O que esta imagem diz sobre a imensidão do universo

Com dados coletados por seu telescópio infravermelho mais potente, a Agência Espacial Europeia mostrou a quantidade de galáxias que uma estreita faixa do espaço reúne

    Foto: Reprodução/ESA/Herschel/SPIRE
    Cada um dos pontos da imagem representa uma galáxia
    Cada um dos pontos da imagem representa uma galáxia

    Olhe de perto: cada ponto luminoso que você enxerga acima representa uma galáxia distante, localizada em uma pequena porção do universo. Cada uma delas foi mapeada pelo Laboratório Espacial Herschel, da ESA (Agência Espacial Europeia), e compilada nesta fotografia, divulgada na última segunda-feira (16).

    O satélite em questão foi batizado em homenagem a William Herschel, astrônomo alemão naturalizado britânico que viveu nos séculos 18 e 19. Entre outras contribuições, ele se destacou por ter descoberto o planeta Urano, duas luas de Saturno e a existência da radiação infravermelha, que serve na detecção de corpos celestes.

    Ativa entre 2009 e 2013, a sonda Herschel contava com o maior telescópio infravermelho já lançado no espaço, e capaz de receber ondas emitidas por alguns dos objetos espaciais mais distantes do universo.

    Esse telescópio era equipado com duas ferramentas que facilitavam a identificação de galáxias distantes, o SPIRE (sigla em inglês para receptor espectral e fotométrico de imagens) e a PACS (câmera fotodetectora e espectrômetro).

    O telescópio foi apontado em direção ao hemisfério celestial norte, em uma região próxima à constelação de Coma Berenices - também chamada de “Cabeleira de Berenice”. Essa “fatia” analisada compreende uma área de 660 graus quadrados, e foi descrita em um banco de dados espaciais chamado H-ATLAS.

    Utilizando informações de ondas registradas no H-ATLAS, a ESA chegou à versão final da fotografia que você vê acima. A região coberta representa 180,1 graus quadrados do céu. Tendo como base um sistema de coordenadas que considera as distâncias em nossa Via Láctea, os astrônomos puderam definir a localização de cada galáxia na imagem.

    Faixa estreita

    Apesar de já trazer incontáveis pequenos pontos, a fotografia em questão pode ser considerada um recorte ínfimo do real tamanho do espaço. Uma vez que a abóbada celeste tem área de 41.252 graus quadrados, a imagem do ESA mapeia apenas 0,43% de seu total.

    Como destacou o site Gizmodo, esquemas desse tipo, além de nos fazerem sentir extremamente pequenos, auxiliam os astrônomos a estimar melhor o tamanho do universo. Projeções atuais dizem que existam mais de um trilhão de galáxias, o que pode implicar a existência de 700 sextilhões de estrelas. Nosso Sol é uma delas.

    O que é uma galáxia

    Galáxias são definidas como sistemas de gás e poeira formados por bilhões de estrelas. A galáxia onde se encontra o Sol, astro no qual a Terra orbita, se chama Via Láctea e tem diâmetro estimado em 100 mil anos-luz. Sabe-se que ela abriga pelo menos 100 bilhões de estrelas - 14 para cada humano que existe na Terra. Planetas, estrelas e outros corpos celestes permanecem juntos pela ação da gravidade.

    Como a Via Láctea, algumas galáxias tem formato de espiral. Segundo definiu Edwin Hubble, há outros dois tipos, as ovais, chamadas também de elípticas, e outras mais irregulares, que se assemelham a espécies de bolhas. A luz que elas emitem - e que é detectada por telescópios humanos - tem origem nas estrelas que estão dentro delas.

    ESTAVA ERRADO: Uma versão anterior deste texto apontava erroneamente que a sonda Herschel havia saído da galáxia para o trabalho de identificação, o que não aconteceu. A informação foi corrigida às 15h05 no dia 20 de julho de 2018.

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