A trajetória de Boulos, candidato do PSOL à Presidência

O ‘Nexo’ dá continuidade à publicação das biografias dos postulantes ao Palácio do Planalto. Neste capítulo, mostra a história do líder do MTST, que disputa uma eleição pela primeira vez

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Guilherme Castro Boulos é o candidato do PSOL à Presidência da República nas eleições de 2018. Nasceu em São Paulo, em 19 de junho de 1982. Tem, portanto, 36 anos.

É filho caçula de Marcos Boulos e Maria Ivete Castro Boulos, ambos médicos e professores da USP (Universidade de São Paulo). Tem duas irmãs.

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é o patrimônio declarado por Guilherme Boulos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2018, valor de um veículo do candidato

O que fez até disputar a primeira eleição

Até parte da adolescência, Boulos teve uma história igual à de muitos jovens de classe média paulistana. Mas, aos 15 anos, deu os primeiros passos em direção à política.

Passou a integrar a UJC (União da Juventude Comunista), movimento secundarista que tem sua origem no PCB (Partido Comunista Brasileiro). Pouco depois conheceu o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e saiu de casa para militar pela democratização do acesso à moradia.

Boulos é hoje um dos coordenadores nacionais do MTST, movimento social em evidência na cena política recente e que tem entre suas frentes de ação a ocupação de imóveis e terrenos ociosos em grandes cidades.

Foi na militância que ele conheceu Natalia Szermeta, integrante do MTST, com quem é casado e tem duas filhas. Szermeta também participa da campanha presidencial, na elaboração do programa de governo do candidato.

Boulos tem formação em filosofia, mestrado em psiquiatria, já foi professor na rede pública e leciona em uma escola de especialização.

Os cargos públicos que ocupou até aqui

Boulos nunca exerceu cargos públicos ou de indicação política. Ele se tornou figura pública em razão da atuação à frente do MTST. Entre 2014 e 2017, foi colunista do jornal Folha de S.Paulo.

A articulação política liderada por Boulos dentro movimento e os protestos de rua (a exemplo dos atos organizados antes da Copa do Mundo do Brasil de 2014) que ele encabeçou fizeram com que autoridades públicas dessem atenção a ele e ao MTST.

A essas manifestações o candidato atribui resultados como a liberação de recursos do Minha Casa Minha Vida e mudanças em legislações municipais que transformaram áreas privadas ou públicas em região de moradia para sem-tetos.

Também em razão de protestos, Boulos já foi preso e responde a processos judiciais, os quais, para ele, são uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais.

Qual sua trajetória partidária

 

O candidato se afastou da militância da UJC aos 18 anos. A primeira filiação foi ao PSOL, em março de 2018, já parte do projeto dele e da legenda de disputar a Presidência da República.

Esta será a primeira campanha eleitoral de Boulos. Ele não tinha vínculo com o PSOL, mas se aproximou da sigla aos poucos, consequência da militância no MTST.

A participação de Boulos nos atos contrários ao impeachment de Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016, reforçou a imagem do agora candidato, em especial na capital paulista, palco dos maiores protestos pró e anti-PT.

Em pouco tempo, quadros do próprio PT vislumbravam no militante um sucessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no campo da esquerda. Boulos classifica a prisão de Lula pela Lava Jato como “injusta” e “sem provas”.

Apesar da proximidade com a causa petista, o candidato se diz um crítico do PT, a exemplo do que pensam integrantes do PSOL – formado inicialmente por ex-petistas.

“[O PT não enfrentou] temas essenciais como uma reforma política, a democratização das comunicações, uma reforma tributária, combate a privilégios do andar de cima. Nunca deixei de colocar isso publicamente, nem em conversas com o próprio Lula”

Guilherme Boulos

em entrevista ao site El País, publicada em 30 de abril de 2018

A escolha de Boulos como candidato causou divergências no PSOL. Membros se queixaram da proximidade do ativista com Lula e de falta de debate interno para a definição da candidatura. A crítica é rebatida pela direção da legenda.

Onde está no espectro ideológico

 

Boulos se apresenta como um representante de esquerda. Ele se opõe a medidas do governo Michel Temer, como a criação de um limite para gastos públicos, a reforma trabalhista (em vigor desde novembro de 2017) e a proposta de reforma da Previdência, que não avançou.

“No Brasil é muito fácil ser [considerado] radical. Defender a igualdade racial é coisa de radical. (...) O debate político foi levado de uma maneira tão irresponsável à direita que basta você ficar parado que você virou extrema esquerda no dia seguinte. Se defender a igualdade social, eu sou [radical]. Se defender a democratização do Estado é ser radical, eu sou. Se defender liberdades individuais sem concessões, direitos civis e democráticos é ser radical, eu sou”

Guilherme Boulos

em entrevista ao site BBC Brasil, publicada em 26 de abril de 2018

Em suas propostas iniciais para o programa de governo, o candidato enfatiza a participação do Estado no combate à desigualdade social e uma reforma tributária progressiva, que onere mais os mais ricos (taxando grandes fortunas, por exemplo) e cobre menos dos mais pobres.

Boulos defende o direito de as mulheres interromperem a gravidez e diz que a legalização do aborto é um tema a ser debatido pela perspectiva da saúde pública. O candidato é a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e é contra a liberação do porte de armas no país.

O ponto fraco

A falta de estrutura

Boulos ainda é pouco conhecido entre a maioria do eleitorado e o PSOL tem uma estrutura pequena, se comparado com legendas como PT, MDB e PSDB. Esses partidos têm mais dinheiro, mais filiados e mais políticos eleitos, o que confere a suas candidaturas mais palanques nos estados e mais tempo no horário eleitoral. Até o momento, a intenção de votos em Boulos oscila entre 0 e 1%, de acordo com pesquisa Datafolha de junho de 2018.

O ponto forte

A liderança na esquerda

Boulos é um nome forte entre movimentos sociais, resultado de sua atuação no MTST. O candidato conquistou simpatia dentro de grupos perante os quais o PT se desgastou nos últimos anos em razão da crítica de que o partido se afastou de suas bandeiras históricas quando assumiu a Presidência.

Quem é sua vice

Integra a chapa Sônia Guajajara, líder indígena e professora da rede pública, também filiada ao PSOL. Nascida em Amarante do Maranhão (MA), tem 44 anos. Sua trajetória política se fez na militância por direitos de povos indígenas, participando de conselhos e em protestos pela demarcação de terras.

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