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A mecenas que doou mais de US$ 5 milhões a mulheres artistas

Bolsa elege anualmente artistas visuais americanas acima dos 40 anos, reconhecendo seu trabalho e incentivando-as a continuarem

    Desde 1996, o prêmio Anonymous Was a Woman concede uma bolsa de US$ 25 mil a artistas mulheres acima dos 40 anos, como reconhecimento e incentivo a sua produção.

    Mais de 200 eleitas – entre elas, a documentarista Laura Poitras e a pintora Amy Sherald, autora do retrato oficial da ex-primeira-dama Michelle Obama – já foram beneficiadas pelo subsídio, cuja soma ao longo dos anos chega a  US$ 5,5 milhões. Até recentemente, o filantropo por trás da bolsa não era conhecido.

    Em entrevista ao jornal The New York Times publicada em 20 de julho de 2018, a fotógrafa americana Susan Unterberg se revelou fundadora e financiadora da organização.

    Recebeu, desde então, centenas de e-mails e manifestações de gratidão pelas redes sociais, de pessoas comuns e artistas que atestaram a importância da iniciativa.

    A escolha de se apresentar, enfim, como mecenas se deve ao momento atual: segundo Unterberg, um momento político, uma boa hora para as mulheres se fazerem ouvir e para enfatizar a importância das artes, que não tem sido reconhecida pelo atual governo americano de Donald Trump.

    Antes disso, o receio de que sua atuação filantrópica interferisse na recepção de sua própria obra fez com que ela preferisse o anonimato, disse a artista ao site Artnet News.

    Com a revelação, a expectativa de Unterberg é de aumentar a visibilidade do trabalho feito pela organização, de artistas que já foram e que venham a ser agraciados pela bolsa, além de atrair novos doadores para a causa.

    Aos 77 anos, a artista tem trabalhos fotográficos em coleções de grandes museus, como o Metropolitan Museum of Art e o MoMA, de Nova York. Quando tinha pouco mais de 40, porém, também enfrentou dificuldades e era ainda pouco reconhecida.

    Função

    O estopim da criação do prêmio foi a suspensão, em 1994, do apoio individual a artistas pelo National Endowment for the Arts, agência federal americana que financia projetos artísticos.

    Seu nome, “Anônimo foi uma mulher”, faz referência a uma frase presente no ensaio “Um Teto Todo Seu”, da escritora Virginia Woolf: “Ao longo da maior parte da História, ‘Anônimo’ foi uma mulher”. Muitas mulheres deixaram de assinar suas obras para que fossem levadas a sério.

    “[Artistas] mulheres não expõem tanto quanto os homens, e não há paridade financeira em termos do preço que o trabalho de cada um vale no mundo da arte”, disse Unterberg ao New York Times.

    A justificativa para a faixa etária acima dos 40, segundo ela, é que, ainda que haja dificuldades em todas as idades, jovens artistas mulheres, ao saírem da universidade, têm oportunidades e algumas artistas mais velhas são redescobertas.

    “São as artistas que estão no meio da carreira que são ignoradas”, disse.

    Em 2004, uma análise encomendada da bolsa, feita pela curadora Laura Hoptman, revelou que o benefício psicológico dado pelo prêmio às artistas era tão decisivo para a carreira delas quanto o benefício financeiro.

    Com ele, elas sentiam uma validação de sua posição na comunidade artística, um reconhecimento das realizações passadas e um importante voto de confiança em sua habilidade de continuar a produzir obras relevantes, um incentivo determinante para essa fase da carreira de uma artista.

    A cada ano, candidatas ao prêmio que tenham esse perfil são selecionadas por um grupo anônimo de historiadoras da arte, curadoras e artistas de todo o país que já receberam a bolsa. Após as indicações, um grupo menor elege as dez ganhadoras daquele ano.

    Os recursos que possibilitaram a fundação do prêmio provêm da herança recebida pela artista após a morte do pai, em 1992.

     

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