Ir direto ao conteúdo

A arrecadação e as despesas do governo em 2018 em 4 gráficos

Deficit das contas públicas no primeiro semestre é o menor em três anos, mas tende a se aprofundar até dezembro

    O Ministério da Fazenda anunciou, na sexta-feira (27), que o governo gastou R$ 32,8 bilhões a mais do que arrecadou no primeiro semestre de 2018. O resultado, apesar de negativo, é o melhor desde 2015, quando o problema das contas públicas no Brasil ainda estava no início.

    O resultado diz respeito às contas do chamado governo central, que inclui a arrecadação e as despesas do governo federal, do Banco Central e da Previdência Social. Todos os dados estão corrigidos pela inflação do período.

    Em 2018

     

    O resultado melhor que nos anos anteriores foi possível graças a um aumento na receita. Nos seis primeiros meses do ano, as despesas até aumentaram na comparação com 2017, mas a arrecadação subiu mais.

    Em 2017, o governo arrecadou R$ 573 bilhões entre janeiro e junho. Em 2018 esse número foi de R$ 613 bilhões, cerca de R$ 40 bilhões a mais.

    Os primeiros semestres

     

    O Brasil estabeleceu uma meta de resultado primário no final dos anos 1990, quando colocou o superávit primário como uma das três bases do tripé macroeconômico - as outras são câmbio flutuantes e meta de inflação. O ano de 2014 foi o primeiro com deficit primário desde que se estabeleceu a regra, mas no primeiro semestre a situação ainda era favorável, com receitas maiores que despesas.

    Desde então, o que se viu foi um crescimento dos gastos acompanhado de uma forte queda das receitas, que só foi revertida em 2018. Mesmo assim, as despesas ainda são maiores, gerando o deficit primário de R$ 32,8 bilhões acumulados entre janeiro e junho.

    O resultado primário

    Resultado primário é a diferença entre a receita líquida e a despesa primária. Ou seja, é tudo que o governo arrecada para seu próprio orçamento (transferências para estados e municípios, por exemplo, não entram) menos as despesas primárias - que não incluem os gastos com os juros da dívida.

    Ele é calculado mensalmente pelo governo que precisa cumprir a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A meta, quando foi implementada, era de superávit primário. Ou seja, o governo se comprometia a gastar menos do que arrecada e a usar esse dinheiro para pagar a dívida pública.

    Mas desde 2014 o país vem acumulando deficits primários. Isso significa que, mesmo sem levar em conta os juros da dívida pública, o que o governo arrecada não é suficiente para pagar os gastos. O resultado disso é que a dívida aumenta de duas maneiras: pelos juros e pela contratação de novos empréstimos.

    No gráfico abaixo, é possível comparar o resultado primário de 2018 com o dos anos anteriores.

    Mês a mês

     

    Projeção para o segundo semestre

    O gráfico anterior mostrou que os meses têm suas peculiaridades e que a sazonalidade influencia os resultados das contas. Por exemplo: janeiro é um mês em que a arrecadação é grande, com o governo recebendo vários tributos anuais. Fevereiro, ao contrário, tem apresentado deficit nos últimos seis anos.

    As diferenças entre os semestres também existem e, nesse sentido, a perspectiva atual não é boa. O segundo semestre do ano, historicamente, tem sido mais problemático para as contas do governo. Nos últimos cinco orçamentos, o deficit final do ano foi mais que o dobro do apresentado no primeiro semestre.

    Resultado de junho e dezembro

     

     

    O governo sabe disso e mantém a meta de deficit prevista para 2019 em R$ 159 bilhões. Economistas ouvidos pelo próprio Ministério da Fazenda para o relatório Prisma Fiscal projetam um deficit menor. A aposta é que o governo feche o ano com R$ 149 bilhões de deficit. Isso é R$ 10 bilhões abaixo da meta, mas ainda assim o segundo pior resultado da história do Brasil.

     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: