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Por que a animação brasileira está em alta no mundo

Com número recorde de filmes de animação lançados em 2017, país tem aumentado visibilidade internacional

     

    A 42ª edição do Festival de Cinema de Animação de Annecy, na França, começou na segunda-feira (11) e vai até o dia 16 de junho. A competição é a “vitrine” mais importante do cinema de animação mundial e, em 2018, presta homenagem ao Brasil.

    O longa-metragem “Tito e os pássaros”, dirigido por Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg, participa da mostra competitiva de longas do festival.

    O curta “Guaxuma”, da diretora Nara Normande, também concorre ao prêmio principal da competição. Entre os animadores brasileiros, Normande é a única mulher na disputa.

    Também há episódios de séries e peças publicitárias nacionais competindo nas categorias de TV e publicidade e cinco mostras paralelas inteiramente dedicadas aos filmes brasileiros de animação.

    Brasileiros também estarão presentes em painéis do festival, que conta ainda com uma uma exposição sobre a história da animação no Brasil, organizada pela Associação Brasileira de Cinema de Animação e  Ministério da Cultura.

    Um vídeo produzido para o festival condensa os cem anos dessa história em cem segundos.

    “A animação brasileira vive a melhor fase dos seus cem anos de história”, diz o site que traz toda a programação sobre o Brasil em Annecy em 2018.

    A introdução destaca, ainda, que a produção brasileira ganhou visibilidade internacional na última década, com indicações ao Oscar e prêmios conquistados no Festival de Annecy.

    O Brasil venceu Annecy por dois anos consecutivos: com “Uma História de Amor e Fúria” (2013) de Luiz Bolognesi, “O Menino e o Mundo” (2014), de Alê Abreu levaram o prêmio de melhor longa-metragem e o curta “Guida”, de Rosana Urbes, também foi premiado em 2015.

    Mais produção, mais visibilidade

    A presença brasileira em Annecy é um reflexo do crescimento do nacional no setor de animação.

    As séries de animação mostram força: nos últimos dez anos, a produção passou de duas para 44 séries. Duas delas, “Peixonauta” e “Show da Luna”, são campeãs de audiência no canal a cabo Discovery Kids, e, junto a diversas outras séries brasileiras, tem sido exibidas em canais pagos estrangeiros.

    Em 2017, foram lançados sete longas-metragens no país, maior número de animações em 22 anos, desde a retomada do cinema brasileiro em 1995, ao longo dos quais haviam sido lançados, no máximo, quatro filmes de animação por ano no país. Um total de 18 filmes foi lançado em todo o período.

    Em 2016, segundo a Agência Nacional do Cinema, foi lançado somente um longa de animação, e nenhum estreou em 2015.

    Segundo uma reportagem da Agência Brasil publicada em maio de 2018, outros 25 longas estão atualmente em produção.

    Para Ana Flávia Marcheti, “storyboard artist” e autora do livro “Trajetória do Cinema de Animação no Brasil”, o bom momento da animação brasileira é amparado em um longo percurso histórico.

    “Essa evolução não é de hoje”, disse ao Nexo. “Temos uma longa trajetória de desenvolvimento na área, em que aprendemos de forma autodidata como animar, desenvolver filmes e nos inserir no mercado.”

    Segundo Marcheti, a animação brasileira não nasceu da criação de grandes estúdios, mas da vontade de pioneiros e entusiastas. “Assim, conseguimos desenvolver nossa própria linguagem de animação, que é uma característica forte, que chama a atenção do mundo e de grandes festivais como Annecy”, disse.

    Em termos de delegações de empresas participantes do Festival, a presença nacional se multiplicou. Em 2018, o grupo é composto por 36 empresas. Nos últimos quatro anos, as delegações reuniam entre oito e dez empresas.

    Financiamento do Estado

    No contexto das leis de incentivo ao cinema brasileiro, editais têm fomentado a produção de curtas, longas e programação televisiva de animação.

    Em 2016, o edital de cinema do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, incluiu pela primeira vez curtas-metragens de animação entre os projetos contemplados. Longas-metragens de animação são contemplados pelo edital desde 2013.

    O Fundo Setorial do Audiovisual, um dos principais mecanismos de fomento à produção audiovisual no país, também tem sido uma ferramenta importante para o crescimento do mercado de animação nacional, tanto no cinema quanto em séries para a televisão. Desde sua implantação, em 2007, o FSA investiu mais de R$ 109 milhões em produções do gênero, segundo o Ministério da Cultura.

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