Ir direto ao conteúdo

Quais indicadores econômicos podem pautar a eleição

Debate entre candidatos será feito em meio à divulgação de dados sobre desemprego, atividade econômica e inflação

     

    Por causa da crise que começou em 2014 e que, quatro anos depois, ainda afeta grande parte da população brasileira, a economia é um dos principais temas em debate na campanha eleitoral para a Presidência da República. Candidatos e seus representantes tentam explicar os planos para melhorar as contas públicas, retomar os investimentos, ter um crescimento econômico mais robusto e recuperar o mercado de trabalho.

     

    Em seus programas de governo, os 13 presidenciáveis apresentaram os diferentes planos econômicos para o país. A campanha é o momento em que esses projetos podem ser confrontados. Até o final das eleições, o debate econômico será influenciado pelos fatos novos que acontecerão na economia nestes pouco mais de dois meses.

     

    É aí que entram os índices econômicos, que continuam sendo calculados durante a campanha pelos diferentes institutos que acompanham a evolução dos setores da economia brasileira. Muitas vezes, os números estão distantes no tempo da realidade das pessoas — o PIB, por exemplo, é anunciado quase dois meses depois do fim de um trimestre —, mas a divulgação deles é notícia. E, em período de campanha eleitoral, é provável que os dados sejam levados ao centro da discussão pelos próprios candidatos.

     

    Dados positivos, em teoria, favorecem os candidatos ligados ao governo de Michel Temer — no caso, principalmente Henrique Meirelles, que é do partido do presidente, e Geraldo Alckmin, que tem ao seu lado os principais partidos que dão sustentação ao governo e uma agenda de reformas como a de Temer. O discurso deles é o de que o país tenta sair de uma crise criada por Dilma Rousseff.

     

    Por outro lado, dados negativos servem de munição para quem faz oposição ao governo. O PT, por exemplo, que governou o país no início da crise, tem culpado a política econômica do sucessor de Dilma Rousseff pelo aprofundamento da recessão. Números ruins servirão de munição.

    O Nexo mostra os principais índices que serão divulgados nas próximas nove semanas e projeções para eles.

    Atividade econômica: 31 de agosto

    Atividade econômica é o termo mais amplo da economia: engloba tudo que o país produz, comercializa e consome. A principal medida da atividade econômica é o PIB (Produto Interno Bruto), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgado a cada três meses.

    A próxima divulgação está marcada para 31 de agosto, no mesmo dia em que começa o horário eleitoral. E esse resultado — que corresponde aos meses de abril, maio e junho — tem um forte componente político. Mesmo sem o número fechado, é certo que a economia brasileira foi afetada pelos onze dias de paralisação dos caminhoneiros no final de maio, o que puxará o crescimento para baixo.

    Dois indicadores que antecipam o resultado do crescimento do PIB mostram números diferentes, variando entre uma pequena alta e uma queda de quase 1%. O monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas, é o mais otimista: estima que a economia brasileira cresceu 0,3% no trimestre (o crescimento teria sido maior se não fosse a queda mensal de 2,6% em maio).

    O IBC-Br, índice de atividade do Banco Central, viu a economia em queda de 0,99% no trimestre, também muito por causa da paralisação que prejudicou o resultado de maio.

    Durante a campanha, o Banco Central ainda divulgará — em meados de setembro e outubro — os índices relativos aos meses de julho e agosto.

    Emprego: 30 de agosto e 28 de setembro

    O Brasil tem 13 milhões de desempregados e outros 14 milhões que gostariam de trabalhar mais e não conseguem. Esses números, referentes ao segundo trimestre, colocam o desemprego e a subocupação como um dos principais problemas econômicos no país.

    O IBGE, responsável pelo cálculo da taxa de desocupação, divulgará duas novas atualizações durante a campanha, no fim de agosto e de setembro. Os dois resultados programados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Mensal trarão a taxa de desocupação nos trimestres terminados em julho e agosto, respectivamente.

    Historicamente, a taxa de desocupação no Brasil é menor no segundo semestre do que no primeiro. Essas questões sazonais podem fazer o desemprego diminuir um pouco nos próximos meses, mas o número de desempregados deve continuar alto. O Ibre (Instituto Brasileiro da Economia) da FGV projeta uma taxa perto dos 10% no fim de 2018.

    Não haverá durante a campanha, porém, atualização na taxa de subocupação, que soma os desocupados aos que gostariam de trabalhar mais. Esse dado, que apontava falta de trabalho para 27,6 milhões de brasileiros, só voltará a ser divulgado na PNAD Trimestral, em novembro.

    Inflação: 6 de setembro e 5 de outubro

    Com o país em graves dificuldades para voltar a crescer e milhões de pessoas desempregadas ou subocupadas, a inflação deve ser um tema pouco explorado na campanha. Com exceção do índice de junho, fortemente influenciado pela greve dos caminhoneiros, o IPCA tem ficado dentro das expectativas do Banco Central.

    Especialistas consultados pelo Banco Central para o relatório Focus estimam que a variação do IPCA, índice oficial, ficará em 4,15% em 2018. A meta estabelecida pelo Banco Central é de 4,5% ao ano.

    Juros: 19 de setembro

    Durante a campanha haverá ainda uma reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central para definir a taxa básica de juros, principal mecanismo de controle da inflação no Brasil. A expectativa é de manutenção da taxa Selic em 6,5% ao ano, a mais baixa da história.

    Dólar e bolsa: constantemente

    Em época de eleições, ainda mais em um cenário eleitoral incerto como o brasileiro, a volatilidade dos preços do mercado financeiro tende a ser maior, tanto para o dólar quanto para o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira.

    A tendência é de que o dólar suba e o Ibovespa caia no curto prazo se as pesquisas mostrarem favoritismo de candidatos que não têm uma agenda afinada com o mercado financeiro. O movimento se inverte se melhorar o desempenho de candidatos que defendem as reformas de controle das contas públicas que foram iniciadas no governo Temer.

    Foi o que aconteceu na terça-feira (21), depois que pesquisas mostraram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em Curitiba, é o líder isolado nas intenções de voto e que, sem ele, a liderança passa a ser de Jair Bolsonaro (PSL). Lula foi condenado em segunda instância e corre risco de ter a candidatura barrada. Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles, candidatos que apoiam as reformas de Temer, aparecem com 7% e 1%, respectivamente.

    Essas oscilações são diárias e aconteceram também em 2014 — quando os índices melhoravam e pioravam de acordo com o desempenho do candidato do PSDB, Aécio Neves.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Mais recentes

    Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

    Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
    Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!