O pintor holandês que foi pioneiro na criação de serviços municipais

Equipamento de combate a incêndios e iluminação pública estão entre invenções de Jan van der Heyden, que também era engenheiro

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    Foto: Wikimedia Commons
    A nova prefeitura de Amsterdã, pintada por Jan van der Heyden (1668)
     

    O holandês Jan van der Heyden (1637-1712) foi um pintor proeminente de paisagens urbanas, principalmente das de sua cidade, Amsterdã.

    Mas também é conhecido como o pai de alguns serviços municipais modernos, como o departamento de bombeiros e a iluminação de ruas.

    Segundo um livro sobre van der Heyden publicado pela editora da Universidade de Yale, ele foi o primeiro artista a capturar a beleza do cenário urbano, mas, em sua época, foi ainda mais conhecido como inventor e engenheiro do que como artista.

    No século 17, estava em curso o período posteriormente denominado como “Século de Ouro dos Países Baixos”, de prosperidade para atividades econômicas importantes para os holandeses como o comércio e a indústria de construção naval.

    Amsterdã era o epicentro desse florescimento. O crescimento da cidade foi tanto que, em 1613, uma série de expansões e renovações urbanas foram lançadas, estendendo suas fronteiras. Foi nessa época que três grandes canais foram construídos ao redor da cidade, definindo sua paisagem hoje mundialmente reconhecida. 

    Invenções

    Equipamentos anti-incêndio

    O artista e engenheiro criou o equipamento de extinção de incêndios que seria adotado em cidades de toda a Europa nos dois séculos seguintes.

    O fogo era um inimigo constante das cidades da época. Um incêndio destruiu a sede da administração de Amsterdã em 1652.

    Primeiro, van der Heyden inventou a mangueira de couro para apagá-lo. Depois, aperfeiçoou a bomba d’água até conceber um equipamento automático eficaz.

    Em 1690, o manual escrito e ilustrado por van der Heyden “Branspuiten-boek” (algo como “O livro dos bombeiros”) foi publicado. Trata-se do primeiro manual anti-incêndio da história.

    A atuação do inventor nessa área ainda passaria pela documentação, por meio de crônicas exaustivas, de dezenas de incêndios ocorridos na cidade, com o objetivo de aprimorar os métodos de controle e extinção.  

    Ele também fundou e dirigiu o departamento de bombeiros da cidade.

    Iluminação pública

    Os postes de luz, nessa época anterior à eletricidade, também foram objeto de interesse do engenheiro. Ele desenvolveu o sistema que introduziu os postes de luz na rua da cidade.

    A iluminação pública que passou a clarear os canais de Amsterdã à noite (e que durou de 1669 a 1849) foi instalada por sua iniciativa – além de pintor e diretor do departamento de bombeiros, ele era superintendente da iluminação da cidade. A partir do modelo de van der Heyden, outras cidades do mundo passaram a adotar um sistema semelhante.

    Foto: Wikimedia Commons
    Cena de rua em Cologne pintada por Jan van der Heyden (por volta de 1684)
     

    Pintura

    Técnica detalhada

    Van der Heyden pintou com um nível de detalhe raramente visto, segundo o artista e biógrafo Arnold Houbraken, citado no livro publicado pela editora da Universidade de Yale, que leva o nome do artista.

    Por vezes, é possível observar em seus quadros os ladrilhos de cada edificação. Segundo o site Mental Floss, ele usava algumas técnicas para criar essas texturas: pressionar placas de metal sobre a tinta molhada, para os tijolos, musgo ou uma esponja para as folhas das árvores.

    Apesar desse detalhamento, também fazia algumas concessões, possivelmente adaptando a arquitetura do entorno em favor de uma composição mais harmônica.

    Paisagens imaginárias

    Embora suas obras tenham tido como objeto principal a fervilhante Amsterdã do século 17, outras cidades holandesas, além de cidades flamengas e alemãs, foram pintadas por ele. Elas foram pintadas, frequentemente, com composição inovadora.

    Apesar de detalhadamente realistas, algumas paisagens pintadas por van der Heyden não são reais.

    O artista foi o primeiro a criar cenas imaginárias por meio do reordenamento de edificações conhecidas e paisagens urbanas existentes.

     

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