Ir direto ao conteúdo

Por que o ‘passinho’ virou patrimônio cultural no Rio de Janeiro

Gênero de dança criado nas comunidades do Rio de Janeiro mistura elementos de samba, frevo, funk e envolve ‘batalhas’ com prêmios em dinheiro

Temas

A cidade do Rio de Janeiro deu o título de patrimônio cultural imaterial à chamada Dança do Passinho, visando a preservação e valorização do gênero nascido do funk carioca. 

“O reconhecimento (...) é uma vitória, não só do funk, mas de todos aqueles que produzem cultura e são marginalizados pela condição social, geográfica e racial”, disse a vereadora Verônica Costa (MDB), responsável pelo projeto aprovado no dia 20 de junho de 2018. “O poder público deve promover festivais, assim como parcerias com a iniciativa privada. A ignorância e o preconceito devem igualmente arrefecer.”

A dança, que mistura elementos de funk, samba, break, frevo e do kuduro angolano, se aproxima de uma brincadeira.

O Passinho surgiu em meados dos anos 2000 no Rio de Janeiro, quando garotos começaram a criar seus próprios passos para dançar funk e divulgá-los na internet. O vídeo com o chamado “passinho foda” é geralmente apontado como o marco inicial desse movimento.

Outros mais recentes, como “passinho do romano” ou “passinho dos maloka” vieram na esteira.

Da corrida pela criação do passinho mais inovador surgiram grupos de dança e batalhas com premiações em dinheiro, em que dançarinos se esforçam para mostrar quem é o mais habilidoso, criativo e, em muitos casos, engraçado.

De modo similar às batalhas de rap ou mesmo aos bailes (drag balls) de Nova York da década de 1980, zombar do rival faz parte do jogo.

A cultura criada em torno do Passinho foi registrada pelo diretor Emilio Domingos no documentário “A Batalha do Passinho”, de 2013.

No mesmo ano, de modo inédito, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro abriu suas portas para o funk e para dançarinos de passinho, que demonstraram de boné, camiseta e shorts o “Passinho do Menor da Favela”.

No início de 2018, Domingos e a produtora Osmose lançaram os primeiros episódios de uma websérie chamada “Passinho da Favela”, estrelada por dançarinos conhecidos das comunidades cariocas no elenco.

Entre eles está Jefferson Chaves, chamado de Cebolinha do Passinho. Aos 28 anos de idade, é uma das figuras mais antigas no cenário do passinho.

Sobre a titulação recente, ele disse: “Já era patrimônio antes da lei, porque o passinho acontece todos os dias. Está acontecendo agora. O poder público faz apenas a obrigação dele.”

ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto trazia a informação de que o reconhecimento à dança do passinho foi dado em 20 de julho. A data correta, entretanto, é 20 de junho. O texto foi corrigido às 20h40 de 3 de julho de 2018.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: