Quais os partidos-pêndulo na hora da definição de alianças

PSB, DEM e PP ainda não decidiram quem apoiar e, algumas vezes, oscilam entre mais de uma pré-candidatura

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

 

A campanha eleitoral tem início oficial em 16 de agosto e vai pelo menos até 7 de outubro, data da votação do primeiro turno. Mas os preparativos para a disputa começam antes, em uma etapa conhecida como pré-campanha.

 

Primeiro, os políticos tentam viabilizar seus nomes, como vem ocorrendo na corrida presidencial. Depois, precisam buscar apoio de outros partidos para fortalecer suas candidaturas: quanto mais acordos, mais tempo de rádio e TV e mais estrutura regional.

 

Nessa hora, os partidos que não apresentaram nomes próprios acabam se tornando alvo de disputa. Uma disputa que vai pelo menos até o período de convenções, quando cada um tem de decidir oficialmente seu destino. As convenções ocorrem entre 20 julho e 5 de agosto.

 

No atual momento, alguns partidos têm dado sinais para mais de um presidenciável: ora se inclinam a apoiar determinado nome, ora se voltam a outro.

 

O Brasil tem 35 partidos, 25 deles com representantes na Câmara dos Deputados (o que define o tamanho do tempo de rádio e TV e a distribuição de fundos públicos).

 

Abaixo, o Nexo lista abaixo os dez maiores partidos do Brasil levando em conta o número de deputados federais eleitos na eleição de 2014.

 

  1. PT elegeu 68 deputados e deve ter candidato próprio. Hoje seu nome é Lula, mas ele deve ser substituído e barrado pela Lei da Ficha Limpa
  2. MDB elegeu 65 deputados, tem Henrique Meirelles como pré-candidato, mas pode aderir a Geraldo Alckmin
  3. PSDB elegeu 54 deputados e terá candidato próprio, com Geraldo Alckmin disputando pela segunda vez o cargo
  4. PP elegeu 38 deputados, não terá candidato próprio, e hoje é um dos partidos-pêndulo da corrida presidencial
  5. PSD elegeu 36 deputados, tem Guilherme Afif Domingos como pré-candidato, mas tende a desistir pró-Alckmin
  6. PSB elegeu 34 deputados, não terá candidato próprio, e hoje é um dos partidos-pêndulo da corrida presidencial
  7. PR elegeu 34 deputados, não terá candidato próprio, e hoje sinaliza apoio ao nome de Jair Bolsonaro
  8. PTB elegeu 25 deputados, não terá candidato próprio, e hoje sinaliza apoio a Geraldo Alckmin
  9. PRB elegeu 21 deputados, tem Flavio Rocha como pré-candidato, mas ainda pode vir a apoiar outro nome
  10. DEM elegeu 21 deputados, tem Rodrigo Maia como pré-candidato, mas já negocia com outros nomes, sendo também um partido-pêndulo

 

A partir do quadro acima, é possível destacar ao menos três partidos-pêndulo. Isso não quer dizer que outras legendas possam mudar de rumo, mas esse trio se destaca pela desenvoltura na negociação das alianças atualmente. São eles:

 

PSB: entre Ciro e petistas

O partido fundado em 1947 tem origem socialista, mas vem perdendo essa essência e caminha rumo ao centro do espectro político. No início, era ligado à esquerda.

 

De 1989 a 1998, apoiou as campanhas derrotadas do PT à Presidência. A ruptura começou em 2013, quando a sigla, integrante do governo Dilma Rousseff, entregou os cargos.

 

Nas eleições de 2014, lançou candidatura própria: o ex-governador Eduardo Campos, que morreu na queda de um avião durante a campanha e acabou substituído por Marina Silva.

 

Apesar de ter mantido laços com o PT em alguns estados, o PSB acabou defendendo o impeachment de Dilma em maio de 2016, chegando a apoiar, no começo, o mandato do vice Michel Temer (MDB).

 

Nas eleições de 2018, o PSB chegou a esboçar a candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa à Presidência. Barbosa, no entanto, desistiu em março. Desde então, o PSB não se decidiu que lado seguir.

 

Uma parte do partido defende que a sigla se alie ao PT, de Luiz Inácio Lula da Silva. Lula está preso pela Lava Jato e deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. Um eventual acordo, portanto, passaria pela escolha de um substituto para o ex-presidente.

 

O partido também se inclina a uma possível aliança com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-líder do PSB na Câmara Júlio Delgado afirmou que a maior parte da legenda apoia Ciro.

 

DEM: entre Alckmin e Ciro

 Oficialmente, o partido lançou a pré-candidatura do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Estagnado em 1% nas pesquisas de intenção de voto, o parlamentar não deve concorrer ao Planalto. O próprio Maia já se reuniu com líderes de outros partidos para negociar apoio.

 

Fundada em 2007, a legenda é a nova versão do PFL (Partido da Frente Liberal). O PFL foi fundado em janeiro de 1985, ao fim do regime militar, com políticos dissidentes do PDS, que teve origem na Arena, partido de sustentação da ditadura militar.

 

Desde a sua formação, o PFL manteve um discurso que definiu o perfil ideológico da legenda, à época classificada como uma direita liberal (uma união de liberalismo econômico e conservadorismo nos costumes).

 

Quando mudou o nome de PFL para DEM, a sigla não abandonou suas ideias iniciais, mas, dentro do espírito de renovação, passou a defender o fim da miséria e a importância de políticas sociais.

 

O DEM é um aliado histórico do PSDB. Essa parceria começou em 1994, quando ainda era PFL. Naquele ano, indicou Marco Maciel como vice na chapa vitoriosa de FHC. Para as eleições de 2018, Maia já afirmou que o “caminho mais natural” é o DEM se aliar ao PSDB outra vez.

 

Apesar da declaração, a sigla ainda não fechou as portas para uma eventual aliança com Ciro Gomes, pré-candidatura mais associada à centro-esquerda na campanha de 2018.

 

 

PP: entre Alckmin e Ciro

Trata-se de outro partido cuja origem se remete à Arena, que dava sustentação ao regime militar.

 

Apesar da origem associada à direita, o PP fez parte da base aliada dos governos petistas desde a primeira gestão Lula, em 2003. O partido é o que mais tem políticos envolvidos com a Lava Jato. Desde 2016, rompeu com o governo de Dilma Rousseff e apoiou o impeachment da petista.

 

Para as eleições de 2018, o PP também oscila. Não sabe ainda se fecha aliança com Alckmin ou se apoiará Ciro.

 

O que explica esse comportamento

 

Para a professora de ciência política da UniRio Márcia Dias, os partidos fazem acenos de um lado para o outro porque estão barganhando o tempo de televisão que cada um tem.

 

“Esses partidos estão barganhando com que eles têm. Eles têm bancada, então eles têm tempo de televisão. E isso interessa a candidaturas que não decolaram”

Márcia Dias

professora de ciência política da UniRio

 

Isso só ocorre porque, segundo Dias, o sistema político brasileiro é composto por partidos com grande flexibilidade político-ideológica. Essa característica faz com que alguns deles se unam a siglas ideologicamente opostas, pelo simples fato de trazerem para si algum tipo de benefício eleitoral. No caso, o tempo de televisão.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.