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A estratégia desta pesquisadora para tornar a ciência melhor para as mulheres

Para corrigir a invisibilidade feminina, a britânica Jess Wade tem escrito e incluído perfis de centenas de cientistas na Wikipédia

     

    Formada em física, a cientista britânica Jess Wade realiza atualmente seu pós-doutorado em plásticos eletrônicos no Imperial College London. Além disso, criou cerca de 270 perfis de cientistas mulheres na Wikipédia, entre 2017 e 2018.

    Para ela, filha de médicos, a trajetória rumo à carreira científica foi natural. Somente ao chegar ao PhD foi que Wade descobriu o isolamento de ser mulher (ou de pertencer a qualquer outro grupo minoritário) na ciência, e como essa condição molda as experiências do dia a dia e amplifica os desafios profissionais.

    No Reino Unido, a porcentagem de graduandas em Física de alto desempenho está estagnada em 21%. Entre os profissionais da engenharia, apenas 9% são mulheres no país, proporção que está entre as mais baixas do mundo. 

    Wade passou a se engajar dando palestras em escolas, encorajando meninas a seguirem a carreira científica. Mas logo se tornou crítica das estratégias adotadas no Reino Unido para aumentar a representatividade das mulheres na ciência.

    “Há tanta energia, entusiasmo e dinheiro sendo gastos nessas iniciativas para atrair meninas para a ciência. Nenhuma delas é baseada em dados e nenhuma funciona. É muito anticientífico, isso é o que me surpreende”, disse Wade em entrevista ao jornal The Guardian publicada no fim de julho de 2018.

    Baseando seu ativismo em evidências concretas, a cientista passou a conversar também com professores e pais, não somente com alunas. E, ao verificar o alcance do upload de imagens científicas feito por ela na plataforma Wikimedia Commons, decidiu fazer o mesmo com a biografia de mulheres da ciência. Sua meta era criar uma nova página por dia, mas há dias em que a pesquisadora chega a criar três.

    Entre as mulheres incluídas por Wade na enciclopédia livre online estão Gladys West, matemática negra, americana, que contribuiu para a criação do GPS, a cientista climática Kim Cobb e a engenheira Roma Agrawal.

    Além da estratégia virtual, a cientista também distribui cópias do livro “Inferior: How Science Got Women Wrong and the New Research that’s Rewriting the Story”, lançado em 2017 pela jornalista inglesa Angela Saini, para amigos, familiares e colegas em conferências internacionais.

    O livro faz uma revisão de concepções sexistas apresentadas por cientistas – em sua maioria, homens – ao longo dos séculos, e apresenta novas teorias científicas sobre o corpo e a mente das mulheres.

    Wade também nomeia continuamente colegas mulheres para prêmios científicos.

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