu um fluxo constante entre o que era gravado na ilha e dois dos maiores mercados fonográficos do planeta. O fato de as músicas serem cantadas em inglês contribuiu para sua disseminação.

    Na década de 1970, a gravadora Island investiu pesadamente na carreira do cantor e compositor Bob Marley. Com álbuns bem produzidos e extensas turnês internacionais, Marley se tornou um astro global.

    Artistas brancos anglo-americanos como Eric Clapton, Boy George (como Culture Club), The Police, Eagles e Rolling Stones adotaram a sonoridade jamaicana em diversas músicas de sucesso. O reggae também influenciou músicos em países da América Latina, de Gilberto Gil aos artistas de reggaeton.

     

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