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As ilustradoras argentinas e brasileiras que lutam pelo direito ao aborto

Coletivos Línea Peluda e Corpas em Risco reúnem artistas que vêm disseminando desenhos em defesa da interrupção voluntária da gravidez

    Após uma campanha nacional de mais de uma década, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, em junho de 2018, um projeto de lei que legaliza o aborto até a 14ª semana de gestação no país.

    O projeto seguiu para votação no Senado argentino no dia 8 de agosto, onde foi derrubado pelos senadores.

    No Brasil, uma audiência pública realizada nos dias 3 e 6 de agosto levou ao Supremo Tribunal Federal a discussão a respeito da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação no país.

    Na sessão, que angariou informações para a votação – ainda sem data – da Ação de Descumprimento de Preceitos Fundamentais 442 (ADPF 442), foram ouvidos especialistas e organizações de diferentes campos, com posições favoráveis e contrárias à descriminalização.

    No contexto dessas discussões, pautadas pela passagem, quase concomitante, do tema pelo Judiciário brasileiro e do Legislativo argentino, formaram-se dois coletivos de ilustradoras e quadrinistas mobilizadas pela defesa do direito ao aborto.

    Surgida durante a mobilização pelo 8M, a greve internacional de mulheres realizada anualmente no dia 8 de março, o coletivo argentino Línea Peluda dissemina a mensagem de defesa do aborto legal, seguro e gratuito pelas redes sociais e nas ruas, em intervenções feitas em muros e panfletos distribuídos em manifestações.

    “A ilustração propõe uma linguagem acessível, é distribuída massivamente e aproveita a criatividade para levar a mensagem o mais longe possível, para a maior quantidade possível de pessoas, tendo o desenho como ferramenta”, diz uma reportagem de maio de 2018 do site argentino La Tinta.

    A articulação começou com um grupo de WhatsApp. O coletivo se organizou pelas redes e foi crescendo no boca a boca.

    As ilustradoras passaram a se encontrar presencialmente durante os “pañuelazos”, marchas pela legalização do aborto em que as manifestantes exibiam lenços (“pañuelos”, em espanhol) verdes, que se tornaram símbolo da campanha das argentinas pelo direito ao aborto.

    Uma das artistas do coletivo, Flora Márquez explica que a formação do grupo se deu espontaneamente, em um momento em que muitas ilustradoras cis e trans estavam produzindo desenhos sobre o tema.

    Foto: Reprodução/Instagram
    Ilustração de Flora Márquez
     
    Foto: Reprodução /Instagram
    Ilustração de Celina Villar
     
    Foto: Reprodução/Instagram
    Ilustração de @tomatoe_dibuja
     

     

    Foto: Reprodução/Instagram
    Da ilustradora @estoesazul
     

    Reverberação no Brasil

    Inspiradas no movimento Línea Peluda, brasileiras lançaram, no final de julho, o Corpas em Risco, coletivo de artes visuais e ativismo, que usa os quadrinhos para tratar de questões feministas, em particular o aborto.

    No caso brasileiro, o fato imediato em torno do qual se mobilizaram foi a audiência pública que discutiu a ADPF 442 no Supremo Tribunal Federal. A votação da ação, ainda sem data definida, pode descriminalizar o aborto no país até a 12ª semana de gestação.

     

    Assim como as argentinas, as quadrinistas, jornalistas e pesquisadoras participantes do Corpas em Risco elegeram o verde, que “tem sido usada como símbolo da descriminalização do aborto na América do Sul”, como a cor predominante das ilustrações.

    Um guia elaborado por elas dá instruções para aquelas que desejem fazer parte da mobilização.

    As publicações podem ser acompanhadas no Facebook, Twitter e Instagram, pelo perfil @corpasemrisco.

    Durante os dois dias de audiência pública sobre a ADPF 442, o coletivo acompanhou e registrou, em quadrinhos, falas de expositores, como a professora da UnB e pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética, Débora Diniz.

    Foto: Reprodução /Instagram
    Quadrinho de Aline Lemos, 2018
     
    Foto: Reprodução /Instagram
    Quadrinhos por @sirlanney
     
     

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