A trajetória de Alvaro Dias, candidato do Podemos à Presidência

O ‘Nexo’ dá sequência às biografias dos postulantes ao Palácio do Planalto. Neste capítulo, mostra a história do senador que vai disputar uma eleição presidencial pela primeira vez

Alvaro Fernando Dias é o candidato do Podemos à Presidência da República nas eleições de 2018. Ele nasceu em Quatá, interior de São Paulo, em 7 de dezembro de 1944. Tem, portanto, 73 anos.

É filho do agricultor Silvino Fernandes Dias e da dona de casa Helena Fregadolli. O casal, que já morreu, teve dez filhos.

R$ 2,9 milhões

é o patrimônio declarado por Alvaro Dias ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2018

O que fez até disputar a primeira eleição

Os pais de Alvaro Dias se mudaram para o norte do Paraná na década de 1940, depois de comprar terras na região de Londrina, onde cultivaram principalmente café.

Alvaro Dias se formou em história pela Universidade Estadual de Londrina. Na juventude, também trabalhou administrando propriedades da família. Seu caminho para a política começou no rádio, onde trabalhou como apresentador, locutor e redator em Maringá, outra cidade da região.

Os cargos públicos que ocupou até aqui

Em 1968, Alvaro Dias foi eleito vereador em Londrina, aos 23 anos. Em 1970, chegou à Assembleia Legislativa paranaense. Quatro anos depois, com a maior votação do estado, tornou-se deputado federal.

Depois de duas legislaturas na Câmara, decidiu disputar uma vaga ao Senado em 1982, quando conquistou seu primeiro mandato para o cargo, interrompido por uma experiência no Executivo.

Foi em 1986 quando se candidatou a governador do Paraná e venceu. Alvaro Dias foi um dos 22 chefes de executivos estaduais eleitos pelo PMDB na eleição daquele ano — em 23 estados com eleição em disputa.

Sua gestão foi marcada por uma ampla reforma administrativa. E também por um episódio de 1988, quando a cavalaria da PM foi usada para dissipar um protesto de professores. Alvaro Dias nega truculência na ocasião e diz que há uma “exploração política descabida” do caso.

O político tentou viabilizar uma candidatura presidencial duas vezes, ambas sem sucesso. Em 1989, ainda como governador, perdeu as prévias do PMDB para Ulysses Guimarães. Em 1994, chegou a ter seu nome lan��ado pelo PP, mas acabou desistindo para apoiar Fernando Henrique Cardoso.

Em 1998 ele voltou a vencer para o Senado, onde permanece até hoje, em mandatos marcados por um forte discurso anticorrupção e atuação destacada em CPIs, em especial durante os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Disputa agora em 2018 sua primeira eleição presidencial.

 

Qual sua trajetória partidária

Álvaro Dias já foi filiado a sete partidos diferentes. São eles:

  • MDB: Movimento Democrático Brasileiro (1968-1991)
  • PST: Partido Social Trabalhista (1991-1993)
  • PP: Partido Progressista (1993-1995)
  • PSDB: Partido da Social Democracia Brasileira (1995-2001)
  • PDT: Partido Democrático Trabalhista (2001-2003)
  • PSDB: Partido da Social Democracia Brasileira (2003-2016)
  • PV: Partido Verde (2016-2017)
  • Podemos (desde 2017)

Sua trajetória no MDB, que começou no período do bipartidarismo no Brasil, acabou após ser derrotado por Ulysses Guimarães nas prévias para a eleição de 1989. A partir daí, Dias iniciou um período de rápidas mudanças.

Primeiro, ajudou a fundar o Partido Social Trabalhista em 1991. A legenda se fundiu com o PRT e se transformou no PP (Partido Progressista).

Na disputa pelo PP, Alvaro Dias se desentendeu com o ex-governador de Brasília Joaquim Roriz. Em 1995, deixou o partido rumo ao PSDB, onde ficou até ser expulso em 2001. A expulsão ocorreu porque ele assinou um requerimento pela criação da CPI da Corrupção durante o governo FHC, do mesmo partido.

Depois, Alvaro Dias transferiu-se para o PDT, mas por pouco tempo. Em 2003, com a chegada de Lula à Presidência, voltou para o PSDB, onde ficou por mais 12 anos. Ainda teve uma passagem pelo PV até chegar ao atual Podemos, antes denominado PTN, que lhe garantiu a legenda para disputar a Presidência.

Onde está no espectro ideológico

Alvaro Dias é um candidato de centro-direita, liberal na economia e conservador nos costumes.  É a favor de privatizações, exceto do que chama de “instituições”: Petrobras, Caixa, Banco do Brasil e BNDES.

“O Estado ideal [é], inteligente, moderno, que permita liberdade de empreender e consumir. Estado menor, sociedade maior”

Alvaro Dias

em entrevista ao Nexo

No governo Michel Temer, Alvaro Dias votou contra a reforma trabalhista, um dos principais projetos do presidente que ascendeu ao poder com o impeachment de Dilma Rousseff.

Sobre o aborto, considera “a legislação atual suficiente”, pela qual o procedimento é considerado crime, exceto em casos de estupro ou risco de vida para a mulher grávida. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, considera que é um “assunto resolvido”, já que foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal e há projetos para inclusão no Código Civil.

É “radicalmente contra” a descriminalização das drogas e propõe “uma frente latinoamericana de combate à produção e ao tráfico de drogas”.

Quais são seus pontos fracos

A estrutura partidária

O Podemos é um partido pequeno, que dará pouco tempo de TV e estrutura regional ao candidato. Alvaro Dias é bastante conhecido no Paraná e no Sul como um todo, mas tem pouca entrada em outras regiões do país.  

Quais são seus pontos fortes

O discurso anticorrupção

Ao se filiar ao Podemos, avisou que queria agregar procuradores da Lava Jato ao partido. Não conseguiu, mas tem repetido que em caso de vitória seu ministro da Justiça será o juiz Sergio Moro. Faz do combate à corrupção uma bandeira.

Quem é seu vice

O economista Paulo Rabello de Castro será o vice da chapa de Alvaro Dias. Ele chegou a se lançar pré-candidato pelo PSC, mas acabou desistindo na reta final.

Rabello de Castro nunca disputou eleição, mas recentemente trabalhou no governo de Michel Temer. Primeiro, presidiu o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), depois foi deslocado para a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O vice tem uma visão liberal da economia e doutorado na Universidade de Chicago. Rabello de Castro tem 69 anos.

NOTA DE ESCLARECIMENTO: O valor do patrimônio declarado pelo candidato à Justiça Eleitoral foi tornado público após a publicação do texto. A informação foi atualizada às 13h03 do dia 15 de agosto.

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