Como o rapper Drake bateu os recordes de Beatles e Michael Jackson

Álbum ‘Scorpion’ dominou plataformas de streaming, mostrando Drake como hábil explorador das ferramentas de divulgação e opções de consumo musical de seu tempo

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    “Prestes a virar Thriller Mike Jackson…” declamou Drake em “Over”, de 2010, um de seus primeiros sucessos. Em 2018, o rapper e cantor canadense conseguiu superar Michael Jackson, além dos Beatles, graças ao desempenho de seu álbum “Scorpion” em rankings de vendas e de streaming.

    Drake foi o primeiro artista da história a alcançar um bilhão de execuções em streaming na semana de lançamento, de acordo com aferição da Billboard, que reúne dados de serviços como Spotify, Apple Music e YouTube.

    Ele também conseguiu ter sete músicas simultaneamente no Top 10 de singles da Billboard, publicação que cobre a indústria fonográfica e organiza a parada de sucessos mais relevante dos Estados Unidos.

    O rapper superou assim o feito dos Beatles em 1964, que, na mesma semana, tiveram  “Can’t Buy Me Love”, “Twist and Shout”, “She Loves You”, “I Want to Hold Your Hand” e “Please Please Me” nas dez mais.

    1 bilhão

    Quantidade de execuções em streaming que álbum novo de Drake alcançou na semana de lançamento

     

    O álbum contribui com cinco novos títulos à longa lista de músicas que Drake já levou ao Top 10, que agora totaliza 31. Com isso, ele ultrapassou Michael Jackson como o artista masculino solo com mais faixas nas dez mais. O cantor de “Thriller” soma 30 entradas no ranking, sendo o acréscimo mais recente um dueto póstumo realizado justamente com Drake, “Don’t matter to me”, parte do álbum “Scorpion”.

    Gigantes de cada época

    Assim como os Beatles e Michael Jackson em suas respectivas épocas, Drake é um artista do seu tempo, hábil explorador das ferramentas de divulgação e opções de consumo musical do seu tempo.

    Os Beatles exploraram bem a emergente televisão e a então nova ideia de uma banda de pop ou rock poderia ambicionar a um status artístico maior. O amadurecimento do álbum como expressão dessa ideia deve muito aos Beatles de “Revolver” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”.

    Um dos diferenciais de Drake no hip hop foi sua disposição em se mostrar como homem vulnerável

    Já Michael Jackson, em seu maior estouro, “Thriller”, em que quase todas as músicas foram hits, soube explorar de maneira formidável o videoclipe como ferramenta de expressão artística e promoção. “Para a maior parte de nós, as imagens definem as canções [de “Thriller”]”, escreveu o crítico americano Nelson George no livreto da coletânea “The Ultimate Collection”, de Michael Jackson.

    O novo material de Drake foi tão acessado no Spotify que o novo álbum chegou a ser escutado dez milhões de vezes por hora. Na Apple Music, ele obteve o recorde do serviço, com 132 milhões de streams em um dia.

     

    No caso do Spotify, os representantes do artista fecharam um acordo com o Spotify para realizar um “takeover” (conquista ou ocupação, em tradução livre) na plataforma. O Spotify criou uma capa com Drake para a maior parte das playlists ou climas presentes no serviço. “Existe um Drake para praticamente todo mood. #ScorpionSZN está aqui”, tuitou o Spotify, citando a hashtag do lançamento.

    Com 25 faixas no total, o álbum compartilha de uma estratégia recente em que lançamentos aumentam o número de músicas para incrementar seu desempenho nos rankings gerais. Desde o ano passado, a parada de álbuns Billboard 200 passou a considerar 1.500 execuções em streaming de uma faixa de um álbum como equivalente a um álbum vendido. Em 2017, o rapper Chris Brown tentou a mesma estratégia, lançando um disco com 40 músicas.

    A dominação

    Nascido em Toronto, em 1986, em uma família de classe média, Aubrey Drake Graham é filho de pai negro e mãe branca. Seus pais divorciaram quando ele era criança e ele acabou criado pela mãe, judia da etnia asquenazita.

    Sua primeira incursão no meio artístico de maior projeção foi como ator adolescente na série canadense Degrassi. Ele lançou suas primeiras mixtapes na segunda metade dos anos 2000, atraindo a atenção de rappers consagrados como Lil Wayne e Kanye West.

    Ao mesmo tempo rapper e cantor, garantindo assim um alcance mais amplo, Drake foi responsável nos anos 2010 por uma sequência de álbuns que foram estouros globais. O artista também já ganhou 3 prêmios Grammy.

    Um dos diferenciais de Drake no hip hop foi sua disposição em se mostrar como homem vulnerável e cheio de questionamentos, uma postura muito distante do machismo exibicionista de muitos de seus colegas.

    “O monólogo interno de humanidade, vulnerabilidade e dúvida - nunca foi um tema do hip hop. Mas ele acabou tornado isso OK”, explicou Dirty South Joe, DJ americano que realiza uma festa mensal para 3 mil pessoas onde só toca Drake a noite toda, em entrevista ao jornal The Guardian.

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