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4 índices da economia impactados pela paralisação dos caminhões

Dados do Banco Central e do IBGE mostram que país produziu e consumiu menos no mês de maio de 2018

     

    As consequências dos onze dias de paralisação de caminhoneiros em estradas de todo o país foram sentidas imediatamente por grande parte dos brasileiros. Quase todo mundo foi impactado pelo desabastecimento nos supermercados, a falta de combustíveis ou a explosão dos preços.

    Muitas estimativas de perdas foram feitas durante a paralisação, mas somente agora, seis semanas depois do fim dos protestos, é que os órgãos oficiais conseguem mensurar o real impacto que os dias de bloqueio de estradas tiveram na economia brasileira. O Banco Central e o IBGE divulgaram nos últimos dias índices que oficializam as perdas.

    O resultado do IBC-Br

    Na manhã de segunda-feira (16), o Banco Central anunciou que, segundo seu índice de atividade, a economia brasileira encolheu 3,34% em maio na comparação com abril. Essa é a maior queda mensal do IBC-Br já registrada desde que o Banco Central começou o levantamento, em 2003.

    Recorde negativo

     

    O resultado também é expressivo quando se observa a trajetória do índice nos últimos três anos e meio. Principalmente a partir de 2015, com a crise, a atividade econômica no Brasil teve forte e constante retração.

    O fundo do poço aconteceu no final de 2016, quando o IBC-Br mediu uma atividade econômica 8,48% menor do que no início de 2015.

    A partir daí a economia passou a se recuperar lentamente, mas o resultado de maio de 2018 é só um pouco melhor do que o do fim de 2016.

    Todos esses dados estão dessazonalizados, ou seja, os números colhidos passam por um ajuste metodológico que ameniza as diferenças entre as épocas do ano. Só assim é possível comparar meses diferentes, como junho e dezembro.

    Variação acumulada em %

     

    O IBC-Br é uma espécie de termômetro da economia, que dá indicaç��es mais rápidas de como vai o país. Por ser divulgado com mais frequência e sempre antes do Produto Interno Bruto, ele ganhou o apelido, difundido na imprensa, de “prévia do PIB”.

    Essa terminologia, no entanto, é rechaçada por economistas e pelo próprio Banco Central, responsável pelo cálculo. O Banco Central ressalta que “há diferenças conceituais, metodológicas e mesmo de frequência” na apuração dos dois.

    O reflexo no Produto Interno Bruto

    O PIB do segundo trimestre de 2018 será divulgado pelo IBGE no dia 31 de agosto, mas já é possível dizer que ele será impactado negativamente pelos resultados de maio. O IBGE já divulgou resultados de alguns dos mais importantes setores da economia para maio, e eles foram ruins.

    Com os números do IBGE, é possível ver que a indústria produziu em maio 10,9% menos do que em abril, o comércio também vendeu 3,8% menos e o setor de serviços recuou 0,6%. Esses dados farão parte do resultado trimestral do PIB.

    Variação acumulada desde 2014

     

    Um resultado atípico

    Um cenário mais claro do impacto que a greve teve na economia poderá ser traçado quando forem compilados, calculados e divulgados os dados de junho e julho. Com eles, vai ser possível ver o quanto os setores mais afetados pela paralisação recuperaram as perdas

    Os índices divulgados servem apenas para mostrar que o quadro de crise e incerteza que afetou o país durante quase um terço do mês de maio prejudicou a produção. Isso não significa necessariamente que esse é um novo nível de atividade da economia.

    Como a queda brusca foi causada por um evento extraordinário, se a economia simplesmente voltar a produzir o que produzia em abril, último mês antes da greve, haverá um grande salto no índice. Na prática, a economia estará apenas voltando ao estágio de antes da paralisação, mas isso representaria um crescimento quando se compara com o mês de maio atípico.

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