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O que é ‘pegada de carbono’. E a estimativa para 13 mil cidades

A maior parte das emissões de gases causadores do efeito estufa no mundo está ligada às populações urbanas, que possuem padrões de consumo mais elevados

 

O conceito “pegada de carbono” é usado para definir a quantidade total de emissões de gases estufa ligadas a algum ator, seja ele uma pessoa, uma organização, um evento, ou mesmo uma cidade ou país.

Ele serve para informar o grau de responsabilidade desse ator sobre o fenômeno climático, considerando também as emissões que não ocorrem diretamente. Por exemplo: a pegada de carbono de alguém que usa um carro não diz respeito apenas às emissões pela queima de combustível, mas também às pelas queimas em todo o processo de fabricação do veículo.

O gás carbônico (CO2) é a principal molécula responsável pelo aquecimento global, mas não a única. O metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e mesmo o vapor d’água também estão entre as moléculas consideradas gases estufa, e entram na conta da pegada de carbono de determinado agente.

Para que possam ser incluídas no cálculo, essas moléculas são convertidas em uma medida chamada de CO2 equivalente (CO2e), que usa o gás carbônico como base. Por exemplo: uma molécula de metano captura 21 vezes mais calor do que o CO2, e por isso o CO2e do metano é 21.

Dados adotados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança de Clima), entidade global que estabelece a base científica para a tomada de decisões sobre aquecimento global, apontam que a maior parte da pegada de carbono é gerada nos centros urbanos, e não na zona rural.

Atualmente, as cidades concentram cerca de 54% da população e 70% do consumo de energia globais. Isso se deve em grande medida a padrões de consumo mais elevados.

Publicado em 19 de junho de 2018 na revista Environmental Research Letters, o artigo acadêmico “Pegadas de carbono de 13 mil cidades” analisa essas informações de forma mais pormenorizada, e mapeia a pegada de carbono em 13 mil cidades de 189 países.

O estudo serviu de base para a criação de um site interativo chamado City Carbon Footprints, em que é possível pesquisar a pegada de carbono por cada uma dessas cidades.

O trabalho se baseou em dados sobre as pegadas de carbono de 189 países, estimativas regionais de pegada de carbono referentes a áreas de União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos, Japão e China, dados regionais sobre padrões de gastos de zonas rurais e urbanas e informações sobre distribuição populacional e renda - riqueza e padrão de consumo são fortes marcadores de pegada de carbono.

O mapa revela como a emissão de carbono está concentrada em algumas poucas cidades globais. Segundo os cálculos dos pesquisadores, as 100 cidades com as maiores pegadas de carbono no mundo respondem por 18% da pegada de carbono global.

Em 98 de 187 países pesquisados no artigo, as três maiores áreas urbanas concentram mais de um quarto das emissões totais.

No Brasil, apenas uma cidade, São Paulo, aparece na lista das 100 mais poluidoras do mundo, em 63º lugar. A capital paulista responde por 6% de todas as emissões do país, segundo o relatório.

O trabalho também revela desigualdades globais. Por exemplo: com uma população de 21 milhões de pessoas, a região metropolitana de São Paulo está bem atrás no ranking do que a de Londres, que tem população de 13,6 milhões e está em 16º lugar.

A pesquisa avalia que a alta concentração de pegadas de carbono em algumas centenas de cidades com populações e padrões de consumo elevados significa que um número relativamente pequeno de prefeitos e governantes locais tem o poder de reduzir as pegadas de carbono de cada país.

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