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Estas fotos são um retrato da crise econômica na Venezuela

Fotógrafo da agência de notícias Reuters colocou lado a lado produtos de uso diário e as pilhas com o dinheiro necessário para comprá-los no mercado

Desde segunda-feira (20), uma nova moeda passou a circular na Venezuela, em uma tentativa do governo de Nicolás Maduro de controlar a inflação, em meio a uma forte crise econômica vivida no país.

Em julho, o FMI (Fundo Monetário Internacional) projetou que a inflação venezuela atingirá 1.000.000% (um milhão) até o fim de 2018.

Com a mudança, o “bolívar forte” dará progressivamente lugar ao “bolívar soberano”. Em valores, as cédulas terão cinco zeros a menos. Assim, na conversão, 6 milhões de bolívares fortes passam a valer 60 bolívares soberanos que, por sua vez, equivalem a US$ 1 (cotado em quase R$ 4).

O bolívar soberano inclui moedas de 50 centavos e de um bolívar, bem como cédulas de dois, cinco, 10, 20, 50, 100, 200 e 500. Sob o bolívar forte, venezuelanos usavam notas de 1 mil, 2 mil, 5 mil, etc, até 100 mil.

Até a sexta-feira (17), dias antes de a nova moeda entrar em circulação, muitos venezuelanos disseram estar confusos sobre as medidas do governo de Maduro. Ao jornal El País, o deputado venezuelano e economista José Guerra chamou o plano de “maquiagem contábil”. Sem saber como a economia reagiria, muitos foram às compras com pilhas de cédulas da moeda desvalorizada de então, visando estocar mantimentos.

O plano do presidente Nicolas Maduro, que alega ser vítima de uma “guerra do capitalismo neoliberal” orquestrada pela oposição venezuelana, inclui ainda um novo aumento do salário mínimo, a unificação das taxas de câmbio no país, agora atreladas a uma criptomoeda chamada petro (com valor, por sua vez, atrelado ao de um barril de petróleo venezuelano).

Assim, um petro vale US$ 60, que vale 360 milhões de bolívares fortes, ou 3,6 mil bolívares soberanos.

Foi durante a semana que antecedeu o início das mudanças econômicas que um fotógrafo da agência internacional de notícias Reuters, Carlos Garcia Rawlins, que reside em Caracas, na Venezuela, fez um ensaio retratando a situação da população venezuelana em meio à desvalorização descontrolada da moeda no país.

Rawlins fez uma série, colocando na mesma imagem um produto de consumo comum ao lado da montanha de cédulas de 1.000 bolívares fortes necessários para adquiri-lo nos mercados da Venezuela. Como exemplo, para comprar um rolo de papel higiênico, era necessário que o consumidor carregasse 2,6 mil notas de 1.000 bolívares fortes, o equivalente a meros US$ 0,40 (R$ 1,60) – de acordo com a cotação usada pelo fotógrafo, “a taxa de câmbio mais amplamente usada” no momento.

Veja outros exemplos fotografados por Carlos Garcia Rawlins.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Um quilo de tomate custava aproximadamente 5 milhões de bolívares fortes, equivalente a US$ 0,76 (cerca de R$ 3)
Um quilo de tomate custava aproximadamente 5 milhões de bolívares fortes, equivalente a US$ 0,76 (cerca de R$ 3)
Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Para comprar um pacote de 1kg de arroz era necessário carregar 2,5 milhões de bolívares, equivalente a US$ 0,38 (R$ 1,54)
Para comprar um pacote de 1kg de arroz era necessário carregar 2,5 milhões de bolívares, equivalente a US$ 0,38 (R$ 1,54)
Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Um quilo de carne, em média, estava por 9,5 milhões de bolívares, ou algo como US$ 1,45 (R$ 5,87)
Um quilo de carne, em média, estava por 9,5 milhões de bolívares, ou algo como US$ 1,45 (R$ 5,87)
Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
8 milhões de bolívares era o preço de um pacote de fraldas, valor equivalente a US$ 1,22 (R$ 4,94)
8 milhões de bolívares fortes era o preço de um pacote de fraldas, valor equivalente a US$ 1,22 (R$ 4,94)
Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Por uma único sabonete, venezuelanos pagavam 3,5 milhões de bolívares (US$ 0,53 ou R$ 2,15) na semana passada
Por uma único sabonete, venezuelanos pagavam 3,5 milhões de bolívares (US$ 0,53 ou R$ 2,15) na semana passada

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