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Este aplicativo funciona como uma rede de catadores de recicláveis

Cataki conta com cadastro de catadores e informa número de celular para contato, materiais coletados e região por onde profissional circula

    Foto: Divulgação/Pimp My Carroça
    Aplicativo Cataki cadastra e geolocaliza catadores nas cidades
    Aplicativo Cataki cadastra e geolocaliza catadores nas cidades

    Em uma ponta, centenas de catadores em busca da maior quantidade de material reciclável possível para compor sua renda mensal. Na outra, casas e empresas que não param de acumular esse mesmo material. Entre uma e outra, basta uma ligação. Literalmente.

    É o que faz o aplicativo Cataki, que faz o cadastro de catadores e inclui informações como tipo de materiais que coletam (desde os tradicionais vidro, alumínio, papel e plástico, até óleo, eletrônicos, baterias e móveis), bairros em que atende, seu número de celular, além de seu apelido e até sua história de vida.

    Desse modo, é possível encontrar pelo mapa um catador mais próximo da sua casa, ligar para o celular informado e combinar a coleta e o valor a ser cobrado pelo serviço. 

    O aplicativo, criado em 2017 e disponível para celulares iOS e Android, é uma idealização do coletivo envolvido no Pimp My Carroça, projeto que realiza ações, como a estilização de carroças usadas por catadores, que deem visibilidade a esses profissionais.

    Em fevereiro de 2018, o Cataki recebeu o maior prêmio de inovação da Netexplo, observatório francês ligado à Unesco de tecnologias com impacto social.

    “Lutamos pelo reconhecimento dos catadores de lixo, que são verdadeiros agentes ambientais”, disse Thiago ‘Mundano’, grafiteiro, ativista e idealizador do Pimp My Carroça na cerimônia de entrega do prêmio, em Paris. “O aplicativo é uma forma alternativa de aumentar a renda dos catadores com um benefício ambiental sem preço.”

    Foto: Divugalção/Pimp My Carroça
    Grafiteiro e ativista Mundano, durante palestra
    Grafiteiro e ativista Mundano, durante palestra

    O aplicativo conta ainda com uma seção com informações sobre cada tipo de material possível de ser descartado ou reciclado. Ele diz, por exemplo, que “resíduos misturados” são os “piores materiais para os catadores” e têm um valor muito baixo; que óleo deve ser coado em uma garrafa PET com tampa, antes de ser entregue ao catador; e que eletrônicos são pouco reciclados mas “têm valor mais alto”.

    De acordo com o site do Cataki, há mais de 800 mil catadores em atividade no Brasil, mas apenas 650 estão registrados no aplicativo em 135 cidades, sendo a maioria em São Paulo (SP) e Recife (PE).

    O aplicativo e a principal forma de contato (ligação telefônica) foram pensados para que o maior número de catadores fosse contemplado. O cadastro, inclusive, pode ser feito pelo próprio catador, mas também por qualquer outra pessoa que tenha o contato, as informações e a autorização do profissional.

    “Como se trata de uma população muito vulnerável que ainda sofre com a exclusão digital, nós pensamos num conceito colaborativo que não demandaria muita tecnologia e sem nenhuma barreira de entrada”, disse Breno Castro Alves, ex-coordenador do aplicativo, em entrevista ao G1 em fevereiro.

    “O Cataki propõe um contato real, permitindo que pessoas de diferentes classes sociais conversem sobre um problema comum (...) Uma coisa de valor e que os catadores precisam é de atenção. Sentar junto e conversar. Ter alguém que te trata como pessoa e não como um ser invisível já é um ganho social muito importante. Esse é um ganho de rede e não de tecnologia.”

    Breno Castro Alves

    Ex-coordenador do Cataki

    ESTAVA ERRADO: A versão original deste texto apontava Breno Alves como atual coordenador do projeto Cataki. Em maio de 2018, ele deixou o cargo, atualmente ocupado por Giziane Dias. O texto foi corrigido às 19h23 do dia 30 de julho de 2018.

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