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Toda história contém ao menos 1 destes 6 tipos básicos de enredo

Pesquisa de universidade americana analisou mais de 1.700 romances em língua inglesa e identificou os arcos dramáticos mais comuns

 

A análise de dados de mais de 1.700 romances em língua inglesa revelou a existência de seis tipos básicos de histórias ou “arquétipos”, presentes nas milhares de obras literárias.

Possibilitado por novas técnicas de mineração, capazes de extrair dados de textos, frases ou palavras por meio da aplicação de algoritmos computacionais no processamento das informações, o estudo foi publicado em 2016 por pesquisadores do Computational Story Lab da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos.

As seis trajetórias fundamentais, que formam os blocos de narrativas complexas, identificadas pela equipe, foram:

  1. uma ascensão contínua da má sorte para a boa sorte (de pobre para rico ou de patinho feio a cisne): “Alice no País das Maravilhas”
  2. uma queda contínua da boa para a má sorte, tragédia: “Romeu e Julieta”
  3. queda seguida de ascensão: “homem no buraco”
  4. ascensão seguida de queda: mito grego de Ícaro
  5. alta, seguida de uma baixa, e novamente uma alta: “Cinderela”
  6. baixa, ascensão e nova baixa: o mito de Édipo

Eles também analisaram a correlação entre o arco emocional e a popularidade da obra, por meio do número de downloads no site do Projeto Gutenberg.

As mais populares foram as que seguem os arcos de Ícaro e Édipo e as que contêm arcos mais complexos, combinando as estruturas básicas em sequência. As que são compostas de dois arcos “homem no buraco” sequenciais e um arco “Cinderela” seguido de uma tragédia são as mais populares.

O método

Pesquisadores usaram a análise de sentimentos, uma técnica estatística, para extrair informações de 1.700 obras de ficção em inglês que haviam sido baixadas mais de 150 vezes cada do site do Projeto Gutenberg.

Usada, por exemplo, por profissionais de marketing para avaliar posts nas redes sociais, a análise de sentimentos atribui uma pontuação para as palavras, em relação ao sentimento associado a elas. 

A medição da forma do arco narrativo detecta a polaridade emocional de uma história em diferentes momentos, e como varia. As técnicas de mineração foram usadas para separar os diferentes arcos emocionais presentes nas histórias.

Precursor

Em uma palestra de 1995, o escritor americano Kurt Vonnegut já defendia uma teoria relacionada às formas das narrativas. O autor representou, sobre um quadro negro, os arcos emocionais em gráficos.

Eles assumem diferentes configurações e algumas delas funcionam melhor do que outras para contar histórias.

Entre os arcos mapeados por Vonnegut na palestra, há o “homem no buraco”, no qual o protagonista arranja problemas e depois sai deles, e outros mais complexos, como aquele em que o personagem principal encontra algo maravilhoso, perde e recupera ao final.

Vonnegut antevia a análise dessas formas por computadores, tendo dito que os modelos esquematizados por ele poderiam alimentar a máquina.

Aplicação

Uma reportagem feita em maio de 2018 pela BBC aplica a pesquisa a algumas das obras do levantamento feito pela emissora no mesmo ano das cem obras literárias que “moldaram o mundo”.

“A Divina Comédia”, de Dante Alighieri (1308-1320), foi identificada como pertencente ao tipo “uma ascensão contínua da má sorte para a boa sorte”. “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert (1856), seria o contrário: uma queda contínua da boa para a má sorte.

 

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