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As bibliotecas mais bonitas do mundo, segundo este fotógrafo

Em livro lançado pela editora Taschen, italiano Massimo Listri exibe registros de bibliotecas como a do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro

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    Em 1955, quando o escritor Jorge Luis Borges já havia perdido quase totalmente a visão, ele foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Argentina. Em um poema escrito por ele naquele ano, o argentino falou da “magnífica ironia” de Deus de colocá-lo em tal posto sob tal condição. Logo ele, que imaginava o Paraíso “como uma espécie de biblioteca”.

    Em um livro lançado em julho pela editora Taschen, o fotógrafo Massimo Listri foi atrás da beleza divina das bibliotecas. Com 560 páginas, o volume é preenchido de registros do italiano – conhecido pela seu apreço à beleza de interiores de construções – das “mais antigas e importantes bibliotecas ao redor do mundo”.

    As instituições escolhidas são reverenciadas pelo seu valor histórico, sua relevância arquitetônica ou ainda pela preciosidade das obras que guardam. Abaixo, algumas das bibliotecas presentes em “Massimo Listri: The World's Most Beautiful Libraries”.

    Real Gabinete Portuguê̂s de Leitura

    Com a proposta de funcionar como “gabinete de leitura”, espaço que guarda e cede temporariamente livros visando instigar a leitura e elevar o grau de instrução dos locais, um grupo de mais de 40 portugueses fundou em 1837 o Real Gabinete Português de Leitura, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

    A atual sede, no entanto, foi construída apenas entre 1880 e 1887, inaugurada com a participação da família real e seguindo projeto neomanuelino – que remete ao reinado de D. Manuel (1495-1521) – do arquiteto lusitano Rafael da Silva e Castro.

    Desde 1900, o Real Gabinete é aberto ao público. Sua biblioteca, com mais de 350 mil obras, é definida pela própria instituição como “a maior e a mais valiosa” de obras de autores portugueses fora de Portugal. Até hoje, é também a única a receber um exemplar de cada obra publicada em território português.

    Entre suas raridades, estão a primeira edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, impressa em 1572; e ainda manuscritos de “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, e “Dicionário da Língua Tupy”, de Gonçalves Dias. 

    Foto: Massimo Listri/Reprodução/Taschen
    Real Gabinete Portuguê̂s de Leitura, no Rio de Janeiro
    Real Gabinete Portuguê̂s de Leitura, no Rio de Janeiro

    Biblioteca Apostólica Vaticana

    Localizada na Cidade do Vaticano, a biblioteca papal é a mais antiga instituição do tipo na Europa. Seu acervo é composto de dezenas de milhares de documentos oficiais da Igreja Católica – o que inclui arquivos secretos –, manuscritos bíblicos, clássicos gregos, obras de arte (de pinturas a esculturas a móveis e objetos como moedas antigas) e mais de 1 milhão de livros impressos reunidos por séculos, desde antes da sua construção, em 1475 (durante o pontificado do Papa Nicolau 5º), até hoje.

    A Biblioteca do Vaticano é aberta para pesquisadores e, desde 2014, tem uma parte crescente do seu acervo digitalizada.

    Foto: Massimo Listri/Reprodução/Taschen
    Biblioteca Apostólica Vaticana, na Cidade do Vaticano
    Biblioteca Apostólica Vaticana, na Cidade do Vaticano

    Biblioteca da Abadia de Kremsmünster

    Fundada dentro de um monastério beneditino na cidade de Kremsmünster, na Áustria, a biblioteca em sua forma atual foi construída em estilo barroco entre 1680 e 1689 – a abadia contou com outras construções desde sua formação, ainda em 777.

    Seu acervo, guardado sob o teto preenchido por afrescos, é composto por cerca de 160 mil volumes, entre eles raridades como o Codex Millenarius, códice do século 8 que retrata os quatro evangelistas simbolizados como figuras aladas de homem (Mateus), leão (Marcos), boi (Lucas) e águia (João).

    Foto: Massimo Listri/Reprodução/Taschen
    Abadia de Kremsmünster, na Áustria
    Abadia de Kremsmünster, na Áustria

    Biblioteca do Trinity College

    Dentro da instituição de educação superior mais antiga da Irlanda está o primeiro prédio (concluído em 1732) dedicado à guarda do principal acervo de manuscritos e livros do país, hoje com cerca de 3 milhões de itens.

    No local, o italiano Massimo Listri registrou a vista do salão principal da “Velha Biblioteca” – assim chamada para se diferenciar das outras sete mais jovens construídas depois dela – com 65 metros de extensão, repleto de estantes simétricas feitas de carvalho. Dentre suas raridades, estão volumes originais de autores como Oscar Wilde e Samuel Beckett, bem como os Livros de Durrow e de Kells, manuscritos cristãos iluminados (ilustrados em ouro e prata) com narrativas dos evangelhos.

    Foto: Massimo Listri/Reprodução/Taschen
    Biblioteca do Trinity College, na Irlanda
    Biblioteca do Trinity College, na Irlanda

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