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A trajetória de Alckmin, candidato do PSDB à Presidência

O ‘Nexo’ dá sequência às biografias dos postulantes ao Palácio do Planalto. Neste capítulo, mostra a história do ex-governador de São Paulo que vai disputar pela segunda vez uma eleição presidencial

    Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é o candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições de 2018. Ele nasceu em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, em 7 de novembro de 1952. Tem, portanto, 65 anos.

    É filho de Myriam Penteado Rodrigues Alckmin, professora que morreu quando ele era criança, e de Geraldo José Rodrigues Alckmin, veterinário que chegou a ser chefe de gabinete na Secretaria Estadual de Agricultura no governo de Jânio Quadros. O pai morreu em 1998.

    R$ 1,39 milhão

    é o patrimônio declarado por Geraldo Alckmin ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2018

    O que fez até disputar a primeira eleição

    Alckmin foi criado pelo pai, as irmãs e uma babá em uma fazenda de Pindamonhangaba. O pai, nomeado pelo estado, era responsável pela propriedade, uma fazenda experimental do governo. A família era católica, e até hoje a religião está presente em seu discurso.

    Aos 19 anos, Alckmin entrou para a Faculdade de Medicina em Taubaté e, ainda no primeiro ano de curso, envolveu-se com a política partidária. Em 1972, filiado ao MDB, disputou a primeira eleição.

    Os cargos públicos que ocupou até aqui

    Alckmin está na política desde 1972. A partir dali, só ficou sem cargo eletivo por alguns meses em 1982 e nos quatro anos entre 2006 e 2010.

    Começou na Câmara Municipal de Pindamonhangaba. Aos 19 anos, foi eleito o vereador mais jovem da história da cidade. Quatro anos depois, venceu a eleição por 67 votos e tornou-se também o prefeito mais jovem.

    Aos 24 anos assumiu o comando de sua cidade natal e exerceu o cargo até os 30. Era prefeito de Pindamonhangaba quando se casou com Maria Lúcia, mãe de seus três filhos – Thomas, o mais velho, morreu em 2015 em um acidente de helicóptero.

    Ao terminar o único mandato como prefeito, candidatou-se à Assembleia Legislativa de São Paulo, onde ficou por um mandato. Em seguida, foi eleito deputado constituinte e ficou no Congresso até meados dos anos 1990.

    Na eleição paulista de 1994, Alckmin foi escolhido para ser vice de Mário Covas naquela que foi a primeira das seis vitórias seguidas do PSDB no estado. Dessas seis vitórias, ele esteve presente em cinco.

    Mais uma vez com Alckmin como vice, a chapa de Covas conseguiu a reeleição em 1998. Dois anos depois, Alckmin se candidatou a prefeito de São Paulo. Ficou em terceiro lugar, 8.000 votos atrás de Paulo Maluf, que veio a ser derrotado no segundo turno por Marta Suplicy.

    Se tivesse sido eleito prefeito, Alckmin não teria assumido o governo do estado um ano depois. Mário Covas, que enfrentava um tratamento contra um câncer, morreu no dia 6 de março de 2001. O então vice passou a liderar o governo, onde ficou até o fim. Em 2002, ele se reelegeu.

    Nas eleições seguintes, em 2006, Alckmin foi o candidato do PSDB à Presidência da República pela primeira vez. Enfrentou o petista e então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia conquistado bons números na economia, apesar do desgaste do mensalão. Derrotado no pleito, Alckmin chegou a ter menos votos no segundo turno do que no primeiro, algo inédito na disputa presidencial desde a redemocratização.

    De volta a São Paulo, perdeu a disputa pela prefeitura da capital em 2008, mas foi eleito e reeleito governador em 2010 e 2014 – ambas vitórias no primeiro turno. Na ocasião mais recente, Alckmin foi o mais votado em 644 das 645 cidades do estado.

    Nas seguidas administrações, o hoje presidenciável viu crescer o poder do crime organizado, a partir da atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) de dentro das cadeias paulistas, ao mesmo em que reforçou a ação da polícia. Os índices de violência do estado caíram.

    Na área de transportes metropolitanos, enfrentou atrasos recorrentes nas entregas de estações de metrô e trens, assim como escândalos envolvendo a ação de um cartel internacional em contratos do setor. Um dos ex-presidentes da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos), Sérgio Avelleda, chegou a ser condenado num processo de improbidade administrativa. 

    O mais recente foco de investigações no governo paulista são as obras do Rodoanel, um megaprojeto tocado por seguidas administrações tucanas. Integrantes do governo Alckmin, como seu ex-secretário Laurence Casagrande, foram denunciados sob acusação de participar de desvios de recursos públicos.

    Qual sua trajetória partidária

    Geraldo Alckmin foi filiado a dois partidos. São eles: 

    • MDB: Movimento Democrático Brasileiro (1972 - 1988)
    • PSDB: Partido da Social Democracia Brasileira (1988 até hoje)

    Alckmin é um tucano clássico que acompanhou toda a história da sigla. Como os principais líderes do PSDB, foi filiado ao MDB durante o período da ditadura militar e do bipartidarismo.

    Em 1988, esteve ao lado de Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, José Serra e outros políticos que deixaram o maior partido do Brasil para fundar o PSDB. Segue na legenda até hoje.

    O período de maior crise veio justamente após a derrota na eleição presidencial de 2006. Alckmin ficou sem cargo público e buscou, contra a vontade de líderes nacionais, eleger-se prefeito paulistano em 2008.

    Governador do estado que havia deixado a prefeitura paulistana, José Serra tinha candidato próprio: Gilberto Kassab, então no DEM, que disputava a reeleição (ele havia herdado o cargo com a saída de Serra da prefeitura para disputar o governo do estado dois anos antes).

    Alckmin não conseguiu sequer ir ao segundo turno. No ano seguinte, aceitou o cargo de secretário de Desenvolvimento no governo estadual de Serra.

    O tucano de Pindamonhangaba retomou o protagonismo a partir de 2010. Foi eleito novamente para o comando do estado de São Paulo e reeleito quatro anos depois.

    Nessas duas campanhas pesam suspeitas contra ele. Segundo delatores da Odebrecht, Alckmin recebeu algo em torno de R$ 10 milhões por meio de seu cunhado. As suspeitas não estão sendo investigadas na área criminal, e sim no âmbito da Justiça Eleitoral, que lida com caixa dois.

    Em 2017, com a derrocada do senador Aécio Neves em meio ao escândalo da JBS, Alckmin tornou-se presidente nacional do PSDB e despontou como nome do partido para disputar a Presidência da República pela segunda vez.

    Onde está no espectro ideológico

    O partido de Alckmin, o PSDB, foi fundado para ser social-democrata, de centro-esquerda, mas acabou se deslocando à direita no espectro político-ideológico com o passar dos anos, em especial após a experiência dos governos Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, os anos de oposição ao governos petistas.

    O Estado, na visão do candidato, deve ser “planejador, regulador e fiscalizador”, mas não pode tentar tomar o lugar do setor privado. Alckmin defende a diminuição do poder estatal, a redução da carga tributária e a reforma trabalhista aprovada pelo governo Michel Temer. Pretende resolver o problema das contas públicas cortando gastos e fazendo a reforma da Previdência.

    Em 2006, quando foi candidato à Presidência pela primeira vez, disse ser contrário ao aborto e favorável ao “planejamento familiar”. O tucano é contra a descriminalização das drogas, porque acredita que “não tem comprovação de que a legalização poderia trazer benefício maior”.

     

    Os pontos fracos

    O centrão e Temer

    Alckmin é um político tradicional que fechou uma aliança com o centrão, grupo suprapartidário de políticos de centro-direita associados ao fisiologismo e comumente envolvido em escândalos. Além disso, o PSDB foi o principal patrocinador da ascensão ao poder de Michel Temer, numa aliança pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Apoiou ainda as reformas do governo do presidente, que é o mais mal avaliado da história recente.

    As suspeitas ao redor

    A gestão de Alckmin no estado registrou escândalos como o cartel de trens, a máfia da merenda e os desvios no Rodoanel. Pessoalmente, Alckmin não é alvo de denúncias de corrupção, mas foi citado nas delações da Odebrecht, maior empreiteira do Brasil, num caso que está sendo investigado no âmbito eleitoral.

    A imagem paulista

    Alckmin tem sua imagem associada a São Paulo, com dificuldades de entrada no eleitorado de regiões importantes como o Nordeste. E chega ao início da campanha sem apoio popular, com intenção de votos que não atinge dois dígitos.

    Os pontos fortes

    A experiência administrativa

    Sozinho, Alckmin governou o estado mais rico do país por cerca de 12 anos desde 2001. Venceu duas eleições como vice de Covas e três como candidato principal, as duas últimas no primeiro turno. Nos últimos anos, com o país em crise, conseguiu manter as contas do estado em melhor condição que o governo federal.

    Um partido grande

    O PSDB já governou o Brasil e sempre esteve entre os partidos mais votados na disputa pela Presidência. É um dos que mais elegem governadores, deputados e senadores. Nas eleições municipais de 2016, foi uma das legendas que mais cresceram. Somado ao fato de ter fechado várias alianças, Alckmin disporá de uma grande estrutura pelo Brasil.

    O maior tempo de TV

    Alckmin terá o maior tempo de TV entre os candidatos à Presidência e garantiu isso ao se aliar ao chamado centrão, bloco que DEM, PP, Solidariedade, PRB e PR. Ele também se associou a outros partidos.

    Quem é seu vice

    O centrão, grupo de partidos que se aliou a Alckmin, indicou a senadora gaúcha Ana Amélia para ser a vice do tucano. Eleita pelo PP em 2010, a senadora pode ajudar Alckmin com um eleitorado conservador que migrou do PSDB para o candidato do PSL, o capitão da reserva Jair Bolsonaro.

    De forte discurso antipetista, a senadora coloca Alckmin ainda mais à direita. Ela é ligada ao MBL (Movimento Brasil Livre), tem boa aceitação entre os ruralistas e no eleitorado do Sul do país. Ana Amélia votou a favor das principais medidas do governo de Michel Temer. A senadora tem 73 anos e é formada em comunicação social.

    NOTA DE ESCLARECIMENTO: O valor do patrimônio declarado pelo candidato à Justiça Eleitoral foi tornado público após a publicação do texto. A informação foi atualizada às 17h05 do dia 13 de agosto.

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