Ir direto ao conteúdo

A cidade que integrou os catadores ao sistema de limpeza urbana

Em Puna, na Índia, recicladores de lixo se organizaram politicamente e firmaram uma parceria com a administração municipal

     

    Integrar os catadores de lixo no sistema de coleta municipal da cidade. Esta foi a solução adotada pela cidade indiana de Puna para enfrentar o acúmulo de lixo e a insuficiência dos serviços existentes.

    Situada a cerca de 3 horas de Mumbai, Puna sentiu os efeitos do rápido crescimento populacional. Seu número de habitantes dobrou entre 1981 e 2011. Hoje, com mais de 3 milhões, é a nona maior cidade da Índia.

    A mancha urbana “engoliu” 23 vilas nas proximidades. A precarização de moradia e serviços virou a norma em diversas regiões da cidade. Cerca de 36% da população mora em favelas.

    Nesse contexto, coletores informais de lixo têm um importante papel no recolhimento e destinação de rejeitos. Em 1993, catadores e compradores de lixo da cidade formaram um sindicato para lutar por direitos e melhores condições de trabalho.

    A organização procurou divulgar a contribuição do trabalho da categoria para a limpeza urbana e o meio ambiente. Encomendou um estudo que mensurou a contribuição dos catadores para o gerenciamento de resíduos sólidos da cidade como um todo. O levantamento concluiu que a atuação desses profissionais economizava “milhões de rúpias” para o poder público.

    Com esses dados, o sindicato passou a pressionar o governo pela integração dos catadores no sistema de coleta geral. Entre outras demandas, estava a permissão de acesso aos pontos iniciais do lixo, locais de depósito em casas e comércio.

    Coleta de porta em porta

    Em 2000, o estado de Maharashtra, onde fica Puna, estabeleceu novas diretrizes de limpeza urbana que incluíam a separação do lixo, coleta de porta em porta e o processamento dos resíduos em vez do despejo diretamente em aterros.

    O governo estadual exigiu que a cidade apresentasse uma nova estratégia de manejo do lixo. O sindicato propôs então um acordo entre a administração municipal e os catadores, representados em uma cooperativa recém-formada. Os catadores passaram a coletar lixo e recicláveis nas casas e comércios enquanto que a prefeitura custeou equipamento e gastos administrativos.

    O sindicato dos catadores totaliza 9 mil membros, sendo que 80% são mulheres de castas marginalizadas e de baixo prestígio social. Cada membro paga uma taxa anual à organização e uma parcela de seguro de vida. Também têm direito a benefícios como empréstimos sem juros e apoio educacional para seus filhos.

    Na avaliação do site City Fix, da ONG World Resources Institute, foi principalmente a organização política que permitiu a conquista de direitos e um contrato com uma administração municipal. Sua atuação acabou levando a discussão sobre o deficit da limpeza urbana para a Suprema Corte indiana, que votou em favor da obrigatoriedade da coleta porta-a-porta, da reciclagem e do fim do uso de aterros.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: