Foto: Lee Smith/Reuters

Árbitro paraguaio Enrique Cáceres sinaliza marcação de pênalti no jogo entre Rússia e Egito, após consulta ao árbitro de vídeo
Árbitro paraguaio Enrique Cáceres sinaliza marcação de pênalti no jogo entre Rússia e Egito, após consulta ao árbitro de vídeo

A vitória da Rússia sobre o Egito por 3 a 1, nesta terça-feira (19), marcou o início da segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2018. O único gol sofrido pelos donos da casa, assinalado pelo egípcio Mohamed Salah, foi de pênalti, e marcado com o auxílio do VAR (sigla em inglês para árbitro assistente de vídeo).

Com seis dias de competição, o mundial da Fifa (sigla em francês para Federação Internacional de Futebol) acumulou 42 gols em 17 partidas. Quase metade deles (20) foi marcado a partir de jogadas de bola parada; quatro nasceram de cobranças de falta diretas, oito de escanteios ou faltas batidas em direção à área e outros oito de pênalti.

Nesse último quesito, o mundial de 2018 vem se destacando em relação às últimas cinco edições. Desde que a Fifa implementou o modelo de 32 seleções, em 1998, na França, nunca uma Copa do Mundo havia registrado tantos pênaltis nesse mesmo número de partidas.

O VAR, principal método de análise de lances polêmicos, tem grande influência nesses números. Além de aumentar a precisão dos árbitros, a novidade tecnológica aumentou a cobrança por parte de jogadores e técnicos por rigor nas decisões da arbitragem. No total, juízes deram dez pênaltis até agora - quatro deles com a ajuda da tecnologia.

A edição de 2018, comparada a Copas anteriores

Proporcionalmente, a Copa da Rússia tem até agora o maior número de pênaltis do atual modelo de campeonato: dez em 17 jogos, o que implica uma média de 0,59. O total representa mais que o dobro dos índices das Copas de 1998 e 2002. Cada uma delas contou com 18 penalidades ao longo das 64 partidas - média de 0,28 pênalti por jogo. Na Copa do Brasil, em 2014, foram apenas 13 pênaltis marcados em todo o torneio.

A pontaria dos batedores da edição atual de Copa é a terceira melhor das últimas cinco Copas. Dos dez pênaltis assinalados até agora, apenas dois não resultaram em gol: as cobranças do argentino Lionel Messi, no empate com a Islândia, e a de Christian Cueva, na derrota do Peru para a Dinamarca. Os 80% de precisão (oito acertos em dez cobranças) só são superados pelos torneios disputados na França (1998) e no Brasil (2014).

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Foi o número de pênaltis perdidos na Copa de 2010, na África do Sul, de um total de 15 cobranças

Em 2014, edição que registrou 13 cobranças, o atacante Karim Benzema foi o único a desperdiçar uma penalidade. O erro aconteceu na partida entre França e Suíça, pela fase de grupos, vencida pelos franceses por 5 a 2.

Na Copa de 1998, o único pênalti perdido em 18 cobranças aconteceu no jogo Holanda 2 x 1 Iugoslávia, pelas oitavas-de-final do torneio. O erro foi de Mijatović, da Iugoslávia, e acabou custando a vaga de seu país para a fase seguinte da competição.

Até agora, 19% dos gols da Copa de 2018 foram de pênalti. Em 2010, no torneio disputado na África do Sul, o total geral foi de apenas 6,2%.

Pênaltis e batedores, até o sexto dia de competição:

  • Cristiano Ronaldo - Portugal 3 x 3 Espanha (marcou)
  • Antoine Griezmann - França 2 x 1 Austrália (marcou)
  • Michael Jedinak - França 2 x 1 Austrália (marcou)
  • Lionel Messi - Argentina 1 x 1 Islândia (perdeu)
  • Christian Cueva - Peru 0 x 1 Dinamarca (perdeu)
  • Luka Modric - Croácia 2 x 0 Nigéria (marcou)
  • Andreas Granqvist - Suécia 1 x 0 Coreia do Sul (marcou)
  • Ferjani Sassi - Inglaterra 2 x 1 Tunísia (marcou)
  • Shinji Kagawa - Colômbia 1 x 2 Japão (marcou)
  • Mohamed Salah - Rússia 3 x 1 Egito (marcou)

De um total de dez pênaltis, quatro foram assinalados após árbitros solicitarem consulta ao VAR (em negrito).

A tecnologia de linha do gol, que faz o relógio do árbitro vibrar sempre que a bola ultrapassa completamente a meta, foi decisiva em duas oportunidades. Na primeira delas, confirmou o gol de Paul Pogba para a França, que determinou a vitória contra a Austrália. O recurso serviu também, ainda, para tirar eventuais dúvidas quanto ao gol de falta do colombiano Juan Quintero, na derrota para o Japão.

 

Partidas definidas por pênaltis marcados pelo VAR

França 2 x 1 Austrália (16 de junho)

Quando o placar do jogo ainda estava 0 a 0, o atacante francês Antoine Griezmann foi derrubado dentro da área pelo australiano Josh Risdon. Após ser avisado em seu ponto eletrônico e assistir ao replay do lance à beira do campo, o uruguaio Andrés Cunha, juiz da partida, voltou atrás, marcando a infração e dando cartão amarelo ao defensor australiano. A partida ainda teve outro pênalti marcado por influência do VAR, ainda que o juiz não tenha solicitado a informação formalmente. Com a confirmação pelo ponto eletrônico, o árbitro notou o toque de mão do francês Samuel Umtiti dentro da área. O lance empatou o jogo para a equipe da Oceania.

Suécia 1 x 0 Coreia do Sul (18 de junho)

O zagueiro Andreas Granqvist foi autor do único gol do jogo, após cobrança de pênalti aos 20 minutos do segundo tempo. O lance que sacramentou a vitória do time sueco foi marcado após o juiz Joel Aguilar, de El Salvador, rever a entrada faltosa do coreano Kim Min-Woo em Viktor Claesson. Antes de ser informado pela equipe de vídeo, Aguilar tinha entendido o lance como normal.

O uso do árbitro de vídeo na Copa

Após a tecnologia ser testada na Copa das Confederações de 2017, o torneio da Rússia inaugurou o uso do VAR em mundiais da Fifa. A entidade defende que o uso deve ser restrito à resolução de situações com potencial de alterar o resultado de uma partida:

  1. Gols (irregulares ou não-validados)
  2. Pênaltis
  3. Cartões vermelhos
  4. Identificação de atletas (expulsões e aplicação equivocada de cartões)

O grupo que dá suporte de vídeo aos árbitros é sempre formado por oito integrantes, e fica reunido em uma central de transmissão fixa, localizada em Moscou, capital da Rússia. Além do chefe de arbitragem em vídeo, cada partida conta com outros três árbitros auxiliares e quatro “assistentes de replay”.

A ideia, com a operação, é não perder nenhum lance do jogo, permitindo aos árbitros que estiverem no campo uma tomada rápida de decisão. Segundo a Fifa, a equipe de vídeo se comunicará diretamente com o árbitro por ponto eletrônico apenas no caso de “erros óbvios” ou “omissões muito comprometedoras”. Para indicar que acionará a tecnologia, o árbitro precisa desenhar um retângulo no ar de forma a fazer referência a uma tela de TV.

 

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