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O que é ‘Fortnite’. E o que ajuda a explicar o seu sucesso

Misturando elementos lúdicos e outros já conhecidos no mundo dos games, jogo lançado em 2017 ganha apelo entre jovens e lidera transmissões ao vivo

Para quem olha apenas para os números de “Fortnite”, é difícil acreditar que o jogo tem apenas um ano de vida. O título é um dos mais populares da atualidade e chama atenção não só pela capacidade de manter jogadores ativos por horas, mas também pelo seu poder social.

Considerando que a versão do jogo que realmente viralizou, chamada “Fortnite Battle Royale”, foi lançada em setembro de 2017, sua história é ainda mais recente e seu sucesso ainda mais espantoso. De acordo com a empresa responsável pelo título, a americana Epic Games (conhecida por jogos como “Unreal”, “Gears of Wars” e “Infinity Blade”), em junho de 2018 já havia registro de 125 milhões de pessoas no jogo. Antes, em janeiro do mesmo ano, eram “apenas” 40 milhões.

Fenômeno cultural

O jogo, disponível para computador (PC e Mac), celular (iOS e Android) e videogames (Microsoft Xbox, Sony PS4 e Nintendo Switch), já era uma febre entre crianças e adolescentes, mas desde março ele se tornou um “fenômeno cultural”, como afirmou Jenna Stoeber, do site especializado em games Polygon, à revista The New Yorker.

Isso porque naquele mês, o jogo recebeu uma partida unindo celebridades de altíssima relevância nas redes sociais, embora de origens bem diferentes. De um lado, o gamer americano Tyler Blevins (conhecido como “Ninja”), famoso pelas transmissões que faz ao vivo de si jogando em plataformas como Youtube e Twitch – onde é acompanhado por mais de 9 milhões de pessoas. Do outro, o cantor canadense Drake.

A transmissão, que também envolveu o rapper americano Travis Scott, bateu recorde no Twitch, tornando-se a de maior público simultâneo para uma partida fora de campeonato. Foram 635 mil espectadores, desbancando o público de 338 mil do recordista anterior.

Não por acaso, desde então, Fortnite se tornou o jogo em que as pessoas passam mais horas assistindo a partidas de outros jogadores não profissionais, tanto pelo Twitch quanto pelo Youtube. Só em junho no Twitch, segundo a empresa de pesquisas de mercado Newzoo, foram 125 milhões de horas de partidas assistidas, o que deixou bem para trás o mais popular jogo competitivo da atualidade, League of Legends, com quase 88 milhões de horas de partidas profissionais e amadoras juntas.

O que há em Fortnite

Ao longo do último ano, especialistas e comentaristas de sites dedicados a games têm se dedicado à tentativa de entender o que fez e faz de Fortnite um sucesso na indústria de jogos eletrônicos. Abaixo, uma relação das principais razões apontadas.

É um jogo ‘família’

Dentre os jogos mais populares encontrados no mercado atualmente, títulos como Counter-Strike, Rainbow Six e GTA 5 se destacam, em maior ou menor grau, pelos gráficos realistas. Os personagens levam tiros que atravessam seus corpos, há sangue e morte. Tudo é muito gráfico, o que pode fazer com que pais se incomodem em dar a seus filhos livre acesso ao jogo.

Em Fortnite, embora seja um jogo violento, da maneira como o jogo foi desenhado a chance de isso acontecer é menor. Como nota o jornalista Brian Feldman, da New York Magazine, no jogo ninguém morre. Ainda que os personagens usem armas, granadas e preparem armadilhas para seus inimigos, os personagens apenas são “eliminados”. “Não existe sangue. A estética em geral é como se você estivesse jogando um game baseado em um filtro do Snapchat”, disse Feldman.

Pelo seu caráter mais lúdico, Fortnite se tornou popular entre jovens mas, sobretudo, crianças.

E também familiar

Quando foi lançado, em julho de 2017, sob o título Fortnite: Save The World, o jogo era pago e consistia em colocar os jogadores para lutar, sozinhos ou em equipes, contra monstros roxos que haviam invadido o mundo.

Na época, o jogo foi comparado a outros já velhos conhecidos como Team Fortress 2, pela estética similar a de um desenho animado infantojuvenil, e Minecraft – uma inspiração confessa dos desenvolvedores –, em razão da liberdade dada a jogadores para construírem edificações durante as partidas.

Em setembro do mesmo ano, apenas dois meses depois do título original, a Epic Games lança uma nova versão de Fortnite, essa chamada de “Battle Royale”. Nesta, o modo de jogo era totalmente diferente: jogadores se lançam em partidas online com 100 pessoas simultaneamente sobre um pequeno território, com o objetivo de se equipar com os itens que encontrar pela frente e eliminar os rivais até restar sozinho com vida no final.

O estilo, que lembra a proposta vista em “Jogos Vorazes” (lançado como livro em 2008 antes de virar filme em 2012), estava em alta no mundo dos games em razão do lançamento ainda fresco, em março de 2017, do jogo Playerunknown’s Battlegrounds (também conhecido por “PUGB”).

As semelhanças entre os jogos renderam comparações e até um processo por violação de direitos autorais da desenvolvedora de “PUGB” contra a Epic Games.

Foto: Reprodução/Epic Games
Com roupas engraçadas e dancinhas, jogo atrai público jovem
Com roupas engraçadas e dancinhas, jogo atrai público jovem

Não há barreira de entrada

Diferentemente da edição “Save the World” (ou “Retome o Mundo”, em português), “Fortnite Battle Royale” é totalmente gratuito.

Os US$ 300 milhões mensais que o jogo gera para a Epic Games vêm da venda de itens internos do jogo classificados como “cosméticos”. Isso porque são objetos que ajudam os jogadores a personalizar seus personagens (como roupas, grafites e movimentos), mas não dão nenhum tipo de vantagem competitiva de um jogador sobre outro.

É multiplataforma

Fortnite já veio ao mundo com a vantagem de ser multiplataforma, o que significa que não existe nenhuma barreira dentro do jogo que impeça que pessoas jogando por meio de um console como o Xbox One não dispute partidas com amigos que estejam usando celulares ou computadores, por exemplo.

Dessa forma, o jogador que passou horas imerso em Fortnite em sua casa pode continuar jogando, trocando itens, assistindo a partidas ou se relacionando com amigos pelo celular.

A exceção a essa regra veio através da Sony, que foi criticada por impedir o contato entre jogadores do seu PlayStation 4 com os de outras plataformas, como Xbox One e Nintendo Switch.

É social, divertido e bem humorado

Quem testemunhou a vitória da França sobre a Croácia na final da Copa do Mundo no domingo (15) pode ter ficado sem entender direito a comemoração do atacante Griezmann, da seleção campeã. Depois de marcar gol em cobrança de pênalti, o jogador se aproximou dos fotógrafos, colocou a mão na testa em forma de “L” e fez uma dancinha inusitada. Trata-se de uma referência a Fortnite.

A dança descontraída é uma das várias permitidas aos personagens, que podem executá-las a qualquer momento durante o jogo, da mesma forma como fez “Ninja” durante sua partida com Drake:

Além das danças, há uma grande diversidade de roupas engraçadas, como fantasias de dinossauro ou astronautas, lembra o jornalista de tecnologia e games do jornal The Guardian, Keith Stuart.

“Espertamente, o desenvolvedor adiciona novos itens, recursos e modos de jogo num ritmo semanal, então há sempre uma nova razão para voltar e jogar mais, e os fãs adoram mostrar que possuem o equipamento mais recente”, escreveu Stuart. 

A soma desses elementos à liberdade dada aos jogadores para jogadas e construções criativas fazem de Fortnite um produto de entretenimento altamente consumível em plataformas como Twitch e Youtube.

“É apenas divertido, cara”, explicou Lil Yachty, outro rapper famoso fã de Fortnite” à New York Magazine em junho. “É como uma música grudenta, ele apenas soa bem.”

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