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O influente deboche social e político da revista Mad

Site reúne todas as edições americanas da publicação que satirizou ícones culturais e políticos, de Mickey Mouse a Alfred Hitchcock, de Richard Nixon a Barack Obama

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    “Quem, eu me preocupar?” é um bordão conhecido de qualquer leitor da revista Mad, publicação de humor criada nos Estados Unidos, mas que ganhou edições em vários países, incluindo o Brasil.

    Enunciado por seu mascote abobalhado, Alfred E. Neuman, presente em quase todas as suas capas, a frase na verdade não se aplica ao conteúdo da revista. Esse era, em grande parte, baseado nos fatos sociais, culturais e políticos do dia.

     

    Ninguém estava a salvo do deboche e sátira da Mad, independentemente da coloração política ou status cultural, de Mickey Mouse a Alfred Hitchcock, de Richard Nixon a Barack Obama. A revista foi fundada por Bill Gaines e Harvey Kurtzman em 1952.

     

    Fã da publicação, o comerciante americano Doug Gilford criou um site em que é possível conhecer todas os números da edição americana da revista, desde o primeiro, quando se chamava “Tales calculated to drive you mad” (Histórias calculadas para deixar você louco, em tradução livre). Em cada número, pode-se consultar um índice com seu conteúdo, além de muitas das páginas.

    No site, também pode-se acessar edições especiais e livros de bolso publicados pela Mad nos Estados Unidos. Um outro recurso é a possibilidade de consultar por autor, tanto roteiristas como desenhistas.

    ‘Todo mundo lia Mad’

    A influência de Mad na cultura popular dos Estados Unidos foi imensa: da contracultura dos anos 1960 a humoristas de décadas mais recentes como os criadores de “Os Simpsons” e ao apresentador de TV Stephen Colbert.

     

    “Basicamente, todo mundo que foi jovem entre 1955 e 1975 lia Mad, e é dela que vinha seu senso de humor”, comentou Bill Oakley, produtor de “The Simpsons”, à Associated Press.

    O humor absurdo de Don Martin, as tiras de Sergio Aragonés, a seção O Lado Irônico, os duelantes espiões de Spy Vs Spy e as sátiras de filmes e programas de TV estão entre os destaques da época de ouro da revista, entre as décadas de 1960 e 1980.

     

    O impacto de Mad foi levado a sério por muitos intelectuais. “Havia um espírito de sátira e irreverência na Mad que foi muito importante, e ela era o único lugar em que se podia achar isso”, afirmou a autora feminista Gloria Steinem. Já Marshall McLuhan, professor e teórico da comunicação canadense, mencionou a “repentina eminência” da publicação, que ele atribuiu à sua “repetição absurda e bacana das formas de mídia quentes como fotografia, rádio e cinema”.

    A edição brasileira da Mad foi publicada quase que ininterruptamente entre 1974 e 2017, por diferentes editoras.

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