Qual o discurso do MDB ao defender a candidatura Meirelles

Líderes do partido anunciaram que vão lançar nome do ex-ministro da Fazenda de Temer. Oficialização terá de ocorrer em votação da convenção de 4 de agosto

     

    Líderes do MDB anunciaram na segunda-feira (9) que vão oficializar a candidatura do ex-ministro Henrique Meirelles à Presidência. Essa confirmação terá de ocorrer em votação na convenção do partido, agendada para 4 de agosto, a 12 dias do início oficial da campanha.

     

    Meirelles está hoje entre as quase duas dezenas de pré-candidatos à Presidência da República. São políticos e não-políticos que postulam disputar o Palácio do Planalto, o que não significa que todos estarão, de fato, com seus nomes na urna eletrônica em 7 de outubro.

     

    Até o início oficial da campanha, em 16 de agosto, há tempo suficiente para que o cenário político mude. Enquanto isso, os partidos aproveitam para testar a força de seus pré-candidatos.

     

    É nesse período também que as siglas fecham alianças com outras. Nesses casos, algumas pré-candidaturas acabam sendo retiradas da disputa a fim de fortalecer nomes mais competitivos, com estrutura e tempo de rádio e TV.

     

    Meirelles vem investindo pessoalmente para tentar melhorar seu desempenho em meio a um cenário de instabilidade, no qual seu nome está ligado ao governo Michel Temer, presidente mais mal avaliado da história recente nacional.

     

    A possibilidade de aliança com Alckmin

     

    Dois fatores alimentavam a insegurança de alguns líderes do partido em relação à pré-candidatura de Meirelles.                                                                  

    • o baixo rendimento nas pesquisas: todas as pesquisas de intenção de voto feitas até agora mostram que o ex-ministro da Fazenda oscila entre 1% e 2%, atrás dos postulantes dos principais partidos
    • o reflexo da impopularidade de Temer: em maio, a pré-candidatura de Meirelles recebeu a benção de Temer, o presidente mais impopular da história desde a redemocratização. Por isso, ele terá de lidar com o peso de um governo reprovado por mais de 70% dos brasileiros.

     

    Ex-ministro da Fazenda de Temer, Meirelles não só seria o representante do presidente – e que já seria um problema para parte do eleitorado – mas também seria ligado às medidas do governo.

     

    Como principal nome da equipe econômica, ele esteve na linha de frente de reformas impopulares como a criação de um teto de gastos e as mudanças trabalhistas.

     

    Esses pontos fizeram crescer no MDB a ideia de retirar a pré-candidatura própria e apoiar o pré-candidato de outra legenda. A possibilidade que ganhou força foi uma eventual aliança com o PSDB, cujo pré-candidato é o ex-governador paulista Geraldo Alckmin.

     

    O tucano chegou a se reunir com lideranças do MDB, inclusive com o próprio Temer. Mas as conversas não avançaram até aqui.

     

    O discurso da candidatura própria

     

    O presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá (RR), disse ao Nexo que o desempenho de Meirelles nas pesquisas não interferiu na decisão de manter a pré-candidatura de pé. Jucá afirmou também que a hipótese de aliança com o PSDB é remota.

     

    “A chance de o MDB apoiar o PSDB é a mesma chance que tem do PSDB nos apoiar”

    Romero Jucá

    senador e presidente nacional do MDB

     

    O objetivo declarado do MDB é que o partido precisa voltar a ter protagonismo nas disputas nacionais. A última vez em que o partido teve candidato à Presidência foi em 1994, com Orestes Quércia. O político paulista, que já morreu, ficou em quarto lugar.

     

    Por ter a segunda maior bancada dessa legislatura, o MDB conta com mais tempo de exposição na televisão no horário eleitoral em relação a outros partidos, como o próprio PSDB.

     

    Ao jornal O Estado de S. Paulo, Jucá disse que “não faz sentido o maior partido do Brasil ficar no banco de reserva”. As alianças virão num segundo turno, segundo disse ao Nexo Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil e membro da executiva do MDB nacional.

     

    “Para o primeiro turno, Meirelles é o nosso candidato. A base do MDB quer votar em alguém do MDB para presidente. Aliança, por ora, só com Meirelles para presidente”

    Eliseu Padilha

    ministro da Casa Civil e membro da executiva do MDB nacional

     

    O esforço de Meirelles

     

    Mesmo durante os rumores internos de uma eventual aliança com o PSDB para a disputa presidencial, Meirelles continuou bancando a sua pré-candidatura e rejeitou publicamente a ideia de ser vice de Alckmin.

     

    “Se é possível fazer imediatamente uma aliança com o PSDB? Certamente, não há dúvida, desde que o PSDB aceite uma candidatura à Vice-Presidência”

    Henrique Meirelles

    ex-ministro da Fazenda

     

    Meirelles disputou seu primeiro cargo eletivo pelo PSDB, quando, em 2002, foi eleito deputado federal por Goiás. Mas ele nem chegou a sentar na cadeia da Câmara. Isso porque assumiu a presidência do Banco Central do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2010.

     

    Engenheiro e administrador, Meirelles já foi presidente do BankBoston e atuou em grandes empresas nacionais, como o grupo J&F, dono do frigorífico JBS. O pré-candidato tem dinheiro, e vem usando seus recursos para viabilizar seu nome.

     

    Meirelles fez uma série de viagens pelo Brasil. Todas elas são registradas e divulgadas pelas redes sociais do ex-ministro, que tem investido ainda em reuniões com setores da sociedade, como igrejas evangélicas, por exemplo.

     

    Em vídeo que publicou na internet, Meirelles evitou se apresentar como político. Nele, o ex-ministro é tratado como o engenheiro responsável por ter tirado o Brasil de duas crises econômicas.

    A gravação foi usada também para criticar os principais adversários. O pré-candidato do PDT Ciro Gomes foi chamado de “político profissional”. Na peça, Alckmin foi o que menos sofreu críticas.

    Na segunda-feira (9), a equipe de Meirelles publicou mais mais um vídeo de pré-campanha, dando destaque ao slogan que o ex-ministro deve usar na campanha: #chamaoMeirelles.

    Na gravação, o MDB prega a pacificação e faz referência à polarização política entre PT e PSDB que dominam as eleições presidenciais desde 1994.

    Se conseguir confirmar seu nome, Meirelles não pretende deixar Temer fora da campanha, segundo a estratégia traçada até aqui.

    As viagens de Meirelles têm servido também para ele se reunir com líderes regionais do MDB a fim de tentar conseguir mais apoio em torno de sua pré-candidatura na convenção de 4 de agosto.

    Atualmente, a cúpula do MDB calcula que o nome de Meirelles já tem apoio da maioria dos delegados da legenda. As principais resistências ao ex-ministro da Fazenda vêm de Eunício Oliveira (CE), presidente do Senado, e de Renan Calheiros, senador por Alagoas.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: